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Já se foi o tempo em que comer balas, tomar sorvetes e pular amarelinha ou uma simples corda fazia a alegria da criançada. Hoje em dia, com vitrines reais e “vitrines virtuais” repletas de brinquedos tecnológicos e bonecos com mil e uma funções, fica difícil explicar aos pequenos que o consumismo nem sempre é uma boa.

Aí é um pede daqui, um pede dali e você acaba cedendo mais uma vez, mesmo tendo plena consciência de que, daqui a uma semana, aquele já não será mais o brinquedo preferido do seu filho.

É válido lembrar que muitos pais confundem expressar amor com ceder aos pedidos dos pequenos e acabam caindo na armadilha de querer compensar a ausência diária com brinquedos.

Segundo o presidente do Instituto Akatu, Hélio Mattar,  “é necessário que exista uma mudança de atitude. Precisamos mudar o estilo de vida. A partir disso, acreditamos que algo será posto no lugar do consumo, que agora se constitui numa parte crítica e central da vida. Temos de substituir o consumo pela arte, pela beleza e pelas relações humanas”.

Na verdade, papais e mamães, aqui também se encaixa aquele velho ditado: “Nem tanto ao céu, nem tanto à terra”, ou seja, é direito de toda criança brincar e ser feliz, porém dentro da sua realidade e dos limites  estabelecidos por vocês.

Ensinar aos filhos que não se pode ter tudo e que, para obter uma coisa, muitas vezes, é necessário abrir mãos de outra já é um grande passo.

Trouxemos algumas dicas que podem ajudá-los a lidar com o consumismo em casa:

– Converse com os seus filhos ajudando-os a captar o real objetivo da publicidade para que eles comecem a adaptar suas atitudes em relação a ela.

– Encontre maneiras de ajudar as crianças a descobrir o significado das celebrações que vão além do comercial e da “quase sempre compulsória” troca de presentes.

– Inclua a criança no processo da compra e faça com que ela se pergunte se aquilo é realmente útil para a vida dela.

– Mostre-se mais presente na vida do pequeno. Ajude-o com a lição de casa ou faça questão de estarem todos presentes na mesa na hora da janta para contarem como foi o seu dia.

– Façam passeios ao ar livre em praças, parques e zoológicos e aproveite a oportunidade para mostrar à criança que conseguimos nos divertir com coisas simples como admirar a natureza, fazer um piquenique, correr, jogar bola e andar de bicicleta.

– Antes de saírem às compras, faça acordos com as crianças  sobre o que poderão ou não comprar. Assim, fica mais fácil estabelecer limites quando você diz: “Lembra o que combinamos em casa?”;

– Evite levar seus filhos pequenos às compras em megalojas de brinquedos, pois crianças pequenas têm dificuldade para controlar seus impulsos e não conseguem entender por que você não compra tudo o que elas querem.

– Ainda na loja, fique atento a este detalhe: propositadamente, os produtos mais atraentes para crianças pequenas ficam nas prateleiras baixas. Para poupar a criança dessa sedução, coloque-a no alto, sobre o carrinho.

– E o mais importante: lembre-se de que os pais são como um espelho para seus filhos, portanto, antes de controlar os impulsos deles, vocês precisam se policiar também.

Determinação, apoio e orientação dos pais ainda são a melhor forma de ensinar a criança a consumir de maneira consciente.

Gostaram das dicas?

Moderando o consumismo 😉

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Tenho tido uma grande preocupação com o desenvolvimento da imaginação e da criatividade das crianças de hoje. Tudo já vem muito pronto, de fácil compreensão e visualização. Por um lado isso é bom, mas por outro não exercita habilidades e competências importantes ao seu amplo desenvolvimento. Além disso, tenho visto muitos pais cansados, impacientes e sem tempo para os filhos. De jeito algum estou aqui os criticando, pois realmente sei que não é fácil administrar tanta coisa ao mesmo tempo. Mas, aproveitando as férias, sugiro que dediquem um tempo gostoso com os filhos, façam coisas juntos e os ajudem a sair da rotina, ampliando-lhes repertórios e ensinando-os a conhecerem e a valorizarem também outras brincadeiras.

Assim, seguem algumas ideias de atividades que você pode construir com eles. A ideia é construir junto. E, acredite: participar de todo o processo e depois brincar com o que construiu é bem especial. Melhor ainda se você desligar o celular, não atender ninguém, não cortar o processo para resolver algo. O mundo não acabará se você dedicar-se a pelo menos uma hora intensa com o seu filho. Vamos lá, volte à infância e mãos à obra.

Nosso primeiro livro
Pegue papel ofício (ou sulfite) e dobre ao meio formando um livrinho. Escrevam uma história juntos. Se a criança já é alfabetizada, vocês podem criar a história e ela vai escrevendo. Se ela não é, mas quiser escrever ou desenhar à sua maneira, deixe-a. Não tenha a preocupação em ficar corrigindo, mas curta o momento e a história, que aliás é uma ótima estratégia para entender o que se passa dentro do seu filho. Atente-se e aproveite. E então, façam a ilustração juntos. Deixe-o livre para criar o desenho que quiser. Depois, é só deitar juntinho no sofá, colocar os pés pro ar e ler a história construída.

Colar de macarrão
Isso minha avó fazia com os netos e era maravilhoso. Compre com a criança diferentes tipos de massa, as que tem furos, formas e cores variadas. Coloque-as para assar. Quando estiverem torradas, tire-as e as deixe esfriar. Depois pegue náilon ou linha grossa e façam colares, pulseiras, fios de decoração e o que mais a criatividade deixar. Coloque uma musica dançante e façam um desfile, enfeitem tudo e todos da casa, curtam a brincadeira. Claro que o macarrão pode ser substituído por miçangas ou outras peças para montar bijuteria. Mas, a massa é bem diferente e dá um sabor à infância!

Costurando arte
Com uma caixa de papelão façam várias pranchas. Peça ao seu filho para fazer desenhos simples em cada uma delas com traços bem definidos. Por exemplo, uma casa, uma árvore, um peixe, uma borboleta. Se ele for muito pequeno, desenhem juntos. Depois, vá fazendo furos espaçados nas linhas do desenho. Agora, com cadarços coloridos de tênis, ensine-o a ir “costurando” o desenho através dos orifícios feitos. Podem misturar os cadarços que dá um efeito bem bonito. E não se esqueçam de fazer a exposição das obras de arte. Podem depois descosturar e começar tudo de novo.

Bola na taça
Peguem duas garrafas pet com tampa, corte-as aproveitando a parte superior como se fosse fazer uma taça. Pegue uma meia velha e faça com ela uma bolinha bem apertada. Se precisar, costure. Pronto, agora é só brincar. Fiquem um de frente ao outro, numa distancia pequena. Coloque a bolinha em uma das “taças” e lance para a taça do outro. Não vale pegar com as mãos, só com as taças. Errou? Recomeça. Quando conseguirem 8 vezes sem errar, deem um passo para trás e iniciem o novo desafio. E sigam até cansar.

Telefone maluco
Com as duas partes de baixo das garrafas pet que sobraram da atividade anterior, e que parecem um copo gordo, faça um furo em sua base, e as ligue por um barbante comprido, deixando a parte aberta para fora. Pronto. Agora distanciem-se, cada um com uma parte, deixando o barbante esticado. Enquanto um fala dentro do “copo”, o outro o coloca no ouvido e escuta, iniciando assim um diálogo. Podem ainda contar uma história onde cada um vai inventando uma parte. A voz fica bem engraçada, e podem ainda modificá-la, afinando e engrossando, conforme os personagens vão sendo inventados.

Fazendinha
Peguem embalagens vazias de tudo o que encontrarem em casa, além de batatas e palitos de fósforos grandes. Com as embalagens construam cercados e casas. E com as batatas, espetem fósforos transformando-as em animais. Aproveite para discutir o número de patas, o tamanho, como é cada animal. Depois, construam uma rotina para a fazenda, vejam quais animais podem interagir, quais não podem, e façam a fazenda funcionar.

Lata andante
Peguem duas latas de leite em pó com tampa. Com um prego e martelo façam dois furos diametralmente opostos nas paredes de cada lata. Agora passem um barbante ou fio de varal fazendo uma alça grande em cada uma. Pronto. Seu filho sobe na tampa da lata e com a ajuda da alça vai caminhando, como se estivesse numa plataforma. Aproveite e faça uma para você também e bom passeio.

Massinha de modelar
Esta serve para tanta coisa! Até para estudar com minhas filhas eu as usava. E que delícia que é. Sugiro que criem um tema e vão construindo juntos com a massinha. Por exemplo: São João. Discuta com o seu filho o que tem nesta festa. Deixe-o falar o que percebe e vá o ajudando quando necessário. E então, mãos à obra. Façam a fogueira, as bandeirinhas, os bonecos para a quadrilha e o que quiserem.

Há ainda tantas brincadeiras que se podem construir e brincar. Solte a imaginação e a criatividade. Pode-se, é claro, comprar, mas a construção conjunta tem sabor especial. Todas essas atividades aqui citadas desenvolvem muitas habilidades, conceitos e percepções que não cabem aqui explorar. Mas, o mais importante, eu diria, é o fortalecimento da relação e da comunicação entre pais e filhos. Quanta coisa acontece enquanto se constrói e brinca! Então, boas férias, boas ideias, boas interações. A infância é ligeira, acredite. Curta-a enquanto a tem.

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Várias ideias de brincadeiras com as crianças!!!

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Ele morde o amiguinho na escola, bate no irmão, agride os pais, tem acessos de fúria quando contrariado. A violência é uma das armas que a criança usa instintivamente para demonstrar que está carente. “Na maioria dos casos, essa agressividade é uma espécie de pedido de socorro, a criança está querendo mais atenção, e isso pode ser mudado com o amor dos pais”, orienta Maria Abigail de Souza, professora titular do departamento de Psicologia Clínica da Universidade de São Paulo (USP).

Maria Abigail sabe o que diz. A especialista realizou um trabalho com 14 meninos violentos, entre 9 e 11 anos, vítimas de abandono emocional e social, durante 12 anos. O resultado mostrou que essas crianças se acalmavam ao receber atenção de adultos próximos. “Quando a criança se sente largada, faz barulho para buscar a atenção de que precisa”, avalia.

É necessário admitir que violência gera violência. Por isso, nunca tente combater a agressividade do seu filho com ameaças ou castigos físicos. É preciso dar limite com amor, carinho e diálogo. Calma, mãe, existe luz no fim do túnel. Basta ter paciência para percorrer esse caminho.

 

Sinais de que ele quer a sua atenção:

Brigas na escola: Se a criança começa a bater nos amigos e a ser malcriada com professores, os pais devem ir à escola, conversar com os profissionais e tentar participar mais da vida do filho.

Arrogância: A criança parece ter prazer em irritar colegas com suas conquistas ou por ter os brinquedos que todos querem. Dê mais carinho.

Falta de autoestima: A criança agride os colegas quando a chamam por algum apelido ou apontam algo que ela não quer enxergar em sua vida. Elogie mais seu filho e mostre a ele, todos os dias, as qualidades que ele tem.

Introspecção: A criança fica mais quieta e se isola. Estimule-a a falar sobre o que sente e tenha paciência para ouvir.

Como lidar com o problema em cada faixa etária:

Até os 3 anos
A agressividade é uma forma de o bebê manifestar os desejos e a excitação. Se o filho deu um tapinha, segure sua mão e diga, com firmeza: “não pode!”. “Eles já entendem”, esclarece a psicóloga.

De 4 a 7 anos
A criança começa a entender a lei de ação e reação. Coloque de castigo ou tire algo que lhe dá prazer por um tempo determinado (como um programa de TV ou o computador). É fundamental que seja um castigo por um tempo e que ele seja cumprido.

De 8 a 12 anos
Se o comportamento persistir, o caso começa a ficar preocupante e é preciso combater o problema. O castigo é a melhor saída. “E os pais não podem dizer `não’ para algo hoje e `sim’ para essa mesma coisa amanhã”, conta a profissional.

Na adolescência
Se não controlaram o filho antes, nessa fase os pais correm perigo até de apanhar dele. Ainda assim, é preciso manter a autoridade com conversa e dando o exemplo. Se for o caso, peça ajuda a um profissional.

Como agir quando a criança está gressiva:

– Na crise de raiva, contenha a criança. Se for preciso segurá-la, faça-o, mas sem violência. Dá, sim.

– Converse. Isso ajuda a fazer a criança falar sobre o motivo da raiva.

– Mostre à criança que você entende o sentimento dela e dê carinho.

– Se o comportamento agressivo permanecer, coloque-a de castigo.

Veja as atitudes que fazem seu filho trocar a violência pela paz:

1) Gastar a energia: Brincar ao ar livre, correr, praticar esporte. “Gastar energia ajuda a criança a extravasar esses sentimentos. Só ficar na internet atrapalha esse processo”, garante a especialista.

2) Brincar com a família: Jogar em família, como a brincadeira de varetas ou jogos de tabuleiro. Essa atividade faz com que ele sinta sua companhia e perceba que não precisa “aprontar” para conseguir isso.

3) Desenhar: Estimule-o a isso e, se ele for mais velho, sugira que tenha um diário. Colocar as emoções no papel ajuda a organizar melhor os pensamentos.

4) Saber esperar: Se ele é pequeno, faça-o perceber que você não está à disposição dele o tempo todo. Quando for maior, faça-o respeitar filas, por exemplo.

5) Saber ouvir o NÃO: Não tenha medo dessa palavra! Quando o filho percebe que os pais perderam o controle, ele fica ainda mais agressivo. “Ele está pedindo limites”, diz Maria Abigail.

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A importância de dar atenção aos filhos!

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Vivemos em uma cultura em que a palmada faz ou fez  parte do cotidiano de muitos brasileiros. Atualmente o tema vem sendo debatido e até uma lei está a caminho. Esse texto traz a experiência e algumas dicas de uma mãe.

 Resolvi fazer este texto, relatando os diversos aprendizados que tive, ao longo desses quase 10 anos (minha filha faz 10 em julho). Aprendizados que tive trocando experiências com outras mães em redes sociais (como na comunidade Pediatria Radical), que li em livros, em blogs, filmes, conversas com amigos e, principalmente, LEMBRANDO DE MINHA PRÓPRIA INFÂNCIA E OBSERVANDO MINHA FILHA, e até mesmo pelos exemplos negativos que tive de como NÃO educar uma criança.

Para mim, aprender a educar SEM PALMADAS foi/é tão gratificante, que eu me sinto na obrigação de compartilhar o que aprendi.

Aprendizado 1:
ASSUMA O PAPEL DE PAI/MÃE.

Essa é, sem dúvida, a primeira coisa que se deve fazer quando se pretende educar um filho: assumir o papel de educador.

Não importa se o dia foi estressante, se você está de TPM, se a criança está birrenta, se você não sabe o que fazer pra contornar um conflito, … você (pai/mãe) é quem deve ter maturidade, você (pai/mãe) é quem tem o controle da situação, você (pai/mãe) é que se permite perder o controle. A responsabilidade é sua.

Assumir o papel de pai/mãe é também colocar a criança no seu papel, qual seja: de CRIANÇA.

Portanto, por mais óbvio que isto seja, algumas pessoas não se atentam pra essa obviedade:

Pai/Mãe é Pai/Mãe = adultos, que devem agir com maturidade e que tem o direito/obrigação de cuidar e educar os filhos.

Filho é Filho = Criança, imatura, em processo de desenvolvimento, que tem o direito de ser cuidada e educada pelos pais.

Aprendizado 2:
CONHEÇA UM POUCO SOBRE DESENVOLVIMENTO INFANTIL.

Você não precisa ser expert em psicologia ou entender as teorias de Freud (que, aliás, são controversas). Mas procure ter conhecimentos básicos  sobre o desenvolvimento infantil, como os saltos de desenvolvimento, crise dos 8 meses (angústia da separação), terrible two, a angústia causada pela noção da morte (por volta dos 6 anos), etc.

Ter conhecimento sobre a fase que seu pimpolho está passando ajuda enormemente a entender muitas de suas atitudes. E assim, entendendo as atitudes dos nossos pequenos, fica muito mais fácil lidar com elas. Além de evitar que tenhamos interpretações completamente errôneas como “esse bebê só quer colo porque está mimado”, ou “essa criança fica me testando o tempo todo”, etc.

Aprendizado 3:
CRIANÇA É CRIANÇA

Esse aprendizado está muito interligado ao aprendizado anterior (“Conheça um pouco sobre o desenvolvimento infantil”).

Criança vê o mundo de forma diferente dos adultos.

Portanto, não interprete as atitudes dos pequenos como você interpretaria as mesmas atitudes praticadas por um adulto.

Por exemplo, se um adulto diz, de forma proposital, algo que não condiz com a realidade: isso se chama mentira. Já, quando uma criança pequena diz algo que não condiz com a realidade: isso não é uma mentira (pode ser uma confusão que ela faz entre o pensamento e a realidade, ou pode ser a resposta que ela pensa ser a “resposta certa” que os pais estão esperando ao ser questionada sobre algo).

Assim, um adulto falar algo que não condiz com a realidade é MUITO DIFERENTE de uma criança falar algo que não condiz com a realidade.

Além disso, como já foi dito anteriormente, crianças tem suas fases. Eu sei, é chato quando ouvimos “isso é fase, vai passar”. Mas é a mais pura verdade e devemos também levar em consideração a fase que a criança está passando para interpretar suas atitudes.

Outro exemplo de atitude equivocadamente interpretada por muitos adultos, eu falarei nos aprendizados a seguir:

Aprendizado 4:
CRIANÇA PEQUENA NÃO TEM CAPACIDADE PARA OBEDECER – AS ATITUDES DEVEM VIR DOS ADULTOS.

É isso aí gente: criança pequena NÃO OBEDECE. Ponto.

Ter consciência de que criança pequena não tem capacidade para obedecer foi um dos melhores aprendizados que eu já tive e que mais me ajudou, além de evitar uns 50% de estresse do dia-dia.

Esperar que uma criança de 3 anos obedeça é tão inútil quanto pedir para um bebê de 7 meses trocar a fralda sozinho.

E por que a criança não obedece? Simplesmente porque ela ainda não tem essa capacidade. O cérebro dela sequer está completamente formado para que ela seja capaz de conter seus impulsos. Muito pelo contrário, nas crianças pequenas, são seus impulsos, suas vontades, seus desejos, que a controlam.

Além disso, a criança mantem uma relação muito forte com o objeto de desejo, com o que quer fazer.

Quando uma criança quer algo, sai de baixo! Ela QUER com todas as suas forças. E fica obcecada pelo objeto de desejo. Grita, esperneia, chora e berra. Assim, se ela QUER muito fazer algo e você disser pra ela não fazer tal coisa, ela não vai te obedecer.

Portanto, esqueça a obediência. Criança NÃO tem que ser OBEDIENTE. Criança precisa ser EDUCADA.

E como se educa a criança a ter controle sobre si própria? Da mesma forma que a gente deve educá-la a trocar de roupa sozinha. Ou seja: primeiro nós fazemos por ela (o adulto é que troca a criança), depois passamos a ajudá-la a fazer (a gente ajuda a criança a se trocar) e, então, ela passará a fazer sozinha (a criança troca-se sozinha).

É basicamente a mesma coisa.

Portanto, para ensinar a criança a conseguir ter autocontrole, inicialmente, são os pais que devem fazer isso por ela.

Cabe ao adulto, através de atitudes, IMPEDIR COM QUE A CRIANÇA FAÇA O QUE NÃO PODE. Da mesma forma, cabe aos adultos, através de atitudes, LEVAR CRIANÇA A FAZER O QUE DEVE SER FEITO.

Deste modo, se a criança quer brincar com uma faca: a responsabilidade é sua (adulto) de retirar a faca da criança. Se a criança quer permanecer em algum local perigoso, a responsabilidade é sua (adulto) de retirá-la do local. Se a criança não quer escovar os dentes, a responsabilidade é sua (adulto) de levá-la a escovar os dentes. Se a criança está subindo em cima de um sofá na casa de uma visita, a responsabilidade é sua (adulto) de impedir tal fato. A responsabilidade é sempre sua. É você, adulto, que vai controlá-la.

Com o passar do tempo, a criança vai criando autocontrole, e aí você vai passar a ajudá-la neste autocontrole. Até que, então, a criança conseguirá se controlar sozinha.

Aqui, podemos retomar os aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe; Conheça um pouco sobre desenvolvimento infantil e Criança é criança.

Aprendizado 5:
NÃO SE COLOQUE NA POSIÇÃO DE DESAFIADO

Esse aprendizado é uma consequência dos aprendizados anteriores, como veremos:

Levando-se em conta que os pais é que estão sempre no controle da situação, que não devemos interpretar as atitudes de uma criança da mesma maneira que interpretamos a mesma atitude em um adulto, que a criança é um ser em desenvolvimento e que tem direito de receber cuidados e educação dos pais, e ainda, considerando que a criança não tem capacidade para obedecer, chegamos à conclusão que CRIANÇA NÃO TESTA OS PAIS, SENDO OS PAIS QUE SE COLOCAM ERRONEAMENTE NO LUGAR DE TESTADOS.

Vamos imaginar a cena: Você está na casa de uma visita e seu filho de dois anos vai em direção a um lindo enfeite de cristal. Talvez o objeto tenha chamado a atenção do pequerrucho pela forma, ou pelos feixes de luz que reflete, ou sabe-se lá porque. Fato é que a criança vai ao encontro daquele valioso e delicado artefato. A mãe, vendo o perigo da situação, grita: “Filho, não mexa aí!”. A criança obedece? Se a criança quiser muito tocar naquele objeto, provavelmente ela irá se virar para a mãe e, olhando nos olhos da mãe, pega o objeto.

Ora, se você disser pra um adulto não pegar tal coisa e, ainda assim, ele pegar. E pegar o objeto olhando pra você, certamente isso é um desafio. No entanto, não é dessa forma que deve ser interpretada a mesma atitude, se praticada por uma criança.

A criança te “desobedece” pelo simples fato de que ela não é capaz de obedecer (lembra?) Ela não é capaz de fazer aquilo que ela está com vontade (São as vontades, os impulsos e os desejos que a controla. Lembra disso também?) Ela sabe que aquilo é errado e que aquilo vai gerar uma atitude negativa nos pais (talvez é por isso que a criança já faz a coisa errada olhando para os pais. Às vezes até com uma cara feia, esperando e se preparando para a bronca). No entanto, por mais que ela saiba que aquilo que ela está fazendo é errado, ela não tem condições de não fazê-lo. Portanto, não interprete essa atitude como desafio. Interprete essa atitude como IMATURIDADE. Afinal, é disso que se trata.

Interpretar a atitude de desobediência como desafio por parte da criança é bem perigoso e poderá causar dificuldades lá na frente.

Explico porque: Crianças veem as coisas de acordo com o olhar dos pais.

Por exemplo: se os pais veem uma atitude agressiva normal, a criança passará a achar esta atitude agressiva normal também.

Portanto, se os pais veem a atitude da criança em desobedecer numa atitude desafiadora, a criança também passará a ver a desobediência dela como uma atitude desafiadora.

Agora pense na insegurança que isso poderá gerar numa criança?! Justamente os pais, muito maiores e mais velhos que ela, que deveriam ser mais maduros e mais inteligentes, que deveriam cuidar, mostrar o certo e o errado, e que deveriam estar no comando, passam a se sentir “ameaçados”, desafiados, por ela, um serzinho muito menor. Isso gera uma insegurança tremenda na criança, fazendo com que ela sinta necessidade (aí sim) de desafiá-los, pra verificar se eles realmente estão no comando (se ela realmente poderá ser cuidada).

E antes, o que apenas era imaturidade, passa a ser, de fato, desafio.

Deste modo, não é a criança que te desafia, são os pais que se colocam na posição de testados.

Ora, não seja um(a) pai/mãe banana, se colocando na posição de testado por uma criança de 2,3 anos de idade.

Se você olhar a situação de desobediência tal como ela é (falta de maturidade, falta de autocontrole), tais atitudes da criança serão vista por ela mesma dessa forma. E então, além dela não ter necessidade alguma de passar a testar os pais (ela está segura e sabe que os pais tem condições de cuidá-la, pois não se sentem ameaçados e se posicionam como educadores, no comando da situação) fica mais fácil ela aprender a se autocontrolar.

E, logo, logo, ela passará a “obedecer”. Ou melhor, ela conseguirá, sozinha, controlar seus impulsos.

Lembre-se dos aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe. Tenha plena consciência de que você é que está no comando. Interprete as atitudes de criança como atitudes de criança. Se colocando dessa forma, a criança se sente segura, não precisará testar nada e vai aprender o que interessa: ter autocontrole.

Aprendizado 6:
APRENDA A DIALOGAR, CONSTANTEMENTE.

É muito comum ouvirmos falar “Conversa não adianta” Ou: “Já tentei de tudo, mas ele não me ouve.”

Isso não é verdade!

O que existe é que você, pai/mãe, não aprendeu a dialogar.

Está aí um dos grandes motivos pelos quais sou contra palmadas: palmadas impedem com que os pais e filhos APRENDAM a dialogar. Dialogar é um aprendizado, que deve ser revisto constantemente, pois a forma de dialogar vai mudando conforme o desenvolvimento da criança. Dialogar com um bebê de 1 ano, é diferente de dialogar com um de 3 anos, que é diferente de dialogar com uma criança de 5 anos, de 7 anos, com um pré-adolescente de 10 anos e por aí vai…

Além disso, para aprender a dialogar, são necessárias várias outras atitudes dos pais, sendo que todas elas ajudam a criar um maravilhoso vínculo entre pais e filhos e ajudam no bom desenvolvimento da criança.

Portanto, a palmada, além de impedir esse aprendizado – de diálogo entre pais e filhos – ela impede também com que ocorra tudo que está por trás desse aprendizado do diálogo. Não sei se estou conseguindo explicar o que eu quero dizer, mas é basicamente isso: a palmada evita o processo de aprendizado do diálogo. Mas não é só o diálogo que fica prejudicado, mas tudo que está por trás para alcançar este diálogo com a criança.

E, pra aprender a dialogar é necessário, antes de tudo, aprender a OUVIR. É necessário ter EMPATIA, se colocando no lugar da criança, observando a fase em que ela está, sua imaturidade, as mudanças que ela pode estar passando na sua vidinha. É necessário dar atenção ao filho. É necessário observar a criança. É necessário ter tempo com a criança. É necessário aprender como você consegue ser ouvido pela criança. E, também, é necessário criar uma relação muito forte com a criança, uma relação de afeto, de carinho, de respeito, de confiança.

E a forma de dialogar com a criança vai depender de cada família, de cada criança, e da idade dela (da fase que ela está passando).

Por exemplo, eu acredito que a melhor forma de falar aos bebês o que pode e o que não pode é através de atitudes dos pais (como descrito no aprendizado 4). Ou seja, a forma como você demonstra à criança pequenininha o que é certo e errado é através de atitudes. O diálogo se dá através de atitudes dos pais, principalmente.

Depois, quando minha filha era pequena (até os 3/4 anos), conversávamos através de historinhas. Eu ia contando uma historinha, utilizando como enredo situações que ela tinha passado, mas com personagens fictícios, e ela ia completando a historinha junto comigo, ou seja, se manifestando.

Outra coisa importante, é demonstrar os valores, sempre que possível. Por exemplo, você está assistindo um filme ou novela, a criança passa na sala bem num momento em que um personagem dá um tapa em outro. Se manifeste! Demonstre o quanto aquela atitude é errada. Diga coisas como “Nossa! Que horror!” ou “Que coisa horrível isso de alguém dar um tapa em outra pessoa!” Isso vale também para situações que você vê na rua, como, por exemplo, quando vê alguém jogando lixo no chão.

Crianças são ligadíssimas ao que acontece ao redor. Portanto, não deixe passar batido.

Outra coisa bacana é dar exemplos de quando você era criança, pois elas prestam a maior atenção pra saber de como nós, pais, éramos quando criança.

Também aprendi a não ter grandes conversas nas horas das birras e estresse. A criança vai ficar na defensiva e não vai adiantar. Na hora da birra ou da “discussão” seja objetivo, sem muito blábláblá. Depois, numa hora calma, num momento de tranquilidade, em que ambos estejam de bom humor, relembre o ocorrido, de forma tranquila e na boa, e reforce a mensagem que você quer passar. Escute o que a criança tenha a dizer e exponha sua opinião. Você vai se surpreender em como, nessas horas, a criança realmente te escuta e até pede desculpas.

Costumamos ter conversas com minha filha à noite. Perguntamos se ela quer falar alguma coisa, se algo a está incomodando. Ela também nos pergunta se queremos falar alguma coisa sobre nosso dia, etc.

Tenho um casal de amigos com dois filhos que fazem “reuniões” semanais. Mas é possível solicitar uma “reunião” quando sentir necessidade. Cada um expõe o que quiser e sempre que um membro fala, os outros devem prestar atenção. Achei a ideia interessante.

Outras famílias conversam sobre o dia durante o jantar.

Sabe, eu me pergunto se todas famílias praticam isso: tirar um tempo do dia para sentar e conversar.

Devo ressaltar também que, nesta questão do diálogo, não há regras gerais e imutáveis, sendo que a melhor forma de EU dialogar com MINHA filha, talvez não seja a melhor forma de diálogo entre VOCÊ e SEU filho. Isso vai depender de cada família, de cada criança. Por isso, é necessário cada pai/mãe observar seu filho e aprender a dialogar entre si.

Sim, dialogar funciona!

Aprendizado 7:
RECONHEÇA E LEGITIME O SENTIMENTO, CRITIQUE A ATITUDE NEGATIVA

Este é um aprendizado que devemos ter não só com as crianças, mas também com os adultos e também com nós mesmos.

Negar os sentimentos “ruins” é prejudicial, além de ser totalmente inútil.

Somos seres humanos, e, como tal, temos todos os tipos de sentimentos, inclusive sentimentos não muito nobres, como tristeza, raiva, ciúmes, inveja, dentre outros.

Como escreveu Clarice Lispector: “Pensar é um ato, sentir é um fato”.

E é isso que ocorre conosco: temos sentimentos ruins e não temos controle sobre eles.

Imagine você falando para uma criança: “Não precisa ter medo de trovão”

Ok, precisar não precisa, mas como faz pra não ter medo?

“Não fique triste”, “É feio ter inveja”, etc.

Adianta falar esse tipo de coisa?

A criança apenas vai se sentir mal por sentir o que não é pra sentir, além dela não receber qualquer orientação em como proceder diante daquele sentimento ruim.

Portanto, ajude a criança a reconhecer e a manifestar verbalmente o sentimento e a oriente.

Por exemplo: “Tudo bem você ficar com raiva porque eu não fiz tal coisa, mas não grite e não bata a porta. Eu não admito que você grite comigo. Se acalme. Quer um copo d´água pra se acalmar? Quer ficar um pouco no seu quarto?”

Ou: “Eu entendo que você fica chateado quando está perdendo um jogo. É normal. Ninguém gosta de perder. Mas você não pode parar de jogar só porque está perdendo. Vai jogar até o fim e continuar tentando vencer.”

Demonstre pra criança que tudo bem sentir assim ou assado, mas o que importa são as atitudes. Assim, você a ajudará a aprender a reconhecer os seus sentimentos e a lidar com eles, de um modo construtivo.

Por exemplo, sabemos que crianças podem agir de forma agressiva, ou com manhas e birras, ou até mesmo fazendo xixi na cama quando algo as incomoda (muitas vezes nem mesmo elas sabem o que está incomodando).

Assim, se você ajudá-la a reconhecer os sentimentos, a verbalizá-los e a lidar com eles de forma positiva, com o tempo, a criança conseguirá reconhecer tais sentimentos e a compreendê-los. E, mais ainda, ela conseguirá manifestar estes sentimentos de forma construtiva e civilizada, sem precisar fazer manha, birras ou serem agressivas, apenas expondo verbalmente.

É muito melhor e muito mais fácil lidar com uma criança que chega e diz “Hoje eu estou um pouco nervosa por causa de tal coisa”, do que com uma criança que sequer consegue entender o que a está incomodando, passando a tomar atitudes agressivas, fazer birra, etc.

A criança precisa se sentir segura para expor o que sente. E precisa ser acolhida, sempre. Não julgue e não menospreze o sentimento dela. E a oriente com relação às atitudes.

Aprendizado 8:
SEJA SINCERO

Não tenho muito o que falar sobre este aprendizado, pois ele é muito simples. É apenas isso: Seja sincero.

Para crianças terem confiança nos pais é preciso que estes sejam sinceros.

Tenho pavor de promessas que os pais sabem que não irão cumprir, de enganar a criança, essas coisas.

Esse tipo de “enganação” faz com que suas palavras percam o valor. Aí, todo aquele processo de aprender a dialogar com a criança vai por água abaixo.

Portanto, seja sincero.

Além disso, quando você for explicar ou justificar algo para a criança, pense sempre a real necessidade daquilo.

Por exemplo, quando você precisar convencer a criança a tomar banho, pense e diga sobre a real necessidade de se tomar banho. As pessoas não tomam banho para ganhar sobremesa, ou para poderem jogar vídeo-game. As pessoas tomam banho para não ficarem fedidas (vivemos em sociedade) e para terem higiene, evitando doenças.

Quando a criança pergunta coisas que você não sabe, não tenha medo em dizer que não sabe.

Para finalizar, gostaria de citar dois artigos científicos que respaldam a não-necessidade e potenciais malefícios da utilização de palmadas na educação infantil.

Primeiramente, este artigo sobre a ineficiência/perigo das palmadas, em português: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v9n2/a04v9n2.pdf

E finalmente, uma metanálise sobre castigos corporais, no link: http://www.endcorporalpunishment.org/pages/pdfs/Gershoff-2002.pdf

Nesta metanálise a autora apresenta resultados da associação entre castigo corporal e 11 comportamentos infantis, e os resultados são claros: castigos corporais (palmadas) foram associado com níveis mais altos de conformidade imediata (ou seja, a criança aprende a se submeter ao castigo e se conforma ao invés de questionar e tentar entender a origem do castigo e não vai atrás de um aprendizado) e agressão e baixos níveis de internalização moral e saúde mental a longo prazo. Lembrando que metanálises são ferramentas poderosas na ciência, pois avaliam os resultados de vários estudos independentes voltados a uma única questão, no caso, o castigo corporal.

Bom, por enquanto é isso. Espero que ajude alguém.

Bjs a todos!

A história de uma educação sem palmadas…

Nota

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A vontade de ter o segundo filho já estava nos planos do casal, mas como preparar o primogênito para a chegada do irmãozinho? Nessa hora, é necessário ter um diálogo aberto e cuidadoso para expor tal situação ao pequeno, pois não se sabe ao certo como será a sua reação.

Das duas, uma: ou ele irá esperar o novo bebê com muito entusiasmo e alegria ou com ciúmes e birra, percebendo o novo irmão como um “invasor”. Segundo a psicóloga Anette Lewin, é mais preocupante quando a criança não manifesta nenhuma reação perante a notícia. “Sentir ciúme pela chegada do irmão significa que ela está conectada com a realidade. Ela pode fazer birra, chorar ou ficar quietinha. Essas reações são normais e passam”.

Voltar a agir como bebezinhos, fazendo xixi na cama ou retrocedendo nas brincadeiras, em vez de se comportarem de acordo com suas idades é um sinal de que a criança não está confortável com a novidade.

Alterações na rotina da criança maior, como ir para a escolinha ou mudança de quarto ou de quem cuidará dela, deverão ser feitas bem antes do nascimento ou depois da adaptação com o bebê. Assim as perdas não serão associadas com a chegada do irmãozinho.

Ao nascimento, não se descuide daquele que, até o momento, ocupava todos os espaços. Eleve a auto-estima da criança, potencialize suas qualidades e as vantagens de ser o mais velho. Atribuir-lhe responsabilidades sobre o irmão também ajuda na integração, já que se sente útil.

Saiba o que fazer, antes e depois da chegada do nenê, para que seu filho se ambiente e aceite o novo integrante da família:

Antes

  • Deixe que o primogênito sinta o bebê na sua barriga;
  • Integre seu filho no processo de escolha do nome;
  • Envolva seu filho na escolha dos móveis, roupas e brinquedos para o quarto do bebê;
  • Leve-o a uma ou duas consultas pré-natais e, em especial, ao ultrassom;
  • No período próximo ao nascimento, evite fazer transformações bruscas no cotidiano do mais velho, como tirar a chupeta, alterar a decoração do quarto dele ou trocá-lo de escola;
  • Ressalte como ele cresceu e destaque todas as suas conquistas.

Depois

  • Nunca compare o novo bebê com o filho mais velho;
  • Não tire coisas do primogênito para dar ao mais novo, como brinquedos, roupas, berço etc.;
  • Deixe-o ter contato com o bebê, segurando o pequeno no colo, fazendo carinho, acompanhando a troca de fraldas e a hora da amamentação. As crianças adoram sentir-se úteis.
  • Programem saídas, de vez em quando, somente com o filho maior, mostrem que ele continua tendo a atenção de vocês e que estão sempre prontos para ajudá-lo;
  • Se a criança maior reclamar de que só o bebê ganha presentes, explique, com jeitinho, que ele já possui tudo de que precisa para ficar confortável e que o outro ainda não;

Assim que se sentir segura do amor dos pais, valorizada e integrada no novo ambiente familiar, o ciúme diminuirá e a aceitação do irmãozinho será natural. Os pais têm que demonstrar interesse pelas atitudes dos filhos. O diálogo é a melhor maneira de fazer a criança manifestar e entender as suas emoções, sentindo-se amada e respeitada tanto pelos pais quanto pelo irmãozinho.

A chegada de mais um “inquilino” no coração da mamãe…

Nota

Ao chegar em casa carregando um saco de fraldas, você olha para o seu filho e já o acha grandinho para usá-las. Daí surge a pergunta: será a hora de acostumá-lo a usar o banheiro?

Segundo os especialistas, existe todo um treinamento com a criança para que ela, aos poucos, deixe a fralda de lado. E esse aprendizado deve ser realizado, geralmente, por volta dos dois anos de idade.

Esse é um momento que requer muito cuidado e paciência e pular etapas desse treino pode ser muito prejudicial à maturidade fisiológica e psicológica do bebê, podendo acarretar problemas orgânicos, como fazer cocô nas calças, e emocionais, como baixa autoestima.

Portanto não se precipite, certo?

Naturalmente, seu filho começará a dar sinais de que a fralda está deixando-o desconfortável e passará a avisá-lo quando fizer suas necessidades nela. Eis a primeira prova de que ele está encaminhando-se para abandonar a fralda de vez. A segunda prova é o momento quando ele pede para ir ao banheiro e consegue ficar sentado sozinho de 5 a 10 minutos.

Mas os pais devem conter a ansiedade. Dados comprovam que as crianças que são apressadas aprendem, mas entre os cinco e sete anos perdem o controle novamente.  Diferente do que se imagina, fralda não é sinal de problema ou coisa feia. “O verdadeiro erro é tentar acelerar o processo, essa é uma das causas do famoso xixi na cama”, alerta o pediatra.

Durante o aprendizado da “ida ao banheiro”, ou da “revolta das fraldas”, o tradicional penico pode ser um amigão. Mas, atenção nas escolhas. “Os pequenos em forma de xícara não propõem estabilidade, opte pelas mini-privadas que são mais confortáveis, afinal de contas a hora do xixi deve ser um momento agradável”, recomenda Dr Cid.

Para que a companhia do penico não seja em vão, alguns truques que estimulam a vontade de fazer xixi podem ser úteis e motivo de diversão como abrir a torneira ou molhar as mãozinhas dos pequenos. Entretanto, se mesmo assim, a criança não fizer, não precisa brigar, tente novamente depois de alguns minutos.

A melhor época para iniciar o desfralde é o verão, considerando que, caso haja um escape, o calor torna as calças molhadas menos incômodas. No geral, recomenda-se tirar primeiro as fraldas diurnas para depois, por volta dos três anos, dar início ao processo do desfralde noturno. À noite, lembre de fazer a criança ir dormir com a bexiga já vazia. A hora de fazer xixi ocorre, geralmente, por volta de quatro horas depois da ingestão de algum líquido. Uma ideia é os pais se levantarem nesse período para levar o pequeno ao banheiro.

No geral, o processo de desfralde dura de dois a três meses. Os escapes são naturais, mas tendem a ir diminuindo conforme o amadurecimento. Demorar muito mais tempo do que isso pode significar o desinteresse da criança ou outro distúrbio emocional. Aí o acompanhamento do pediatra é essencial…Apresentando esses sinais, é hora de pôr em prática a retirada da fralda. Confira nossas dicas:

· Compre um penico e estimule a criança a explorá-lo;

· Quando a criança já estiver familiarizada com o objeto, coloque-o no banheiro e comece a deixá-la de calcinha ou cueca sentada nele;

· Nunca retarde a ida ao banheiro quando a criança pedir;

· Quando a criança já consegue dizer quando tem vontade de ir ao banheiro, a fralda diurna já pode ser retirada. Não se apresse, porém, em tirar a fralda noturna ainda;

· Ofereça o banheiro várias vezes ao dia;

· Experimente tirar a fralda noturna quando a criança começa a acordar seca e, antes de dormir, pergunte a ela: “Vamos tentar acordar com a fralda seca?”;

· Passando a fase do penico, mostre à criança como sentar-se no vaso, puxar a descarga e lavar as mãos;

· Ensine-a a chamar alguém sempre que precisar ir ao toalete;

· Deixe a porta do banheiro aberta para que a criança imite os mais velhos;

· Deixe revistas e gibis ao lado do penico ou vaso sanitário;

· Não puna ou castigue a criança caso ela faça xixi na cama. Lembre-se de que ela está em um processo de adaptação e que, entre os dois e os cinco anos de idade, ela não tem total controle esfincteriano e podem ocorrer acidentes;

· Evite oferecer muito líquido à noite e leve a criança ao banheiro antes de dormir.

A maioria das crianças abandona as fraldas até os quatro anos de idade. Mas isso pode variar de acordo com o histórico familiar, o tempo de dedicação dos pais nessa fase e o desenvolvimento fisiológico e emocional da criança.
Caso a criança com mais de cinco anos continue fazendo xixi na cama, procure a avaliação de um especialista, como o urologista ou nefrologista.

E não se esqueça de que, nesse momento, paciência e cumplicidade são essenciais para que o seu filho abandone a fralda de forma tranquila e sem traumas.

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O desfralde…