Arquivo mensal: junho 2015

A criança que brinca, torna-se um adulto que respeita

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Por: Geraldo Peçanha de Almeida | Em: 30/07/2014
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A  brincadeira tornou-se hoje o maior obstáculo para a educação de filhos saudáveis. Na era na informática onde computadores e eletrônicos concorrem a até roubam a infância, os pais muitas vezes não sabem como lidar com a questão.
E de fato tudo é muito complicado mesmo. Muitas vezes, nós pais achamos que se impedirmos nossos filhos de horas no computador estamos isolando-os de um mundo que é o deles. Por outro lado, se empreendemos uma luta por manter r e resgatar formas mais saudáveis de brincar parece que estaríamos obrigando nossos filhos a viver uma infância que já se perdeu.
Dessa forma, pergunta-se? É possível um caminho do meio? Sim. A resposta é exatamente esta. Não podemos nem permitir que nossos filhos entreguem à informática sua infância e nem podemos obrigá-los a viver tão somente em um passado saudosista. O caminho é encontrar o equilíbrio entre tantas formas de brincar.
O brincar faz com que a criança se perceba. Faz com que ela reconheça suas potencialidades e seus limites. É o brincar que internaliza na criança  a regra saudável de convivência, e é o brincar que vai ajudá-la a ser um adulto saudável.
Quem não brinca carrega uma amargura na alma. A criança precisa se permitir brincar. Ela organiza e reorganiza um mundo a partir do brinquedo e nós precisamos permitir que elas façam isto senão corremos o risco de torná-las adultos inflexíveis.
Não importa a forma, o brincar precisa de diversidade, de multiplicidade e de simplicidade. É possível uma criança brincar ate mesmo com seus próprios dedos.
Brinquedos lúdicos, tradicionais ou modernos podem conviver de forma harmoniosa em casa, na escola ou até mesmo em áreas de lazer comuns em prédios, bairros e shoppings.
É papel dos pais encontrar tempo para acompanhar o brincar das crianças, pois é por meio dele que desponta belo e lindo adulto  pra vida.
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Castigo para pensar nem pensar!

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Pense bem antes de mandar seu filho pensar sobre um erro que ele cometeu. Você acha mesmo que ele está preparado pra isso? Por Por Silvia Braccio, mãe de Pedro e Rafael

Castigo: pena ou punição que se inflige a pessoa ou animal.
Pensar: submeter ao processo de raciocínio lógico; ter atividade psíquica consciente e organizada; exercer a capacidade de julgamento, dedução ou concepção; refletir sobre, ponderar, pesar.

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Então, vamos pensar juntas. Você vê alguma relação possível entre o substantivo e o verbo descritos acima pelo dicionário? Enquanto o castigo representa um ato de repreensão, portanto, algo que não é bem-vindo (afinal, ninguém quer ficar de castigo), o pensar indica uma atitude enriquecedora, profunda, madura e reveladora. Não é assim? Mas aí vêm as supernannies (as superbabás que acham que detêm as chaves secretas da educação) com seus manuais e decretam “quando seu filho fizer algo errado, coloque-o no cantinho do castigo para pensar”. Ok, pensemos nós que somos adultas: Você acha mesmo que seu pequeno de 3 anos vai usar aqueles minutos de isolamento pensando no que fez, refletindo sobre as consequências dos seus atos e voltar dali uma criança melhor, mais bem-educada? Não, não vai. E quem faz esta afirmação são os especialistas no assunto. “Botar uma criança pequena para pensar no que fez só serve para dar uns minutos de descanso para a mãe, não tem função educativa, porque a criança só consegue pensar sobre o que fez e só compreende o sentido moral das regras e dos valores a partir dos 6, 7 anos”, explica nossa colunista, a psicóloga e pedagoga Elizabeth Monteiro, mãe de Gabriela, Samuel, Tarsila e Francisco. “Não gosto das supernannies, o que elas fazem é adestramento, e quem faz isso com uma criança não conhece seu desenvolvimento cognitivo, psíquico e intelectual.” Do ponto de vista emocional, deixar a criança sozinha não deveria ser um castigo, mas um privilégio. “Quando a gente coloca a criança para pensar mostra que não quer ficar com ela. E se ela não pensou quando bateu ou mordeu ou fez algo errado, por que vai pensar agora? Como dizia minha mãe, ela fica pensando na morte da bezerra e não no que você pediu. Terminado o período de prisão, ela fica livre para fazer tudo de novo. Não houve uma atitude educacional” pondera a doutora em psicologia escolar Luciene Tognetta, mãe do Gabriel.

O pensar, que é uma coisa tão boa, uma elaboração, um sinal de inteligência e crítica, acaba virando um castigo. Como a criança só passa a refletir realmente sobre seus atos a partir dos 6 anos, sabe o que ela faz quando vai parar no tal do cantinho? Cria mecanismos automáticos para se livrar da punição. “Já pensei, posso sair agora?”, diz sem acreditar no que está dizendo. O papel dos pais é fazer o filho entender os próprios sentimentos para que ele aprenda a nomear suas emoções. Dizer a ele frases do tipo:“Você está triste porque seu brinquedo quebrou, você está irritado porque quer dormir, você está bravo porque eu não deixei você fazer o que queria. Essa é a principal função da mãe até os 5 anos. É muito mais importante do que fazer a criança pensar sobre um erro. Você está com ela criando associações”, ensina Betty.

Criança é do contra

O castigo é importante, sim, e funciona desde que tenha uma correspondência direta com o erro. Ele deve ser educativo e não punitivo. “A partir dos 3 anos, a criança já fica mais solta e tem percepção do que agrada ou não os pais. Antes disso, o “não “ é muito importante, porque é o primeiro organizador psíquico. Até os 4, 5 anos de idade, a criança é naturalmente oposicionista, em outras palavras, é do contra. Acha que é o centro do universo e as pessoas estão ali para servi-la”, explica Betty. Quantas vezes por dia seu filho diz “mãe, tô com fome”, “mãe, pega isso pra mim”, “mãe, vem aqui”?

Segundo a psicóloga, essa é uma característica egocêntrica, o que é bem diferente de ser egoísta. E aí os pais se confundem, rotulando o filho de egoísta por não querer dividir o brinquedo com um amigo, por exemplo. “Nunca se deve rotular a criança, porque o rótulo é pra sempre”, diz Betty.

O uso do “não”, no entanto, deveria ser menos banalizado. Há mães que dizem tantos, mas tantos, diariamente, que a criança nem dá mais importância. Diante de uma birra, uma boa alternativa é desviar o foco dela para outra atividade. “Mães que falam “não” demais acabam perdendo a autoridade. Ele precisa ser deixado para situações importantes, que não faltarão ao longo da infância e da vida adulta. Se o filho está mexendo na sua porcelana – que pra ele nada mais é do que um brinquedo –, tire o objeto de suas mãos, diga que é algo de que você gosta muito, que não quer que quebre e ponha em um lugar inacessível. Assim, você irá economizar muitos nãos inúteis.

Sujou? Limpa!

A criança sujou a parede? Então, faça-a limpá- la – do seu jeito, claro, sem exigir um trabalho impecável, pois o que vale aqui é a intenção mesmo. Deu um tapa em você? Segure as mãozinhas dela, olhe bem nos seus olhos e diga “eu não quero que você faça isso, a mamãe não faz isso (desde que você não faça mesmo). Estou muito brava”. E fique séria, seja firme. Essa é a tal correspondência direta com o erro. Desde muito cedo, a criança percebe quando seu comportamento deixa a mãe triste ou feliz. Por isso, é tão importante sinalizar imediatamente. “Você fez isso, é feio, a mamãe não gosta”. Mas atenção: mostrar que não gosta do que ela fez e jamais deixar a mínima dúvida do seu amor por ela. Nunca dizer “a mamãe não gosta de você porque você fez isso”. Nunca!

Um grande equívoco é os pais punirem o filho privando-o de alguma atividade que lhe dá prazer e não tem absolutamente nada a ver com o erro cometido. Vocês foram ao supermercado, ele fez birra porque queria determinado chocolate que você não comprou e então você tira o videogame por dois dias. “Mas qual é a relação da birra com o jogo? Nenhuma. Então, o castigo é dizer que você não vai mais levá-lo porque ele não sabe se comportar naquele lugar”, ensina Betty. Agora,  e a criança está mal na escola por causa do videogame ou da televisão, aí sim é preciso interferir. “Sempre haverá uma escolha a fazer. A mãe pode dar a opção de ele estudar e depois ver TV ou ficar sem TV”, sugere Luciene. “O castigo não deve ser dado sem que a criança tenha condição de reparar o erro, de se responsabilizar por ele, por isso, falou um palavrão, deve conversar com quem ofendeu.” E não é isolando a criança em um cantinho que você vai fazê-la entender um erro. O pior é ela até se acostumar com aquela punição e esperar por ela com a maior naturalidade. “Há crianças que se conformam, tanto faz ficar ou não de castigo, e há aquelas dão um jeitinho de fazer algo errado escondidas dos pais, quando eles não estão vendo”, conta Luciene, que deixa uma pergunta: E quando essa criança crescer ela vai achar que pode fazer coisas erradas quando ninguém estiver olhando? Essa é pra gente pensar!

Combinações

Com crianças maiores, é possível fazer combinações, mas que sejam boas para os dois lados. De horários de estudo, por exemplo. Mas não adianta você definir um período em que seu filho vai estar interessado em outra coisa e não vai estudar. Pergunte a le, deixe-o decidir quando se sente melhor para enfiar a cara nos livros. Mas também deixe claro que combinados não se quebram, porque aí quebra-se algo essencial em qualquer relação: a confiança.

Dicas de experts

  • Mude o foco:

Quando a criança insiste em mexer em algo que não deve, distraia a atenção dela com outra coisa em vez de ficar gritando “Não mexe”.

  • Combine:

Seu filho tem que estudar, mas deixe que ele escolha o horário mais conveniente, desde que você concorde com isso.

  • Não faça:

Colocar a criança de castigo no berço vai fazê-la associar o sono a algo ruim.

  • Não rotule:

Se você ficar chamando seu filho de egoísta, preguiçoso, burro, é isso que ele vai ser. O jovem e a criança não sabem quem são, é o adulto que diz quem ele é.

  • Fique fora:

Se seus filhos estão brigando, não interfira. Eles querem chamar sua atenção.

  • Não a deixe chorando:

A criança introjeta uma sensação de abandono.O bebê precisa do toque, do colo, do cheiro, dasensação corporal.

Depoimento de Ana Paula Barbieri, advogada, mãe de Gael e Pablo

Para mostrar aos meus filhos que estão fazendo algo errado, chamo a atenção com tom de voz mais firme e mais alto do que o normal, para deixar claro que não gostei, que aquilo não é legal. Então, procuro explicar o motivo. O Gael tem 6 anos, já entende muita coisa, é capaz de manter um diálogo e até mesmo de argumentar. Ele já entende o tom de voz diferente e reage quando é contrariado.

Nunca fui a favor do tal cantinho pra pensar, nunca dei esse tipo de castigo pros meus filhos nem vou dar. O Gael gosta de brincar na pracinha perto de casa, gosta que a gente conte histórias, para citar alguns exemplos. Já notei que ameaçá-lo de ficar sem ou deixá-lo temporariamente sem alguma dessas atividades surte mais efeito do que deixá-lo de castigo.

Depoimento de Naiana Borges, atriz e jornalista mãe de João e Maria

Em casa, a gente tenta ao máximo falar com as crianças, explicar por que mamãe ou papai está pedindo tal coisa. O castigo acontece, não vou negar, mas ele é muito mais um tempo para os ânimos baixarem do que qualquer outra coisa. Nossa frase é ‘fique um pouquinho no seu quarto para você se acalmar, depois a gente conversa’. E não demoramos mais do que cinco minutos para voltar. Não acredito em castigo que ensine.

No meu entender, qualquer relação se fortalece com muita conversa franca, e na relação entre pais e filhos não poderia ser diferente. Acredito que essa história de ‘pensar por alguns minutos’, muito usada por aí, faça a criança associar a ideia de ‘pensamento’ a algo ruim. Eu e Diogo não somos de ‘passar a mão na cabeça’. A gente não só diz que ‘é errado’ ou ‘feio’. A gente faz questão de demonstrar nossa chateação. Se a gente não demonstrar aquilo que está no discurso, de nada adianta. Pra mim, tudo isso só vale mesmo com carinho. Educar é dar carinho.

Consultoria

Elizabeth Monteiro e Luciene Tognetta 

Como baixar a febre do seu filho…

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…e mais sete coisas que você precisa saber dela.

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De repente, você viu que seu filho está meio quietinho… Coloca a mão na testa dele e sente aquele calorão… É febre. “Sabemos que 1/3 dos atendimentos de emergência e ligações para pediatras são por causa de febre aguda”, conta Márcia Sanae Kodaira de Almeida, pediatra do Hospital Santa Catarina (SP). Mas antes de correr para o telefone ou para o hospital, há algumas coisas que você precisa saber:

1) A febre não é uma doença, é um sintoma. Isso quer dizer que o aumento da temperatura simplesmente mostra que alguma coisa está acontecendo no organismo, o que é um bom sinal. Febre está associada a quadros infecciosos ou inflamatórios e sinaliza que o corpo está em combate. “É uma reação do organismo para combater uma infecção. O sistema imunológico libera defesas, que circulam melhor quando a temperatura aumenta no organismo. Funciona como uma defesa”, explica o pediatra Cid Pinheiro, do Hospital São Luiz (SP).

2) Acima de 37,8°C a criança precisa ser medicada. Isso é um consenso entre médicos alopatas. “Acima dessa temperatura, a criança já começa a ter um mal-estar geral: dói a cabeça, dói o corpo”, explica Márcia. A medicação deve ser feita para aliviar esse sintomas, não necessariamente para baixar a febre. Após dar o remédio, mesmo que a temperatura ceda, se a criança continuar paradinha, gemente, prostrada, ligue para o pediatra. Vale lembrar que a faixa de temperatura “normal” do corpo vai de 36°C a 37,2ºC.

3) Crianças pequenas naturalmente têm uma variação maior de temperatura. Se você deixar a criança aquecida demais, com casacos e cobertas em excesso, a temperatura corporal pode aumentar significativamente por causa desse superaquecimento. Isso acontece por dois motivos. O primeiro é que o termorregulador da temperatura, que fica no cérebro, ainda é imaturo. O segundo é que a superfície de contato da criança com o mundo externo ainda é muito grande em relação à massa, o que faz com que os bebês ganhem e percam calor com mais facilidade. Para ter certeza de que é febre mesmo, desagasalhe e dê um banho no bebê e só então meça a temperatura de novo.

4) Não precisa temer a convulsão febril. “Um dos maiores temores dos pais é que a febre provoque convulsões nas crianças, mas isso é um mito”, explica Pinheiro. Apenas uma parcela muito pequena das crianças está sujeita a isso, e geralmente há uma forte predisposição genética. As crises convulsivas podem ser desencadeadas apenas quando a temperatura está subindo muito rapidamente, quando a criança tem em torno de 6 meses a 6 anos e apenas se ela tiver a predisposição.

5) Cuidado redobrado com… crianças menores de 3 meses e, principalmente, recém-nascidos. No primeiro pico de febre, eles devem ser levados imediatamente ao médico, assim como crianças com alguma doença de base (no coração, nos rins, no pulmão, ou aquelas que tomam remédios específicos). Nesses casos, o alerta é máximo.Se a criança não se encaixar nesses perfis, mas a febre persistir por mais de três dias, também é preciso procurar o pediatra.

6) Fique atento aos sinais de perigo. Se a criança com febre ficar muito prostrada, sonolenta demais, se estiver mancando, respirando rápido, gemente, com muita dor de cabeça ou dor abdominal prolongada, com irritabilidade intensa, choro incontrolável, manchas pelo corpo, ou se convulsionar, é preciso levá-la ao pronto-socorro imediatamente.

7) Intercale a medicação  Muitas vezes, antes do intervalo recomendado entre uma dose e outra de remédio, a temperatura  começa a subir novamente. Nesse caso, você pode dar um outro tipo de medicamento. Se a criança tomou paracetamol, por exemplo, você pode dar buprofeno. Também vale fazer esse revezamento para não exceder a máxima dose diária recomendada. Por exemplo, se o remédio pode ser dado de 4 em 4 horas, mas não mais que 5 vezes ao dia, em 24 horas, esse limite não seria respeitado, por isso, é melhor alternar as medicações. No entanto, SEMPRE com orientação do pediatra.

8) Para ajudar a baixar a febre você pode…

– DAR BANHO: “A temperatura da água tem que estar um pouco abaixo da temperatura que a criança está para ir roubando calor aos poucos. Mas nada de choque térmico – se a criança sentir frio, o próprio corpo vai tentar produzir mais calor, dando aquela sensação de calafrio”, explica Márcia.

– FAZER COMPRESSAS: mesmo que sejam menos efetivas do que o banho, era um costume de antigamente fazer compressas frias nas articulações e na testa para baixar a febre. Se a criança ficar incomodada com as compressas ou começar a sentir frio, melhor não insistir.

-REPOUSAR: Não precisa obrigar a criança a dormir, só descansar. Se ela fica agitada, o metabolismo aumenta e, consequentemente, a temperatura do corpo também.

– BEBER BASTANTE LÍQUIDO: Quando a criança ou adulto está com febre, ela transpira mais. A evaporação do suor rouba a água do corpo e essa perda de líquido pode provocar desidratação. Por isso, é importante manter o seu filho hidratado – o que não significa dar um monte de água.  “Conforme a temperatura for baixando depois da medicação, tente oferecer aos poucos, para evitar também que ela vomite. Quando a temperatura está muito alta, ela não vai querer nada, por isso, melhor tentar hidratá-la bem entre os picos de febre”, recomenda Márcia.

– COLOCAR ROUPAS LEVES: Quando a febre está subindo, sentimos mais frio. Quando ela estabiliza, vem a sensação de calor. Por isso, é importante prestar atenção às roupas, para que a criança fique confortável. Prefira tecidos leves, como algodão.

REVISTA CRESCER

Estamos enlouquecendo nossas crianças: estímulos demais, concentração de menos…

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Excelente matéria do site CONTIoutra. Concordo plenamente e tento fazer diferente com eu filho! 

Vivemos tempos frenéticos. A cada década que passa o modo de vida de 10 anos atrás parece ficar mais distante: 10 anos viraram 30, e logo teremos a sensação de ter se passado 50 anos a cada 5. E o mundo infantil foi atingido em cheio por essas mudanças: já não se educa (ou brinca, alimenta, veste, entretêm, cuida, consola, protege, ampara e satisfaz) crianças como antigamente!

O iPad, por exemplo, já é companheiro imprescindível nas refeições de milhares de crianças.Em muitas casas a(s) TV(s) fica(m) ligada(s) o tempo todo na programação infantil – naqueles canais cujo volume aumenta consideravelmente durante os comerciais – mesmo quando elas estão comendo com o iPad à mesa.

Muitas e muitas crianças têm atividades extra curriculares pelo menos três vezes por semana, algumas somam mais de 50 horas semanais de atividades, entre escola, cursos, esportes e reforços escolares.Existe em quase todas as casas uma profusão de brinquedos, aparelhos, recursos e pessoas disponíveis o tempo todo para garantir que a criança “aprenda coisas” e não “morra de tédio”.As pré escolas têm o mesmo método de ensino dos cursos pré vestibulares.Tudo está sendo feito para que, no final, possamos ocupar, aproveitar, espremer, sugar, potencializar, otimizar e, finalmente, capitalizar todo o tempo disponível para impor às nossas crianças uma preparação praticamente militar, visando seu “sucesso”. O ar nas casas onde essa preocupação é latente chega a ser denso, tamanha a pressão que as crianças sofrem por desenvolver uma boa competitividade.
Porém, o excesso de estímulos sonoros e visuais, físicos e informativos impedem que a criança organize seus pensamentos e atitudes, de verdade: fica tudo muito confuso e nebuloso, e as próprias informações se misturam fazendo com que a criança mal saiba descrever o que acabou de ouvir, ver ou fazer.

Além disso, aptidões que devem ser estimuladas estão sendo deixadas de lado:

Crianças não sabem conversar
Não olham nos olhos de seus interlocutores
Não conseguem focar em uma brincadeira ou atividade de cada vez (na verdade a maioria sequer sabe brincar sem a orientação de um adulto!)
Não conseguem ler um livro, por menor que seja.
Não aceitam regras
Não sabem o que é autoridade.
Pior e principalmente: não sabem esperar.
Todas essas qualidades são fundamentais na construção de um ser humano íntegro, independente e pleno, e devem ser aprendidas em casa, em suas rotinas.

Precisamos pausar. Parar e olhar em volta. Colocar a mão na consciência, tirá-la um pouco da carteira, do telefone e do volante: estamos enlouquecendo nossas crianças, e as estamos impedindo de entender e saber lidar com seus tempos, seus desejos, suas qualidades e talentos.

Estamos roubando o tempo precioso que nossos filhos tanto precisam para processar a quantidade enorme de informações e estímulos que nós e o mundo estamos lhes dando.

Calma, gente. Muita calma. Não corramos para cima da criança com um iPad na mão a cada vez que ela reclama ou achamos que ela está sofrendo de “tédio”. Não obriguemos a babá a ter um repertório mágico, que nem mesmo palhaços profissionais têm, para manter a criança entretida o tempo todo.

O tédio nada mais é que a oportunidade de estarmos em contato conosco, de estimular o pensamento, a fantasia e a concentração.

Sugiro que leiamos todos, pais ou não, “O Ócio Criativo” de Domenico di Masi, para que entendamos a importância do uso consciente do nosso tempo.

E já que resvalamos o assunto para a leitura: nossas crianças não lêem mais. Muitos livros infantis estão disponíveis para tablets e iPads, cuja resposta é imediata ao menor estímulo e descaracteriza a principal função do livro: parar para ler, para fazer a mente respirar, aprender a juntar uma palavra com outra, paulatinamente formando frases e sentenças, e, finalmente, concluir um raciocínio ou uma estória.

Cerquem suas crianças de livros e leiam com elas, por amor. Deixem que se esparramem em almofadas e façam sua imaginação voar!

12 maneiras de ser a “pior” mãe do mundo

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  • Uma vez, eu saí da loja, sem dar a bolacha que meu filho fez birra para conseguir. Uma mulher me parou no estacionamento e me disse que eu era a melhor mãe naquele local. Já minha filha não tinha tanta certeza disso. Quando seus filhos lhe disserem que você é má, tome isso como um elogio. A nova geração tem sido chamada de a mais preguiçosa, mais rude, e a com mais títulos da história. As histórias sobre crianças que são difíceis de lidar assustam até a melhor das mães. Novidade: não são apenas as crianças, são os pais. É fácil querer jogar a toalha e desistir de brigar com seus filhos. Afinal, todas nós não queremos ser a mãe legal? Não desista. Eles podem pensar que você é malvada agora, mas eles vão agradecer-lhe mais tarde.

    Aqui estão 12 maneiras de ser a pior mãe do mundo:

  • 1. Faça seus filhos irem para a cama a uma hora razoável

    Será que existe alguém que não tenha ouvido o quão importante uma boa noite de sono é para o sucesso de uma criança? Faça seu papel de mãe e coloque seu filho na cama. Ninguém nunca disse que a criança tinha que querer ir para a cama. Eles podem brigar no início, mas com persistência, eles aprenderão que você está falando sério. E depois é só aproveitar para ter um tempo só seu ou para o casal.

  • 2. Não dê a seus filhos sobremesa todos os dias

    Doces devem ser guardados para ocasiões especiais. Isso é o que os deixa mais gostosos. Se você ceder às exigências de seu filho de ter doces o tempo todo, ele não vai apreciar o gesto quando alguém lhe oferecer um doce como recompensa ou presente. Além disso, imagine quanto isso pode custar caro quando o levar ao dentista e ao médico.

  • 3. Faça-os pagar por suas próprias coisas

    Se você quer algo, você tem que pagar por aquilo. É assim que funciona a vida adulta. Para conseguir tirar seus filhos do porão no futuro você precisa ensiná-los agora que eletrônicos, filmes, videogames, esportes e acampamentos que eles gostam têm um preço. Se eles tiverem que pagar tudo ou pelo menos parte do preço eles irão apreciar mais. Você também pode evitar pagar por algo que seu filho queira somente até conseguir aquilo. Se ele não está disposto a ajudar a pagar pelo menos metade, ele provavelmente não queira aquilo tanto assim.

  • 4. Não mexa os pauzinhos

    Alguns jovens têm dificuldade quando começam a trabalhar e percebem que as regras também se aplicam a eles. Eles precisam chegar no horário e fazer o que o chefe mandar. E (ai, ai!) parte do trabalho eles nem gostam de fazer. Se você não gosta do professor do seu filho, do seu parceiro de ciências, sua posição no campo de futebol ou no ponto de ônibus evite a tentação de mexer os pauzinhos para que seu filho consiga as coisas do jeito que ele preferir. Você está roubando a chance do seu filho de tirar o melhor e aprender com a situação. Lidar com uma situação menos que ideal é algo que ele terá que fazer o tempo todo na vida adulta. Se a criança nunca aprender a lidar com isso, você a está levando ao fracasso.

  • 5. Faça-os fazer coisas difíceis

    Não interfira automaticamente e tome conta quando as coisas se tornarem difíceis. Nada dá a seus filhos um melhor impulso de confiança do que não fugir do problema e realizar algo difícil por eles mesmos.

  • 6. Dê-lhes um relógio e um despertador

    Seu filho estará melhor se aprender as responsabilidades de controlar seu próprio tempo. Você não estará sempre lá para pedir pra ele desligar a TV e ir para seus compromissos.

  • 7. Não compre sempre o melhor e o mais recente

    Ensine seus filhos a terem gratidão e satisfação pelo que eles têm. Estar sempre preocupado com o próximo grande lançamento e quem já o tem vai levá-los a uma vida de dívidas e infelicidade.

  • 8. Deixe-os experienciar a perda

    Se seu filho quebrar um brinquedo, não compre um novo para substituí-lo. Ele vai aprender uma valiosa lição sobre cuidar de suas coisas. Se seu filho esquecer de entregar uma tarefa na escola, deixe-o ficar com uma nota mais baixa ou faça-o ir conversar por si mesmo com a professora sobre conseguir crédito extra. Você estará ensinando responsabilidade – quem não quer filhos responsáveis? Eles podem ajudá-la a se lembrar de todas as coisas que você se esquece de fazer.

  • 9. Controle a mídia

    Se todos os outros pais deixassem seus filhos pularem de uma ponte você também deixaria? Não deixe seu filho assistir a um filme ou jogar um videogame que seja inapropriado para crianças só porque as outras crianças o fizeram. Se você defender e lutar por manter a educação decente de seus filhos outros podem seguir suas ações. Crie uma pressão positiva.

  • 10. Faça-o se desculpar

    Se seu filho fizer algo errado, faça-o confessar e enfrentar as consequências. Não varra a grosseria, bullying, ou desonestidade pra debaixo do tapete. Se você errar, dê o exemplo e encare as consequências de seu erro.

  • 11. Importe-se com suas maneiras

    Até mesmo crianças pequenas podem aprender as noções básicas de como tratar outro ser humano com respeito e dignidade. Ao fazer da boa educação um hábito você estará fazendo a seus filhos um grande favor. Boas maneiras é o caminho certo para conseguir o que você quer. “Você pega mais moscas com mel do que com vinagre.”

  • 12. Faça-os trabalhar – de graça

    Seja ajudando a avó no jardim ou voluntariando-se para ser tutor de crianças mais novas, faça o serviço parte da vida de seus filhos. Isso os ensina a olhar além de si mesmos e ver que outras pessoas também têm necessidades e problemas – às vezes maior do que sua própria.

    Com todo o tempo que você passar sendo má, não se esqueça de elogiar e recompensar seu filho por comportamento excepcional. E sempre se certifique que eles saibam que você os ama. Com um pouco de sorte, seus filhos podem virar o jogo e fazer sua geração conhecida por sua esperança e promessa.

    Traduzido e adaptado por Sarah Pierina do original 12 ways to be the meanest mom in the world.

POR QUE MEU FILHO AINDA NÃO FALA?

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Matéria retirada do blog: Mamãe Prática

Olá queridas, hoje vou falar sobre um tema que muitas famílias costumam ter dúvidas: o desenvolvimento da fala. Aqui em casa meu filho Serginho está com quase dois anos e ainda fala pouco, na verdade, somente algumas palavras (gol, mamãe, papá, gato, achou, aqui, não, sim, vovó…).

Dá pra perceber que a parte motora dele vem se desenvolvendo rápido (ele andou com 11 meses), mas o desenvolvimento da fala parece estar um pouco devagar (ou não) e isso começa a deixar a família um pouco ansiosa (risos): “Por que esse menino ainda não está falando?”, “Ele tem preguiça de falar?”, “Nessa idade a prima já falava bastante”… Isso também acontece aí na sua casa?

Também percebo que ele quer muito falar, tenta se comunicar e dizer algumas coisas, mas ainda tem dificuldade e as palavrasnão saem. Confesso que fico um pouco aflita, mas tento não passar a minha ansiedade pra ele porque sei que cada criança tem o seu tempo e o melhor é deixar as coisas acontecerem de forma tranquila, sem pressão!

Pensando em tudo isso entrei em contato com a querida fonoaudióloga Lílian Kuhn, especializada em Audiologia e com Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, para nos ajudar a entender melhor o assunto. A entrevista foi tão bacana e completa que decidi reproduzir aqui, na íntegra, todas as informações que ela nos passou. Veja só:

Geralmente com qual idade os bebês começam a falar as primeiras palavras?
Lílian Kuhn: Por volta dos 04 meses de idade, os pais começam a notar que o bebê faz sons para chamar a atenção. É exatamente por volta deste período que se inicia o processo de desenvolvimento da linguagem oral. As palavras propriamente ditas surgem bem depois, por volta dos 12 meses de idade.

Em geral, qual é o processo esperado para o desenvolvimento da fala infantil? Existem etapas diferentes?
Lílian Kuhn: Sim, existem etapas diferentes. São os chamados marcos de desenvolvimento, em que a criança dá “saltos” significativos e, nesses momentos, todo mundo repara o quanto ela evoluiu. Desde antes do nascimento, o bebê é exposto aos sons e seus desenvolvimentos auditivo e linguístico vão acontecendo aos poucos. Esse é o processo esperado:

  • Ao nascer: o bebê reage à voz humana e reconhece a voz da mãe. Com o passar dos meses, passa a utilizar o choro para se comunicar.
  • Entre 04-06 meses de vida: o bebê apresenta diferentes reações (choro, sorriso) a depender da entoação da voz de quem fala com ele. Começa a vocalizar e “conversa”, respondendo com sons a fala da mãe/pai.
  • 10-14 meses: compreende frases simples (ordens/instruções); pode produzir alguns sons muito semelhantes a palavras, bem como entoações adequadas (pedido, negação).
  • Aos 12 meses, alguns bebês já falam pequenas palavrinhas de seu cotidiano (“mamã, papá, não, qué”), mas a maioria só o faz alguns meses depois.
  • Espera-se que, por volta dos 18-22 meses, o bebê realize algumas ordens simples; emita frases de duas a três palavras com melodia adequada (variações entoacionais); narre fatos do cotidiano imediato (“bebê chorou”, “João caiu”); e produza mais de 20 palavras.
  • 24-30 meses: é o grande boom do vocabulário e a criança que produzia apenas algumas palavras, agora passa a falar mais de 100! Produz frases utilizando pronomes (“eu quero”, “ele pegou”) e regras básicas de concordância (gênero e número)

Cada criança tem o seu tempo para aprender a falar? Como controlar a ansiedade da família?
Lílian Kuhn: Com certeza! Então, se você observa que o bebê avança mais (ou menos) rápido em outros aspectos, como engatinhar, isso servirá para a linguagem também. Isso significa que cada um tem o seu próprio tempo. Por outro lado, se não houver uma alteração de base (neurológica, física ou auditiva, por exemplo), não é justificável que haja uma discrepância entre a aquisição da linguagem oral e das habilidades motoras esperadas para a mesma fase. A ansiedade é a inimiga do desenvolvimento! Mas, como controlar? Em algumas famílias, levar o pequeno para uma avaliação fonoaudiológica ajuda muito (até pode não fazer a menor diferença para ele, mas o fará para os pais!). Em outras, apenas estimular sem ficar cobrando-o e focar nas habilidades já adquiridas. Não é porque ele não fala ainda, que não poderá interagir, te compreender e conversar com você, certo?!

Como saber se a demora no início da fala precisa ser investigada? Em que casos é recomendado procurar uma fonoaudióloga?
Lílian Kuhn: Bem, em primeiro lugar, siga o seu instinto. Se você acha que precisa de uma avaliação (de qualquer tipo), o leve! Muitos papais não sossegam até ouvir um “Não se preocupe, ele está ótimo!” e essa ansiedade não é nada bom para a criança. Em segundo, compare a linguagem do bebê agora com dois meses atrás. Mudou alguma coisa? Mesmo que esteja atrasado em relação aos marcos, a linguagem dele deve estar em constante desenvolvimento e evolução. Se você não observa mudanças, busque auxílio fonoaudiológico. As professoras também podem ser ótimas parceiras, te ajudando a observar se algo mudou ou estagnou. Ou ainda, a criança está em sofrimento por não conseguir falar? Chora, faz birra e fica irritada quando não é atendida? E mais: a criança é muito quieta, não brinca com as outras, não responde quando é chamada ou ninguém (nem a própria mãe!) consegue compreender o que ela fala. Sem dúvida, busque ajuda!

Quais são os problemas mais comuns nesse processo de aprendizado da fala?
Lílian Kuhn: São comuns: o atraso do desenvolvimento de linguagem, a disfluência fisiológica/do desenvolvimento (aquele quadro de “gagueira” que aparece por voltas 2,5-3 anos de idade) e as substituições, reduções ou omissões de sons (por ex, ela pode falar “chapo” para ”sapo” e “pato” para “prato” e “caca” para “Casca”).

O que os pais podem fazer para estimular a fala (de maneira natural/ sem pressão) dos seus filhos?
Lílian Kuhn: Não tem segredo: conversar, brincar, cantar músicas e contar histórias! É usando a linguagem, ouvindo-a e experimentando-a que a criança aprenderá a falar!

Mais algum comentário para nossas leitoras?
Lílian Kuhn: Só para reafirmar: se achar que seu filho está demorando a falar, não hesite em buscar uma opinião profissional. A intervenção precoce reduz o tempo de tratamento e aumenta a possibilidade de bons resultados!

Obrigada Lílian por dividir o seu conhecimento precioso com a gente!

Queridas leitoras, aqui no blog a Mamãe Prática Mari já havia abordado o desenvolvimento da fala em outros dois posts na época em que a minha sobrinha Manu está aprendendo a falar. Se você quiser ler mais sobre o tema, clique aqui e aqui.

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Foto: Luciana Morassi

Pneumonia: saiba tudo sobre a doença!

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Tudo pode começar a partir de uma simples gripe. Segundo relatório da Unicef, 17% das mortes de crianças menores de 5 anos no mundo são causadas por ela. O sinal de alerta soa durante o outono e o inverno, quando a baixa temperatura, o tempo seco e os índices elevados de poluição aumentam os problemas respiratórios, permitindo que a doença se instale.

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O que é pneumonia?

A pneumonia é uma infecção localizada no pulmão, órgão responsável por oxigenar o sangue e eliminar o gás carbônico do corpo. Na maioria dos casos, é provocada por bactérias ou vírus, mas os fungos também podem ser agentes causadores. Para entender a estrutura do pulmão, imagine uma árvore de cabeça para baixo: o tronco corresponde à traqueia, de onde saem dois galhos grandes, os brônquios, que dividem o lado direito e o esquerdo do pulmão. A partir deles, surge uma série de ramificações, que ficam cada vez mais finas, até chegar aos bronquíolos, que são as ramificações menores. Na ponta dos bronquíolos ficam os alvéolos, sacos microscópicos responsáveis pelas trocas gasosas. É nessa região que os agentes infecciosos da pneumonia se instalam, causando sintomas como febre acima de 38°C, tosse com catarro, dor torácica e falta de ar.

Como uma gripe vira pneumonia?

As crianças gripadas ficam mais vulneráveis, com menor capacidade de defesa do organismo. As bactérias se aproveitam da situação e podem se instalar causando uma pneumonia bacteriana. Quando há algum quadro de infecção, seja na garganta, nos seios da face ou no ouvido, a criança pode inspirar as secreções infectadas com pus e bactérias, que vão parar no pulmão. Se essas secreções contaminarem os alvéolos pulmonares, vira pneumonia, se ficarem nos brônquios, vira bronquite. Mas a pneumonia não começa necessariamente só com a gripe. Algumas crianças podem desenvolver a infecção assim que são atacadas por uma série de vírus, ou seja, pneumonia viral.

Como diferenciar uma gripe forte de pneumonia?

Preste atenção aos sintomas: na pneumonia, a febre é mais prolongada, o cansaço é maior e astosses vêm acompanhadas de dor. Se a gripe for causada pelo vírus influenza, as chances de a doença atingir o pulmão são ainda maiores, pois ele é mais agressivo.

Qual faixa etária é mais suscetível à doença?

Gestantes e crianças no início da idade escolar são mais vulneráveis por causa da menor capacidade de reação do organismo a agentes infecciosos. Uma vez que a doença já tenha se instalado, é preciso evitar a transmissão para outras pessoas. Tome cuidado para não tossir nem espirrar sem cobrir o rosto, lave as mãos constantemente, não misture objetos como copos, talheres e toalhas com o de outros. Se o seu filho estiver doente, escola nem pensar.

O que fazer em casos de repetição?

Além de procurar atendimento médico, o principal é investigar a causa da reincidência: ver se há um quadro alérgico de base, alguma imunodeficiência, cardiopatias ou até refluxo gastroesofágico, que está associado a uma série de doenças pulmonares.

Qual é o tratamento mais adequado?

Para a bacteriana, quase sempre a base do tratamento são os antibióticos, já na viral, depende do tipo de vírus. Em ambos os casos, para aliviar os sintomas, medicações para baixar a febre e inalações para fluidificar as secreções podem ser indicadas. É importante realizar a higiene nasal à base de soluções salinas, manter repouso, ingerir bastante líquido e dispor de uma alimentação equilibrada.

Que complicações podem ocorrer?

Mesmo pneumonias tratadas adequadamente podem ter complicações. Uma delas é o derrame pleural, quando o líquido infectado sai do pulmão e vai para a pleura, membrana que envolve o pulmão. Quando isso acontece, esse líquido precisa ser drenado; se não for, a infecção tem chances de se espalhar pelo corpo e evoluir para uma sepse (infecção generalizada), que pode levar à morte. Entre outras complicações possíveis estão a formação de abscessos, que são acúmulos de pus, e bronquiectasias, um alargamento dos brônquios.

Qual a diferença entre pneumonia e broncopneumonia?

Cada pulmão é dividido em lobos pulmonares: há três do lado direito, que é maior, e dois do lado esquerdo. Na pneumonia, a infecção acomete um ou mais lobos do pulmão. Já na broncopneumonia, há diversos pedacinhos do pulmão infectados ao mesmo tempo. A diferença fica muito clara quando se observa um exame de raio X: se for pneumonia, a mancha branca que sinaliza infecção está concentrada, se for broncopneumonia, dá para enxergar vários floquinhos que parecem de algodão espalhados pelo pulmão. Além disso, a broncopneumonia geralmente é causada por bactérias mais comuns, por isso costuma ser mais branda. Já a pneumonia é mais grave, proveniente de bactérias normalmente mais resistentes.

Bebês prematuros estão mais expostos?

Os bebês que nascem prematuros são mais suscetíveis a vários problemas respiratórios, não apenas à pneumonia. Por ainda não terem terminado a formação de todo o aparelho respiratório, eles passam por uma aceleração forçada do desenvolvimento do pulmão, o que causa uma doença chamada de displasia bronco-pulmonar. Mesmo que a displasia não aconteça, a função pulmonar dos prematuros fica alterada durante toda a infância e pode ter consequências mais para frente, como enfisema pulmonar e uma fragilidade maior a doenças respiratórias.

Dá para prevenir?

As vacinas estão entre as medidas básicas de prevenção. A pneumocócica, que imuniza contra as bactérias do tipo pneumococos, já faz parte do calendário gratuito de vacinação da criança. Ela deve ser aplicada no segundo, no quarto e no sexto mês, com um reforço no 12º mês, e depois a cada cinco ou seis anos. A partir dos seis meses de vida, a criança também pode tomar a vacina de gripe, que deve ser dada na primeira vez em duas doses e, depois, tomada anualmente no outono. Manter as crianças longe do cigarro, sobretudo as alérgicas, arejar a casa (mesmo no inverno, é bom deixar as janelas abertas durante um período para que o ar circule) e lavar as mãos para evitar a contaminação com vírus e bactérias são cuidados simples e indispensáveis.

FONTES: Alberto Cukier, pneumologista do Hospital Santa Catarina (SP); Hamilton Robledo, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo (SP); Marina Buarque de Almeida, pediatra do Hospital Sírio-Libanês (SP); e Tiago Gara, pediatra do Hospital São Luiz (SP).