Arquivo mensal: outubro 2015

7 perguntas para o pediatra Daniel Becker: “Seu filho deve aprender que não é o centro do mundo”

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O pediatra Daniel Becker é o criador da Pediatria Integral: um conceito de que a criança precisa ser vista de forma mais abrangente. Não é apenas tratar e prevenir doenças, mas cuidar do bem estar emocional, social e até espiritual da criança e da família. São 20 anos de experiência de consultório no Rio de Janeiro. Formado pela UFRJ, ele é especialista em Homeopatia e mestre em Saúde Pública. Médico do Instituto de Pediatria da UFRJ, ele foi pediatra da Médicos sem Fronteira em campos de refugiados na Ásia e fundador de uma ONG, o CEDAPS, Centro de Promoção da Saúde, com atuação em comunidades carentes.

Becker é um apaixonado pela profissão e conta que ao olhar sua trajetória se diz satisfeito pelas escolhas que fez. Ele é separado, pai de dois filhos, um menino de 17 anos, roqueiro, e uma menina de 20 anos, psicóloga. “Eles são muito bacanas. Tenho muito orgulho deles”, diz o médico. Com tantos compromissos, entre palestras e consultas, ele abriu gentilmente um espaço na agenda para responder às minhas perguntas.

Por 

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1.Na sua palestra no Ted, você diz que um dos pecados contra a infância é a “entronização”. O que isso significa? Estamos colocando nossas crianças em um trono?

A gente vive em tempos de hipervalorização da infância tanto pela mídia quanto pretensamente pela família e pela sociedade. Mas na verdade e infância é desvalorizada naquilo que ela tem de real, na sua essência. Um dos fatores que explica esse paradoxo é a falta de intimidade e de convivência entre pais e filhos por causa das questões da vida moderna. E quando estão juntos, os pais não conhecem essas crianças, não sabem lidar com elas. Estão estressados com os seus trabalhos, estão viciados nos seus telefones e não querem também se submeter a desaprovação social de uma criança que chora ou se comporta mal. Acaba que essa criança não tem direito de se manifestar de forma negativa, que faz parte do comportamento infantil. Ela não pode fazer uma birra, dizer “não”, chorar, explorar seus limites de atuação no mundo. Como os pais não sabem lidar com essas situações, a criança acaba tendo todos os seus desejos realizados, não lhe colocam limites, não lhe dizem que ela tem que lidar com a frustração. A gente quer calar a qualquer custo o mal estar. Então para parar com o chilique, a gente acaba cedendo. Ao invés de aprender as regras de convivência, a criança passa a ser uma rainha que dita as normas, os programas, os horários.

2.E o pecado que você chama de “superproteção da infância”?

A superproteção é impedir que as crianças tenham suas próprias experiências. A gente está presente o tempo todo, aquilo que os americanos chamam de “helicopter parent”, pais que ficam flutuando em torno das crianças fazendo com que elas não tenham a experiência do mundo, justamente porque os pais se interpõem entre o mundo e a criança. Elas ficam impedidas de lidar com o risco, com a aventura, com as relações interpessoais, com os problemas da escola, com a dor, com os machucados. Se a criança tem um problema com uma outra criança, os pais se interpõem para resolver a questão, no playground não deixam ela se arriscar a subir mais alto no trepa-trepa. É claro que ninguém quer que o filho quebre um dedo ou receba um ponto, mas são experiências da infância. A criança tem que ter a experiência do risco, do machucadinho e da frustração. Outra coisa muito grave é que para evitar os perigos do mundo, as famílias ficam muito em casa, se expõem pouco à natureza, as praças e as praias. Os riscos desses lugares existem e temos que lidar com eles, pois fazem parte da vida.

3.Qual o prejuízo real para crianças que não sabem ouvir a palavra “não”? O que vai ser (ou já está sendo) dessa geração sem limites? 

Eu já vi criança dormindo às duas da manhã, já vi criança de dois anos que comanda o que tem na geladeira e no armário da despensa. Outras que determinam o programa da família nos fins de semana, se elas não querem sair, ninguém sai. Pais que deixam a criança de 3 anos ficar horas na televisão porque não sabem desligar o aparelho e deixar ela ficar frustrada. Criança que come o biscoito ao invés da comida, que ganha o presente depois de ter se jogado no chão do shopping. Isso tudo causa um prejuízo enorme, tanto na qualidade de vida dessa família, quanto na psiquê, na emocionalidade dessa criança. Ela precisa saber que a sua vida tem limites, que a sua influencia tem limites, que o mundo não gira em função do seu umbigo. Muitos meninos e meninas dessa geração vão levar isso para a vida adulta e não só terão dificuldades de convívio como vão quebrar a cara nos seus ambientes de trabalho e em relacionamentos interpessoais. Porque nem sempre a vida vai acolher esse tipo de onipotência que é resultado de uma educação cheia de falhas nesse sentido.

4.A culpa que os pais carregam é a grande vilã nessa história?

Eu tenho muito medo da gente restringir a questão à responsabilidade da família. A família é responsável sim, tem que saber lidar com a frustração, o choro, as emoções negativas da criança, tem que saber mostrar a ela que esses momentos passam, que estas situações vão deixar ensinamentos importantes. Os pais sentem culpa porque não estão presentes na vida dela e quando estão juntos querem dar coisas demais. A gente briga com essa história de dar presente, ao invés de dar presença. Muitas vezes o tal “deficit de atenção” é deficit de atenção de pai e mãe que a criança sofre. Mas a gente tem que justamente tomar muito cuidado para não piorar isso dizendo que os pais são os culpados porque o que leva a tudo isso é a vida moderna, é a perda de referências, é a falta de capacidade de aprender com as gerações anteriores, com a experiência dos outros, é a invasão do tempo de trabalho e do tempo de entretenimento no tempo em família, é o vício do smartphones. Tudo isso tem que ser pesado na compreensão desse fenômeno da entronização e da superproteção da infância, a gente não pode restringir a responsabilidade e nem as soluções apenas a nível familiar.

5.A justificativa sincera de muitos pais é de que eles fazem o melhor que podem, trabalham o dia todo, batalham para dar conforto aos filhos, chegam exaustos em casa. É até mesmo controverso: as pessoas querem ter filhos mas não conseguem ter tempo de conviver com eles. Como resolver este impasse? 

As pessoas querem ter filhos e imaginam que tudo vai ser um mar de rosas. Elas têm que ter consciência de que vão ter filhos neste mundo em que vivem: nas grandes cidades, muitas vezes com a falta de presença de familiares, com trabalhos que demandam excessivamente, com transporte que fazem elas chegarem tarde em casa, isso tudo tem que ser incorporado por um casal quando eles planejam filhos. Planejar ter filho é ver o futuro. Claro que a maioria das pessoas não faz isso, a gente quer ter filho, a gente quer reproduzir a nossa própria genética, isso faz parte de um mandato biológico. Mas hoje em dia a gente tem que pensar nas condições de vida que essa criança vai nascer e como nós vamos dedicar o nosso tempo a ela. Isso faz parte da responsabilidade de um casal. É preciso planejar a carreira, o local de trabalho para que a convivência familiar seja maximizada, para que a criança cresça com a presença dos pais, dos avós, tios, primos. Escolher um lugar para morar com natureza por perto. De novo a gente não pode reduzir a solução deste impasse a nível da família, a gente tem que tentar pensar na sociedade como um todo. A sociedade brasileira é insegura, desigual e cheia de problemas e isso influencia nas condições de vida das famílias.

6.O video americano “Childhood is not a mental disorder” já deu o que falar sobre o uso exagerado de remédios em crianças para controlar “doenças do comportamento”? Você concorda que é preciso ter muito cuidado com os diagnósticos?

Eu gosto muito desse vídeo e ele traz mesmo uma dimensão terrível do que a sociedade está fazendo com a infância. O mercado pressiona a família por soluções fáceis, todo mundo quer resolver os problemas imediatamente. A energia da criança está sendo reprimida. É claro que o comportamento dela vai ser muito afetado por todas as questões que eu já citei, podendo se rebelar, ter insônia, desatenção, brigar na escola, ser impulsiva. Em vez da gente repensar como oferecer a estas crianças uma infância melhor, mais saudável, mais verdadeira, o que o mercado propõe é que elas sejam medicalizadas. A indústria de diagnósticos e de remédios é monstruosa e crescente. No Brasil, a Ritalina é o principal remédio usado para criança. Em 10 anos a venda de Ritalina subiu de 75 mil caixas para 2 milhões de caixas. O Ministério da Saúde agora está estabelecendo uma regulação para a venda do remédio. A gente não pode negar que essas doenças existem, o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é uma doença grave, mas ela atinge um pequeno número de crianças. A grande maioria desses diagnósticos está sendo feita de forma arbitrária, sem critério suficiente, eu diria até perversa. É preciso mudar o comportamento da família ou ir para psicoterapia, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, que são benéficas para este tipo de problemas e poderiam ser tentadas antes e de forma mais eficaz. Porque o remédio vai ter efeitos colaterais, vai rotular esta criança, como o video expõe muito bem, vai colocar na cabecinha dela que ela é apenas um transtorno e não uma criança que tem potencialidades múltiplas e possibilidades infinitas para o seu futuro. Tem a historia de uma mãe que levou a filha ao pediatra porque achava que ela tinha problemas e o pediatra deixou a criança com uma música e saiu da sala por alguns minutos com a mãe. Eles ficaram observando a criança do lado de fora, enquanto ela dançava o tempo todo. E o pediatra disse: “Sua filha não tem um problema, sua filha é uma bailarina, leve-a para uma aula de ballet e vão ser felizes”. Gillian Barbara Pyrke, a menina da historia, se tornou uma famosa coreógrafa da Broadway. Quantos gênios, artistas, cientistas nós não estamos perdendo medicando e rotulando essas crianças?

7.Quais as suas dicas para criarmos “crianças como crianças”?

Acolher as crianças nas suas emoções. Especialmente as crianças pequenas têm uma racionalidade limitada e uma emocionalidade muito grande. Se ela está com raiva, você pode dizer pra ela “você está com muita raiva”. E mostrar de forma teatral o que está acontecendo com ela, fazê-la entender o sentimento que ela está tendo e dar permissão para ela sentir essas emoções, tanto negativas quanto positivas. Acolher também os desejos: “você quer esse brinquedo, eu sei que você quer muito ele, eu te entendo, mas a mamãe não pode comprar ele agora”. Isso quebra um pouco esse mecanismo da birra. Ter convivência com os nossos filhos, oferecer a eles oportunidades de conversa, de refeições em família, de sair na rua juntos, brincar nos parques, subir no trepa-trepa, ralar o joelho no chão, cair do skate (com capacete!), subir numa árvore, levar um zero, aprender com a frustração. Tudo isso é importante para formar uma criança mais feliz e um adulto mais íntegro, preparado para conviver com o outro. Pra saber respeitar o outro a primeira coisa que a criança tem que entender é que ela não é o centro do mundo. Ela é um membro da família e ter relações igualitárias com os outros membros da família vai fazê-la entender que ela vive numa sociedade. Esse é o nosso papel como pais.

Ensinem seus filhos…

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Ensinem suas filhas e filhos a pegar ônibus logo cedo, primeiro com vocês, depois sozinhos. Eles vão precisar disso um dia na adolescência ou na vida adulta e mesmo que você seja muito rico e pense que não precisarão, não há como ter certeza. Se nunca andaram, terão tendência a ficarem abobalhados, pouco espertos e mais propensos a sofrerem assaltos ou atropelamentos.

Ensinem seus filhos e filhas a andar a pé, porque só se aprende a atravessar ruas andando a pé. Bicicleta só para recreação, com você carregando o malinha e sua mala rampa acima, não vai dar boa coisa. Molequinhos e molequinhas precisam saber ir e voltar. Carregarem seus casaquinhos, bonequinhas e carrinhos faz parte da missão: mãe e pai não são cabides.

Ensinem suas filhas e filhos desde bebês a descascar bananas, maiorezinhos devem saber comer maçã sem ser picada, devem aprender a espremer um suco no muque, usar garfo e faca, colocar a roupa suja no cesto, lavar, secar e guardar louça. Assim não serão os malas na casa da tia no dia do pijama. No mínimo.

Ensinem seus filhos e filhas adolescentes a lavar o próprio par de tênis, lavar, pendurar, recolher e dobrar roupas, cozinhar algo básico, trocar lâmpadas e resistência do chuveiro. Ensine que isso pode não ser prazeroso como tomar um sorvete ou jogar no celular, mas é importante e necessário.

Ensinem suas filhas e filhos a plantar, colher e entenderem a diferença entre um pé de alface e um pé de couve. Você pode não acreditar, mas por falta de ensinamentos básicos muita criança se cria achando que leite é um produto que nasce em caixas. Isso não é engraçado, é um efeito colateral involutivo do nosso tempo.

Não tema o fogo, o fogão, a chaleira nas mãos dos coitadinhos. Se você não ensinar, eles vão fazer muita bobagem e vão se queimar. Educar é confiar nas capacidades e na inteligência deles. É mostrar perigos e ensinar a lidar com perigos.

Eduquem seus filhos para a vida, para capacidades. Prazer não precisa ser ensinado, é um benefício, um privilégio. Ter empregada doméstica em casa não deve ser visto e sentido como alguém que vem acoplado ao lar, quase uma “coisa” um “objeto humano” de limpar e organizar sem parar.

Essas não são dicas moralistas. Educar para a solidariedade é um ato até egoísta e nada poético. Ao ensinar coisas básicas de sobrevivência aos filhos, estamos promovendo confiança e capacidade, auto-estima, senso de dever e responsabilidade.

Evite produzir e multiplicar pessoas que um dia serão adultos entediados, mimados que acharão eternamente que vieram ao mundo a passeio, sem a menor noção do que é resiliência, inaptos para cuidar de si mesmos e de outros, caso se multipliquem preguiçosamente.

A vida pode ser bela, a vida pode não ser dura para herdeiros, mas ela cobrará sempre, de qualquer um de nós, firmeza e força de vontade. Isso não é nato, depende de adversidades e luta pela sobrevivência e nada tem a ver com capacidade de apertar um botão ou deslizar os dedões no Iphone.

Por Cláudia Rodrigues

Crianças órfãs de pais vivos: os males da tecnologia

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O QUE FAZER QUANDO OS FILHOS SENTEM-SE TROCADOS PELOS SMARTPHONES? OS NÚMEROS ENTRE AS CRIANÇAS BRASILEIRAS SÃO ASSUSTADORES!

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De acordo com um estudo global realizado neste ano realizado pela AVG Technologies, 54% das crianças ao redor do mundo sentem que os pais passam mais tempo usando dispositivos móveis do que com eles. No Brasil, os índices foram ainda mais altos: 87% das crianças revelaram se sentir ignoradas pelos pais, que passam tempo demais usando seus smartphones.

O maior problema revelado durante o estudo é que, enquanto conversam com os filhos, os pais se distraem com o aparelho celular e acabam não ouvindo o que a crianças têm a dizer. Quando questionados, 52% dos pais admitiram que o uso da tecnologia é muito frequente, o que causa preocupação sobre o reflexo disso nas novas gerações.

“Percebemos a importância dos pais prestarem mais atenção no exemplo que estão dando aos seus filhos. Desde cedo é fundamental criar bons hábitos no uso da tecnologia, jamais substituindo o diálogo e as atividades off-line pelas on-line”, destaca Tony Anscombe, evangelizador de Tecnologia e executivo da AVG Technologies.

A tecnologia já se tornou inerente à vida de todos. Estar conectado é um requisito essencial para a socialização e também para o trabalho, mas a nova realidade dentro dos lares exige que prestemos mais atenção a esses novos hábitos, para que os nossos filhos não se sintam excluídos ou deixados de lado. As crianças precisam de carinho, afeto, estímulos e atenção, que não podemos oferecer quando conectados o tempo todo. Reserve um tempo para mexer no seu celular enquanto estiver em casa e não o ultrapasse, sendo, de preferência, depois que as crianças estiverem dormindo.

A Digital Diaries da AVG é baseada em uma pesquisa on-line que entrevistou pais e seus filhos com idades entre 8 e 13. Um total de 6.117 pessoas participaram da pesquisa, realizada em junho de 2015, com o trabalho de campo conduzido pelo Instituto Research Now na Austrália, Brasil, Canadá, República Tcheca, França, Alemanha, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos. No Brasil foram 316 respondentes.

FONTE : REVSITA PAIS & FILHOS

Este casal decidiu parar de comprar coisas durante um ano e seus filhos nem notaram

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Scott e Gabby, um casal do Tenessee, nos EUA, decidiram não comprar roupas, eletrônicos ou brinquedos por um ano, pois sentiam que tinham perdido o contato com o que realmente se importavam na vida.

Eles mantiveram o desafio em segredo dos seus filhos Audrey, de 5 anos, e Jake, de 7, e nenhum dois dois notou nenhuma mudança. Só o que mudou foi um aumento no tempo de qualidade que passaram juntos, o que eles adoraram.

A família sentia que seus empregos corporativos e suas vidas agitadas os levaram a focar demais no que eles compravam e possuíam, ao invés das experiências que eles compartilhavam em família.

“Nós notamos que tínhamos ficado presos num imenso círculo vicioso de ‘quanto mais, melhor’”, disse Scott.

Gabby complementou: “nós ficamos tão viciados em comprar coisas que tivemos que fazer uma pausa e nos perguntar ‘o que isso está trazendo de bom para minha vida?’, e aí começamos dar mais importância às experiências”.

Então, em janeiro de 2013, o casal decidiu que eles só poderiam comprar coisas essenciais, como comida e combustível, mas excluindo roupas.

Eles também concordaram que iriam consertar todas as coisas que quebrassem, a menos que fosse mais barato substitui-las.

E por último, colocaram a regra de que todos os presentes teriam que ser ou na forma de uma doação ou de uma experiência em família.

Esses presentes vieram na forma de uma noite em um hotel no aniversário de Audrey, paga com pontos de um programa de fidelidade, e ingressos para um jogo de hóquei no aniversário de Jake, que foram doados por amigos da igreja.

O desafio também significou que a família teve que se virar com o que já tinha, ao invés de comprar coisas novas.

Como presente de aniversário para um amigo de Jake, Scott fez em casa um “kit de experiência científica”, juntando uma garrafa de Coca Diet e um pacote de Mentos.

E não foram só as crianças que tiveram que se adaptar. Um certo dia, a maleta de couro de Scott quebrou logo antes de uma viagem importante de negócios. Em vez de comprar uma nova, ele achou uma mala de rodinhas roxa no sótão e a levou no lugar.

A família também passou mais tempo fazendo trabalho voluntário para caridade, e dizem que isso os aproximou, pois passaram a compartilhar mais experiências juntos.

Ele admite que o ano foi “desafiador”, mas diz que a família não se arrepende. E ao perguntar a seus filhos se notaram alguma coisa de diferente no ano de 2013, tudo que responderam foi que passaram mais tempo vendo amigos e parentes.

“Não é que as coisas que compramos sejam ruins, o que faz delas ruins é o valor que colocamos nelas”, disse o pai das crianças.

“Depois que o ano acabou, nós começamos a encarar as compras de um jeito diferente. Só vale a pena comprar coisas que realmente vão tornar a vida mais fácil e menos estressante. O resto são simplesmente objetos, distrações, coisas inúteis. Quando você remove esse ruído da sua vida, o seu propósito se torna muito mais claro. Nessa experiência nós tivemos que pensar o ‘porquê’ de comprar cada coisa. Isso definitivamente nos fez ser mais focados.”

CRIANÇA QUE “TRABALHA” NÃO DÁ TRABALHO!

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Um gênio! Só assim pode ser definida em uma palavra Maria Montessori, psiquiatra, pedagoga, filósofa, pesquisadora, educadora e voluntária italiana, nascida em 1870 cujo método por ela criado transformou a pedagogia no mundo inteiro.

Se na escolinha do teu filho existem mesinhas, cadeirinhas e pias baixinhas, Maria Montessori esteve ali. Esteve e está presente em mais de 20.000 escolas de todos os continentes que seguem o seu método de ensino. Já as mesinhas, ou seja, a adaptação do mundo adulto à criança fora uma ideia por ela criada e seguida praticamente por TODAS as escolas.

Tudo começou com uma sua constatação básica da vida: a criança é um ser completo, totalmente capaz e criativo. Apenas precisam de liberdade para desenvolver as atividades que matem a sua sede por conhecimento, atividades estas que lhes desenvolvem aconcentração e consequentemente a disciplina.Um indivíduo disciplinado é capaz de se guiar sozinho quando tiver que enfrentar e seguir as regras da vida.

Mas para que tudo isso ocorra, é necessário dar às crianças a liberdade de escolha para que cada uma delas possa explorar o que quiser, e assim, desenvolver o interesse que a levará à concentração.

A palavra trabalho foi colocada entre aspas no título pois, a um leitor apressado pode lhe vir a ideia de que se trate de trabalho infantil. Não se trata disso. A palavra trabalhar poderia ser trocada por brincar, mas o método montessoriano usa mesmo trabalhar pois para Maria Montessori a criança se torna pessoa através do trabalho.

A educadora foi a primeira mulher a se formar médica na Universidade Sapienza em Roma e começou a trabalhar com crianças com problemas mentais. Aquelas que todos viam como “coitadas”, “incapacitadas ou menos capazes” Maria, diferentemente, via como capazes e passou a tratar estas crianças como tais, ajudando-as em seus desenvolvimentos. “Ajuda-me a fazer sozinho” poderia ser a frase que resume todo o seu ponto de vista sobre a necessidade infantil em explorar o mundo.

Poderíamos falar horas sobre este gênio que desenvolveu um método ainda hoje tão inovador, que depois de mais de 100 anos passados, será adaptado às novas tecnologias em aplicações para celular e tablets como materiais didáticosinterativos (uma das fortes características montessoriana).

Mas não precisaria necessariamente ter acesso aos materiais didáticos paraaplicar o método montessoriano na educação do teu filho. Bastaria não vê-lo como incapaz ou muito pequeno para desenvolver determinadas atividades que os pais geralmente acham, por exemplo, perigosas. As crianças são curiosas por natureza e deixá-las explorar o mundo como elas quiserem (dentro obviamente de um limite imposto) é colocar em prática o pensamento montessoriano.

Como fazer isso?

Simples, deixe a criança te ajudar em casa nas tarefas diárias. Quanto a idade e as tarefas sugeridas abaixo, inclusive, temos que falar de outra característica do método montessoriano: individualizar a criança, ou seja, cada um é cada um, um gosta muito de matemática, outro menos. Com dois anos a criança pode fazer asatividades aqui sugeridas ou não, cada um é cada um. Veja algumas sugestões e observe teu filho.

Com um ano e meio, dois anos, a criança já pode te ajudar a descascar a mexerica, a banana, o amendoim, o pistache…Você pode supervisionar mas não fique me cima, deixe a criança fazer no tempo dela e deixe que ela descubra sozinha como fazer melhor.

A partir dos dois anos ela pode te ajudar a espremer laranja e a colocar o suco do espremedor no copo, a cortar a maçã, obviamente com uma faca não afiada, assim como a cenoura e outras verduras cozidas. Inclusive, esta tarefa pode fazer com que se interessem mais em comer o alimento que cortaram, facilitando a tarefa de mãe em dar alimento saudável ao filho.

Nessa mesma idade, ou até antes, deixe-as te ajudarem a preparar a comida, por exemplo, a passar o bolinho no ovo batido e na farinha de rosca antes de fritar ou assar; a usar o funil (elas amam um funil); a preparar o pão (tem coisa mais fofa que mãozinhas na massa?); a arrumar a mesa; a tirar o pó dos móveis; a limpar o chão; limpar um vidro; ajudarem na jardinagem; a lavar louça (em escolas montessorianas, existem até mesmo pias baixinhas para as crianças usarem. Em casa, que tal deixá-las lavar, por exemplo o babador, em uma bacia?).

“O maior sucesso de uma professora é dizer: as crianças estão trabalhando como se eu não existisse.”

Uma prova de estar seguindo corretamente o nosso agir educativo é a felicidade da criança.”

E viva Maria!

Fonte fotos: facebook.com

Fonte foto capa: wikipedia.org