Crianças órfãs de pais vivos: os males da tecnologia

Padrão

O QUE FAZER QUANDO OS FILHOS SENTEM-SE TROCADOS PELOS SMARTPHONES? OS NÚMEROS ENTRE AS CRIANÇAS BRASILEIRAS SÃO ASSUSTADORES!

órfãs-1024x709

De acordo com um estudo global realizado neste ano realizado pela AVG Technologies, 54% das crianças ao redor do mundo sentem que os pais passam mais tempo usando dispositivos móveis do que com eles. No Brasil, os índices foram ainda mais altos: 87% das crianças revelaram se sentir ignoradas pelos pais, que passam tempo demais usando seus smartphones.

O maior problema revelado durante o estudo é que, enquanto conversam com os filhos, os pais se distraem com o aparelho celular e acabam não ouvindo o que a crianças têm a dizer. Quando questionados, 52% dos pais admitiram que o uso da tecnologia é muito frequente, o que causa preocupação sobre o reflexo disso nas novas gerações.

“Percebemos a importância dos pais prestarem mais atenção no exemplo que estão dando aos seus filhos. Desde cedo é fundamental criar bons hábitos no uso da tecnologia, jamais substituindo o diálogo e as atividades off-line pelas on-line”, destaca Tony Anscombe, evangelizador de Tecnologia e executivo da AVG Technologies.

A tecnologia já se tornou inerente à vida de todos. Estar conectado é um requisito essencial para a socialização e também para o trabalho, mas a nova realidade dentro dos lares exige que prestemos mais atenção a esses novos hábitos, para que os nossos filhos não se sintam excluídos ou deixados de lado. As crianças precisam de carinho, afeto, estímulos e atenção, que não podemos oferecer quando conectados o tempo todo. Reserve um tempo para mexer no seu celular enquanto estiver em casa e não o ultrapasse, sendo, de preferência, depois que as crianças estiverem dormindo.

A Digital Diaries da AVG é baseada em uma pesquisa on-line que entrevistou pais e seus filhos com idades entre 8 e 13. Um total de 6.117 pessoas participaram da pesquisa, realizada em junho de 2015, com o trabalho de campo conduzido pelo Instituto Research Now na Austrália, Brasil, Canadá, República Tcheca, França, Alemanha, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos. No Brasil foram 316 respondentes.

FONTE : REVSITA PAIS & FILHOS

Anúncios

Este casal decidiu parar de comprar coisas durante um ano e seus filhos nem notaram

Padrão

WCT_16 de janeiro de 2011_0026

Scott e Gabby, um casal do Tenessee, nos EUA, decidiram não comprar roupas, eletrônicos ou brinquedos por um ano, pois sentiam que tinham perdido o contato com o que realmente se importavam na vida.

Eles mantiveram o desafio em segredo dos seus filhos Audrey, de 5 anos, e Jake, de 7, e nenhum dois dois notou nenhuma mudança. Só o que mudou foi um aumento no tempo de qualidade que passaram juntos, o que eles adoraram.

A família sentia que seus empregos corporativos e suas vidas agitadas os levaram a focar demais no que eles compravam e possuíam, ao invés das experiências que eles compartilhavam em família.

“Nós notamos que tínhamos ficado presos num imenso círculo vicioso de ‘quanto mais, melhor’”, disse Scott.

Gabby complementou: “nós ficamos tão viciados em comprar coisas que tivemos que fazer uma pausa e nos perguntar ‘o que isso está trazendo de bom para minha vida?’, e aí começamos dar mais importância às experiências”.

Então, em janeiro de 2013, o casal decidiu que eles só poderiam comprar coisas essenciais, como comida e combustível, mas excluindo roupas.

Eles também concordaram que iriam consertar todas as coisas que quebrassem, a menos que fosse mais barato substitui-las.

E por último, colocaram a regra de que todos os presentes teriam que ser ou na forma de uma doação ou de uma experiência em família.

Esses presentes vieram na forma de uma noite em um hotel no aniversário de Audrey, paga com pontos de um programa de fidelidade, e ingressos para um jogo de hóquei no aniversário de Jake, que foram doados por amigos da igreja.

O desafio também significou que a família teve que se virar com o que já tinha, ao invés de comprar coisas novas.

Como presente de aniversário para um amigo de Jake, Scott fez em casa um “kit de experiência científica”, juntando uma garrafa de Coca Diet e um pacote de Mentos.

E não foram só as crianças que tiveram que se adaptar. Um certo dia, a maleta de couro de Scott quebrou logo antes de uma viagem importante de negócios. Em vez de comprar uma nova, ele achou uma mala de rodinhas roxa no sótão e a levou no lugar.

A família também passou mais tempo fazendo trabalho voluntário para caridade, e dizem que isso os aproximou, pois passaram a compartilhar mais experiências juntos.

Ele admite que o ano foi “desafiador”, mas diz que a família não se arrepende. E ao perguntar a seus filhos se notaram alguma coisa de diferente no ano de 2013, tudo que responderam foi que passaram mais tempo vendo amigos e parentes.

“Não é que as coisas que compramos sejam ruins, o que faz delas ruins é o valor que colocamos nelas”, disse o pai das crianças.

“Depois que o ano acabou, nós começamos a encarar as compras de um jeito diferente. Só vale a pena comprar coisas que realmente vão tornar a vida mais fácil e menos estressante. O resto são simplesmente objetos, distrações, coisas inúteis. Quando você remove esse ruído da sua vida, o seu propósito se torna muito mais claro. Nessa experiência nós tivemos que pensar o ‘porquê’ de comprar cada coisa. Isso definitivamente nos fez ser mais focados.”

CRIANÇA QUE “TRABALHA” NÃO DÁ TRABALHO!

Padrão

crianca-ajudando-na-tarefa-de-casa-10697

Um gênio! Só assim pode ser definida em uma palavra Maria Montessori, psiquiatra, pedagoga, filósofa, pesquisadora, educadora e voluntária italiana, nascida em 1870 cujo método por ela criado transformou a pedagogia no mundo inteiro.

Se na escolinha do teu filho existem mesinhas, cadeirinhas e pias baixinhas, Maria Montessori esteve ali. Esteve e está presente em mais de 20.000 escolas de todos os continentes que seguem o seu método de ensino. Já as mesinhas, ou seja, a adaptação do mundo adulto à criança fora uma ideia por ela criada e seguida praticamente por TODAS as escolas.

Tudo começou com uma sua constatação básica da vida: a criança é um ser completo, totalmente capaz e criativo. Apenas precisam de liberdade para desenvolver as atividades que matem a sua sede por conhecimento, atividades estas que lhes desenvolvem aconcentração e consequentemente a disciplina.Um indivíduo disciplinado é capaz de se guiar sozinho quando tiver que enfrentar e seguir as regras da vida.

Mas para que tudo isso ocorra, é necessário dar às crianças a liberdade de escolha para que cada uma delas possa explorar o que quiser, e assim, desenvolver o interesse que a levará à concentração.

A palavra trabalho foi colocada entre aspas no título pois, a um leitor apressado pode lhe vir a ideia de que se trate de trabalho infantil. Não se trata disso. A palavra trabalhar poderia ser trocada por brincar, mas o método montessoriano usa mesmo trabalhar pois para Maria Montessori a criança se torna pessoa através do trabalho.

A educadora foi a primeira mulher a se formar médica na Universidade Sapienza em Roma e começou a trabalhar com crianças com problemas mentais. Aquelas que todos viam como “coitadas”, “incapacitadas ou menos capazes” Maria, diferentemente, via como capazes e passou a tratar estas crianças como tais, ajudando-as em seus desenvolvimentos. “Ajuda-me a fazer sozinho” poderia ser a frase que resume todo o seu ponto de vista sobre a necessidade infantil em explorar o mundo.

Poderíamos falar horas sobre este gênio que desenvolveu um método ainda hoje tão inovador, que depois de mais de 100 anos passados, será adaptado às novas tecnologias em aplicações para celular e tablets como materiais didáticosinterativos (uma das fortes características montessoriana).

Mas não precisaria necessariamente ter acesso aos materiais didáticos paraaplicar o método montessoriano na educação do teu filho. Bastaria não vê-lo como incapaz ou muito pequeno para desenvolver determinadas atividades que os pais geralmente acham, por exemplo, perigosas. As crianças são curiosas por natureza e deixá-las explorar o mundo como elas quiserem (dentro obviamente de um limite imposto) é colocar em prática o pensamento montessoriano.

Como fazer isso?

Simples, deixe a criança te ajudar em casa nas tarefas diárias. Quanto a idade e as tarefas sugeridas abaixo, inclusive, temos que falar de outra característica do método montessoriano: individualizar a criança, ou seja, cada um é cada um, um gosta muito de matemática, outro menos. Com dois anos a criança pode fazer asatividades aqui sugeridas ou não, cada um é cada um. Veja algumas sugestões e observe teu filho.

Com um ano e meio, dois anos, a criança já pode te ajudar a descascar a mexerica, a banana, o amendoim, o pistache…Você pode supervisionar mas não fique me cima, deixe a criança fazer no tempo dela e deixe que ela descubra sozinha como fazer melhor.

A partir dos dois anos ela pode te ajudar a espremer laranja e a colocar o suco do espremedor no copo, a cortar a maçã, obviamente com uma faca não afiada, assim como a cenoura e outras verduras cozidas. Inclusive, esta tarefa pode fazer com que se interessem mais em comer o alimento que cortaram, facilitando a tarefa de mãe em dar alimento saudável ao filho.

Nessa mesma idade, ou até antes, deixe-as te ajudarem a preparar a comida, por exemplo, a passar o bolinho no ovo batido e na farinha de rosca antes de fritar ou assar; a usar o funil (elas amam um funil); a preparar o pão (tem coisa mais fofa que mãozinhas na massa?); a arrumar a mesa; a tirar o pó dos móveis; a limpar o chão; limpar um vidro; ajudarem na jardinagem; a lavar louça (em escolas montessorianas, existem até mesmo pias baixinhas para as crianças usarem. Em casa, que tal deixá-las lavar, por exemplo o babador, em uma bacia?).

“O maior sucesso de uma professora é dizer: as crianças estão trabalhando como se eu não existisse.”

Uma prova de estar seguindo corretamente o nosso agir educativo é a felicidade da criança.”

E viva Maria!

Fonte fotos: facebook.com

Fonte foto capa: wikipedia.org

Saiba como sua gravidez influencia na personalidade do bebê

Padrão

Muitos aspectos emocionais do seu filho são definidos ainda no útero. Emoções fortes e estresse prolongado são alguns dos fatores que agem na formação cerebral do bebê

Revista pais & Filhos

shutterstock_118940191-1024x1024

REGINA FIORE RIBEIRO ,FILHA DE ERMELINDA E REGINALDO

Todas as mães já sabem que a alimentação, o consumo de bebidas alcoólicas e o tabaco influenciam  na formação física do bebê. O que muita gente não sabe é que a gravidez também influencia e muito na personalidade e nas emoções da criança. “Tudo que a mãe faz, o bebê absorve em forma de memória inconsciente e isso pode gerar problemas físicos e emocionais pós-nascimento”, diz Domingos Mantelli, pai de Giulia e ginecologista e obstetra com formação em neurolinguística.

Quando a mãe passa por um estresse prolongado durante a gravidez, como a morte de alguém querido, ela libera uma série de hormônios como adrenalina, cortisol e noradrenalina, o que mexe com a arquitetura cerebral do bebê ainda em formação. Estudos já comprovam que quando a mãe passa por essas situações a criança terá quatro vezes mais chances de ser depressiva.

O inverso também é verdadeiro: se a gravidez foi tranquila, o bebê vai nascer com a personalidade mais estável e menos riscos de traumas inconscientes. “O inconsciente da criança é muito aflorado e capta tudo o que está acontecendo no ambiente, seja dentro ou fora do útero”, diz Domingos Mantelli.

O especialista ainda afirmou que um dos experimentos feitos nesse campo mostrou que um marido alcoólatra que batia na mulher grávida é rejeitado pela criança depois do nascimento. “Só de ouvir a voz do pai, o bebê entrava em desespero e começava a gritar, porque associava aquela voz a um momento traumático”, explica. Alguns estudos ainda vão mais longe: se a criança se sente rejeitada durante a gravidez, tem duas vezes mais risco de apresentar sinais de autismo ou esquizofrenia.

Pais iguais, irmãos tão diferentes

Uma gravidez nunca é igual a outra. Se uma mulher ficar grávida dez vezes, em cada uma dessas gestações ela passará por momentos diferentes, alegrias diferentes e preocupações diferentes também. O desenvolvimento intrauterino pode ser uma das explicações para que irmãos que nascem do mesmo pai e da mesma mãe tenham comportamentos completamente diferentes mesmo na infância: alguns são mais quietinhos, outros mais extrovertidos. Uns são mais falantes, outros mais bravos.

“Tudo o que a mãe faz e sente vai ser absorvido como memória inconsciente. Isso pode diferir um filho do outro, dependendo do emocional da mãe em cada gravidez”, explica o ginecologista e obstetra. E as crianças podem carregar isso para o resto da vida, mas dá para fazer um acompanhamento com psicólogos e pedagogos depois do nascimento do bebê para amenizar certos traumas da gravidez.

Por isso, é muito importante que o ginecologista não se preocupe apenas com a saúde física da mãe e do bebê, mas também com a saúde emocional.  “Uma das técnicas que nós utilizamos é o relaxamento juntamente com uma musicoterapia. Toda vez que o bebê escutar aquela determinada música, vai lembrar que aquele é um momento de relaxamento e de carinho da mãe e do pai”, diz Domingos Mantelli.

ÀS VEZES NÃO QUERER TER FILHOS É UM ATO DE ALTRUÍSMO!

Padrão

Criar bem um filho não se resume a pagar a mensalidade de uma boa escola e encher a criança de presentes caros. Criar bem um filho não se resume a decorar um quarto lindo para ele e levá-lo para a Disney nas férias de julho.

500f2eb2e21e6b610afbe0611011da0e

Quando comecei a escrever no Obvious, me deparei com um texto que muito me agradou. Um texto que questionava se as mulheres queriam realmente criar um filho ou ter um bebê. O texto fez um tremendo sucesso, sendo aplaudido por muitos e rendeu também alguns comentários grosseiros como todo texto importante gera.

A agressividade decorre, em minha opinião, do vislumbre de fantasmas internos que preferimos ocultar de nós mesmos. Quando alguém diz algo com que concordamos, mas não queremos concordar, normalmente reações agressivas explodem. Na verdade estamos brigando com a gente mesmo e o outro é apenas um canal para a nossa raiva contida.

As pessoas costumam rotular de egoístas as mulheres que não querem ter filhos. Mas talvez realmente egoísta seja a mulher que não quer ter um filho, mas mesmo assim o tem.

Infelizmente nem todas as mulheres nascem com a vocação para serem mães. Quando entrei em contato com este tema pela primeira vez fiquei um pouco chocada pois na minha cabeça ter filhos era fundamental para todas as mulheres. Me pareceu estranho uma mulher não ter nascido para ser mãe. Mas acontece e ninguém deveria se sentir obrigado a ter filhos por nenhuma razão que fosse o verdadeiro desejo de ser mãe e a real intenção de se comprometer com a educação do filho.

Sei que colocarei o dedo na ferida, mas infelizmente vemos muitas mulheres sem instinto maternal e despendimento lutando para serem mães. Mulheres que trabalham 14 horas por dia e que se colocam em primeiro, segundo e terceiro lugar querendo ser mães. Por quê? Para cumprir um preceito social? Para dizer que conquistou tudo que é importante para uma vida próspera?

Filhos não são bonecas com quem brincamos quando queremos. Filhos são seres humanos extremamente dependentes e exigentes que vão desejar o melhor dos nossos sentimentos, o melhor do nosso tempo e energia.

Criar bem um filho não se resume a pagar a mensalidade de uma boa escola e encher a criança de presentes caros. Criar bem um filho não se resume a decorar um quarto lindo para ele e levá-lo para a Disney nas férias de julho.

Filhos precisam da companhia das mães. Filhos querem ouvir histórias antes de dormir. Filhos querem ser abraçados e beijados. Filhos querem contar o que aconteceu na escola e pedem ajuda para fazer os deveres. Filhos não querem ser filhos apenas nas férias, feriados prolongados e meia hora por dia, entre a chegada do trabalho e os cuidados com a beleza.

Não digo que uma mulher não possa conciliar uma carreira com maternidade. Claro que pode. Pode e deve. Mas mulheres muito voltadas para as sua carreiras, viciadas em trabalho, que vivem viajando a negócios e fazendo horas extra deveriam pensar calmamente se nasceram mesmo para serem mães.

Quem deseja uma vida livre de horários, quem deseja fazer amor no meio da sala e tirar férias em qualquer época do ano, quem não se comove com o universo infantil e não se vê assistindo a teatrinho de escola, deveria ser sincero consigo mesmo e dizer “Não nasci para ser mãe”. A mulher não pode sentir que está desperdiçando a sua vida ao cuidar do filho. Se ela assim o sente, além de sofrer muito, fará a criança sofrer também. Crianças criadas com pouco afeto e paciência tendem a não conhecer limites e têm mais dificuldade para estabelecer vínculos afetivos fortes.

É muito triste ver tantas crianças vivendo de migalhas afetivas, aproveitando as sobras de tempo que a mãe oferece. Se o tempo é escasso mas carinhoso, ainda vai. E quando a mãe chega sempre tensa e nervosa , louca para se esfoliar e se hidratar e a criança aparece cheia de demandas? Ser mãe não é carreira nem emprego. É vocação e missão.

FONTE DO BLOG: OBVIOUS

Infantolatria: as consequências de deixar a criança ser o centro da família

Padrão

Por Raquel Paulino – especial para o iG São Paulo

coroa2-7.5

Além das complicações na vida dos filhos, como dificuldade de socialização e insegurança, deixar a criança comandar a dinâmica familiar pode prejudicar – e muito – o casal

As atividades da família são definidas em função dos filhos, assim como o cardápio de qualquer refeição. As músicas ouvidas no carro e os programas assistidos na televisão precisam acompanhar o gosto dos pequenos, nunca dos adultos. Em resumo, são as crianças que comandam o que acontece e o que deixa de acontecer em casa. Quando isso acontece e elas já têm mais de dois anos de idade, é hora de acender uma luz de alerta. Eis aí um caso de infantolatria.

“O processo de mudança nos conceitos de família iniciado no século 18 por Jean-Jacques Rousseau [filósofo suíço, um dos principais nomes do Iluminismo] chegou ao século 20 com a ‘religião da maternidade’, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. Instituiu-se o que é uma boa mãe sob a crença de que ela é responsável e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e fará. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século 21 como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria”, explica a psicanalista Marcia Neder, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da Universidade de São Paulo (Nuppe-USP) e autora do livro “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”, da editora Zagodoni.

Em poucas palavras, Marcia define infantolatria como “a instituição da mãe como súdita do filho e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança”. E exime os pequenos de qualquer responsabilidade sobre o quadro: “Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiar. Se isso acontece, é porque os pais promovem”.

Reinado curto

A verdade é que existe um período em que os filhos podem reinar na família, mas ele é curto. “Quando o bebê nasce e chega em casa, precisa ser colocado no centro das ações, pois precisa ser decifrado, entendido. Ele deve perder o trono no final do primeiro, no máximo ao longo do segundo ano de vida, para entender que existe o outro, com necessidades e vontades diferentes das dele”, esclarece Vera Blondina Zimmermann, psicóloga do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A infantolatria ganha espaço quando os pais não sabem ou não conseguem fazer essa adequação da criança à realidade que a cerca e a mantêm no centro das atenções por tempo indefinido. “Em uma família com relacionamento saudável, o filho entra e tem que ser adaptado à dinâmica da casa, à rotina dos adultos”, afirma a psicóloga.

Segurança ou insegurança?

Na casa da analista contábil Paula Torres, é ao redor de Luigi, de cinco anos, que tudo acontece. Entre os privilégios do garoto estão definir o canal em que a TV fica ligada e o dia do fim de semana em que será servida pizza no jantar. “Acho importante a criança se sentir amada e saber que suas vontades são relevantes para a família”, opina.

Ela conta que seu marido, o também analista contábil Luiz André Torres, não gosta muito disso e constantemente reclama que o filho é mimado demais. “Mas bato o pé e defendo essa proteção. Quando o Luigi crescer, será mais seguro para lidar com os adultos, já que suas opiniões são levadas em consideração pelos adultos com quem ele convive desde já”, acredita.

Não é o que as especialistas dizem. “Se o filho fica no nível dos pais, acaba criando para si uma falsa sensação de poder e autonomia que, em um momento mais adiante, se traduzirá em uma profunda insegurança. Ele sentirá a falta de uma referência forte de segurança de um adulto em sua formação”, explica Vera.

Marcia diz ainda que, ao chegar à idade adulta, esse filho cobrará os pais. “Ele olhará ao redor e verá outras pessoas se realizando independentemente dele. A criança que acha que o mundo tem que parar para ela passar não consegue imaginar isso acontecendo e não está preparada para lidar com a mínima das frustrações. Em algum ponto, acusará os pais de terem sido omissos”.

Para Vera, supervalorizar os pequenos e nivelá-los aos adultos “é o resultado de uma projeção narcísica dos pais nos filhos, que se veem nas qualidades que enxergam em suas crianças”. Marcia concorda: “Isso tudo tem a ver com a vaidade da mãe, que considera aquele filho uma parte melhorada dela própria e, por isso, a criatura mais importante do mundo”.

Os alertas do dia a dia

Muitas vezes, os pais não se dão conta de que estão tratando os filhos como reis ou rainhas, então precisam levar uns chacoalhões da realidade fora de suas casas. “Eles geralmente caem em si quando começa a sociabilização. A escola reclama porque o aluno não respeita as regras, a criança tem dificuldade para fazer amiguinhos porque as outras, com autoestima positiva, não querem ficar perto de alguém que ache que manda em todos”, aponta Vera.

“Em um futuro bem imediato, as reações dos colegas podem fazer a criança perceber que precisa mudar. Ela se comportará com eles como faz com a família e receberá a não-aceitação como resposta. Terá de lidar com isso para ter amigos”, afirma Marcia.

Mesmo assim, ela ainda correrá o risco de não conseguir rever seus comportamentos devido a uma superproteção parental, adverte Vera: “Em alguns casos dá para ela se salvar, mas muitos pais preferem culpar o ‘mundo injusto com seu filho perfeito’, o que impede que ela entenda as necessidades dos outros e reforça seus problemas de inadequação para a adaptação social”.

E como fica o casal?

Além de todas as complicações causadas pela infantolatria na vida dos filhos, ela prejudica – e muito – o casal que a promove. “Na relação saudável, o casal continua sendo o mais importante na família mesmo com a chegada da criança. Se os pais mantêm o filho no centro por mais tempo do que o necessário, acabarão se afastando”, alerta Vera.

“Some o casal. O ‘marido’ e a ‘mulher’ passam a ser o ‘pai’ e a ‘mãe’. E se em uma casa a mãe é a santa e o filho é o deus, onde fica o espaço do pai?”, questiona Marcia. “Muitos tentam entrar, reconquistar seu espaço, mas outros simplesmente caem fora”, constata.

O futuro da infantolatria

Sabendo disso tudo, os pais têm condições de se preparar para evitar os estragos na criação dos filhos. Marcia conta que percebe que as pessoas têm encontrado em sua análise uma saída para a tirania infantil.

“Não sou adivinha, mas creio que o novo arranjo familiar, em que os pais também assumem funções na criação dos filhos e as mães seguem carreiras por prazer, vá ajudar a mudar o panorama, assim como os arranjos homoparentais que começam a ser mais comuns”, diz, para complementar: “Creio que todos os comportamentos continuarão existindo, mas temos a obrigação de trabalhar para reverter esse quadro. O filho não é o centro porque quer, mas porque o adulto permite”.

Vera enxerga o futuro da situação de forma um pouco diferente. “Nossa sociedade é muito apressada e, no geral, não dá espaço para a preocupação com o outro. Isso tende a potencializar esse tipo de problema, a naturalizar para a criança o fato de que ela é o que mais importa, como aprendeu em casa com o comportamento dos pais em relação a ela”, finaliza.

Médico enumera sete pecados capitais cometidos contra a infância.

Padrão

“O verdadeiro caráter de uma sociedade é revelado pela forma com que ela trata suas crianças.” A frase, de Nelson Mandela, foi escolhida pelo médico pediatra Daniel Becker para introduzir uma lista onde ele aponta os sete pecados capitais cometidos contra a infância.

Daniel falou sobre o assunto no evento TEDx Laçador, realizado em Porto Alegre, em junho. Segundo o palestrante, as crianças brasileiras vêm sendo muito maltratadas pela sociedade. “Além de o país não oferecer boas condições de saúde, moradia, educação e segurança, os pais e cuidadores das crianças têm cometido pecados ao longo de sua criação”, afirma.

Por Bruna Ramos – Portal EBC Fonte:TEDx Talks

579013_882767551734284_5720118663732775649_n

O médico enumera:

1 – Privação do nascimento natural e do aleitamento materno

“A cultura da cesárea faz com que as mulheres acreditem que o parto normal deve ser a cesárea. Que o parto normal é nocivo, doloroso, perigoso. Isso gera diversos malefícios para as crianças.” “Da mesma forma acontece com o leite materno. A mulher quer amamentar sua filha, mas (muitas vezes) em dois meses esta criança está desmamada. Isso vem, em grande parte, por causa da indústria, que faz propaganda pelo nome que dá às suas fórmulas: “premium”, “supreme”, e a propaganda que ela faz com o médico.”

2 – Terceirização da infância

Por causa da falta de tempo dos pais, que têm que trabalhar para sustentar a família, as crianças estão sendo deixadas em creches ou com babás. “Perdemos o que é mais precioso na infância: o convívio com os filhos. Convívio é aquilo que nos dá a intimidade, a capacidade de estar junto, o amor, a sensação de estar cuidando de alguém, a sensação de conhecer profundamente alguém”.

3  – Intoxicação da infância

Também pela falta de tempo, é mais acessível trocar a comida tradicional brasileira por uma alimentação rica em gordura, sal e açúcar, que vem da comida congelada e industrializada. “Obesidade e diabetes estão explodindo na infância”.

4 – Confinamento e distração permanente

As crianças passam até oito horas por dia conectadas em aparelhos eletrônicos. Esse confinamento impede que elas tenham um momento de consciência, de vazio, de tédio. “O tédio é fundamental na infância. Porque o tédio e o vazio são berço daquilo que é mais importante para nós, a criatividade e imaginação. Nós estamos amputando isso dos nossos filhos.”

5 – Mercantilização da Infância e Consumismo Infantil

Assistindo muita televisão durante o dia, as crianças são massacradas pela publicidade, por valores de consumismo. “E essa publicidade é covarde, explora a incapacidade da criança de distinguir fantasia de realidade, explora o amor dela por personagens e instiga nela valores como consumismo obscessivo, hipervalorização da aparência, a futilidade e coisas piores”.

6 – Adultização e erotização precoce

“Existe uma erotização que usa a criança de 7, 8 anos para vender produtos de moda, uma erotização baseada no machismo, na objetificação das meninas e das mulheres, na valorização excessiva da aparência.”

7 – Entronização e superproteção da infância

Para compensar a ausência, muitos pais tornam-se permissivos e acabam perdendo a autoridade sobre seus filhos. Mas a criança precisa de gente que conduza a vida dela. “A gente sabe que a importância dos limites do não são formas fundamentais de amor. A gente precisa dar para os nossos filhos, mas a gente tá perdendo a capacidade. Em vez disso, a gente se interpõe entre as experiências dos filhos e do mundo fazendo justamente que eles não tenham experiência da vida e portanto não desenvolvam mecanismos de lidar com a frustração, com a dor e com a dificuldade. E certamente o mundo vai entregar para eles mais tarde.”

Como forma de enfrentar estes pecados, Daniel propõe uma solução que passa por mudanças em apenas dois fatores: tempo e espaço. No caso do tempo, o médico sugere que os pais estejam presentes na vida do filho em pelo menos 10% do tempo em que estão acordados. Em uma conta geral, isso representa 1h40 por dia de dedicação aos filhos. Em relação ao espaço, a orientação é estar perto da natureza. “O convívio com o espaço aberto vai afastar a gente das telas, vai reduzir o consumismo e o materialismo excessivos, vai promover o livre brincar (que, por sua vez, vai gerar inteligência, humor e criatividade), vai gerar convívio entre as famílias, vai promover o contato com o ar, o sol e o verde e vai reduzir todos os problemas da infância.”