Arquivo mensal: agosto 2014

Filho único: problema ou solução?

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Antes de ter filhos, a jornalista norte-americana Lauren Sandler, 39 anos e casada há 11, dizia-se convicta sobre os benefícios de ser a única criança da casa. Surpreendentemente, quando engravidou de uma menina, Dahlia, hoje com 5 anos, perdeu certezas e ganhou dúvidas: será que minha filha será solitária e mimada semirmãos? Vou prejudicar o desenvolvimento dela se não tiver uma segunda criança? Diante dessas questões, a própria vivência parecia não dar conta de tanta aflição e ela partiu para os estudos científicos. Passou três anos lendo teses e livros sobre o assunto, viajou para países como China, Japão, Áustria, Alemanha, França e Itália para entrevistar especialistas (psicólogos, sociólogos, historiadores e demógrafos) e conviveu comfamílias nessa situação para checar se o que a literatura indicava fazia sentido na prática. Tudo isso resultou no livro Primeiro e Único, lançado no Brasil no início de maio pela Editora LeYa (R$ 29,90). Em entrevista exclusiva à CRESCER, Lauren contou o que descobriu. Acompanhe:

CRESCER: Ao escrever o livro, você encontrou as respostas que procurava?
Lauren Sandler: Encontrei dados bem interessantes que contradizem o senso comum. Um dos principais é: o estereótipo de que o filho único é solitário, egocentrado e que tem dificuldade para se adaptar socialmente persiste apesar de centenas de estudos negando isso. Os autores afirmam que crianças podem apresentar essas características independentemente de ter ou não irmãos. Os acadêmicos que estudam isso há mais de um século já derrubaram esse mito. Mas essa “atualização” não chegou à vida cotidiana. As pessoas continuam considerando as ideias antigas sobre o filho único para tomarem decisões importantes sobre a própria vida.

C.: Mas a revolução industrial mudou completamente isso, não?
L.S.: Sim, filhos passaram a significar mais gastos do que ganhos, em termos financeiros, e, então, as famílias foram diminuindo. A mulher passou a participar do mercado de trabalho, a ter direitos e poderes. Tem o desejo de ser mais do que mãe, quer ter uma carreira, manter sua liberdade e construir uma vida feliz, mas isso ainda é mais um tabu. Honestamente, acredito que, apesar de a mulher ser independente na prática, emocionalmente a sociedade não lida bem com a ideia de ela ser livre. Há um senso comum silencioso que acredita que mais do que ser profissional, cidadã e esposa, ela precisa ser mãe! Por isso, deve ter vários filhos, fazendo-a ter uma atenção muito focada na vida doméstica. Assim, continuamos a propagar lendas coerentes com esse contexto psicológico, como a de que ter um filho só é ruim.

C.: Isso casa com a afirmação que você faz no livro sobre felicidade feminina?
L.S.: Sim, acredito que para ser uma boa mãe, primeiro, você precisa ser uma pessoa feliz. Assim, é mais fácil educar e lidar como dia a dia da criança. Foi isso que me fez decidir se eu teria ou não mais filhos e foi esse mesmo “norte” que minha mãe usou para definir que não teria mais bebês.

C.: Apesar das pesquisas indicarem o contrário, por que sobrevive a ideia de que ter só um filho é algo negativo?
L.S.: Há muitas explicações para isso, e elas nos remetem aos primórdios. O ser humano teve que se multiplicar amplamente para garantir a sobrevivência na Terra. Era condição para manter a espécie. Depois, nas sociedades agrárias, tinha-se muitos filhos como força de trabalho. Mais filhos, mais produção, o que aumentava as chances de uma vida bem-sucedida.

C.: Depois de tanta pesquisa, você acha que crianças sem irmãos são individualistas e mimadas?
L.S.: Os estudos científicos não relacionam esses dois aspectos. Até porque a escola de hoje é uma importante equalizadora, que coloca todos num mesmo patamar, estimula a troca e o convívio igualitário, reprimindo atitudes que beneficiam apenas um. Quanto a ser mimado, dependerá mais do comportamento dos pais do que da circunstância da criança. Quando eles tendem a ter essa atitude, podem mimar um, dois ou três filhos. Se não têm essa postura, também não terão com um filho só. Para a criança, há vários caminhos para aprender as mesmas coisas. Você exercita a generosidade, por exemplo, com irmãos, primos, amigos ou colegas de classe. Não há formas melhores ou piores, há maneiras diferentes. Isso é normal na trajetória de desenvolvimento de qualquer um.

C.: No livro, você também diz que ser a única criança da casa é uma maneira poderosa de crescer. O que isso significa?
L.S.: Digo poderosa no sentido de intensa. Não há distrações, você é foco único. Seus pais acompanham seu crescimento muito de perto. E você também acaba observando a trajetória dos pais com mais proximidade. Isso amplifica as vivências, no sentido de que, se você aproveitar, pode aprender mais, ter um repertório mais aprofundado.

C.: Muitos pais decidem ir para a segunda gestação alegando que, quando eles se forem, não querem que os filhos enfrentem essa dor sozinhos. O que você acha?
L.S.: Sim, a questão da morte dos pais é um aspecto pesado para qualquer filho único, não há como negar. Porém, deve-se avaliar que ter irmãos não é garantia para nada. Você pode construir um vínculo saudável e de apoio com eles ou ter uma relação destrutiva e pouco acolhedora. Não dá para prever. Na falta dos pais, ter ou não irmãos interfere na vivência da dor, mas é apenas uma parte dessa experiência e não ela inteira.

C.: Sua filha pede para ter irmãos?
L.S.: Sim. E é difícil, não vou mentir. Acho que ela seria uma ótima irmã mais velha. Mas conversamos sempre sobre como nossas vidas mudariam e como somos felizes assim, então, por que mudar? Ela preza muito o nosso trio especial. E é uma criança extremamente feliz – por isso, não me preocupo, sei que é uma fase.

C.: Você sentia falta de ter irmãos quando era criança? Acha que teria sido mais feliz?
L.S.: Não senti falta até chegar à adolescência. Isso porque esse já é um período em que nos sentimos sozinhos e é difícil não ter com quem dividir as aflições em casa. No entanto, tive uma vida muito feliz, com bastante independência e uma relação muito próxima com meus pais. Cada escolha tem suas desvantagens, nada é perfeito. Mas essa funcionou maravilhosamente para mim.

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Vou bater nessa tecla novamente! IMPORTANTE!!!!

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Voltamos ao ar depois de um longo período sem publicações. O excesso de trabalho é, felizmente, a explicação.

Recomeçamos com um tema importante, muitas vezes difícil de digerir para famílias habitantes do século XXI. E com novidades muito relevantes. O texto é longo, há muita informação, comentários e controvérsias. Vejo como uma reflexão importante, mas se você não quiser ler tudo, dê uma olhada no resumo e sugestões ao final.

Já escrevemos algumas vezes aqui sobre os riscos de telefones celulares e aparelhos semelhantes (tablets) para crianças. Pois é, a coisa anda piorando.

Os riscos mais conhecidos estão no excesso de uso e são de ordem cognitiva e psíquica: o afastamento da realidade, o desligamento do convívio e da interação, o entretenimento permanente e a incapacidade de lidar com o ócio, a perda da criatividade, redução da capacidade de concentração, a exposição à publicidade (com consequências dramáticas para crianças).

A portabilidade tornou o mercado de vídeos, jogos e filmes / TV onipresente e 100% acessível na vida das crianças. O uso excessivo – já evoluindo para o compulsivo muitas vezes – que vem se agravando nos últimos anos, é perigoso e muito tóxico para a saúde física e mental da criança. Me angustia ver crianças de 4 anos longe do aqui-agora, mergulhados na permanente virtualidade e distração dos tablets e smartphones em restaurantes, consultórios, carros, elevadores, e até em parques, praças e passeios na natureza.

Novas doenças surgem. A chamada síndrome de “demência digital”, causada pelo uso excessivo da tecnologia e telas, tem sido relatada em crianças em idade escolar. Elas apresentam uma perda nas habilidades cognitivas e na memória. Em adolescentes, temos a FOMO (fear of mssing out, ou medo de perder) – um tipo de ansiedade social que faz o jovem não se desligar da rede social por um minuto. Obesidade, sedentarismo, insônia, agressividade, hiperatividade e problemas de atenção já são velhos conhecidos relacionados ao excesso de telas.

Some-se a isso os problemas resultantes do uso exagerado pelos próprios pais. Essas máquinas maravilhosas, plataformas do mundo moderno – sim, sem as quais a vida é quase inconcebível menos de 10 anos (!) após seu lançamento – provocam a perda de limites entre o tempo do trabalho e o tempo do lazer e da família, e os dois últimos sempre acabam perdendo. Adultos também são sujeitos ao vício digital e à distração compulsiva, a trocarem o convívio presencial pelas listas intermináveis de posts na timeline e vídeos sempre “imperdíveis”. Muitas vezes são escravizados pelas relações de trabalho que impõe dedicação fora das horas habituais. Os aparelhos geram uma ausência na experiência do dia a dia. Você está literalmente em outro lugar, deixando de participar da vida onde ela acontece, suas paisagens, suas relações, seus afetos. Deixando de estar com seus filhos no pouco tempo que tem para conviver com eles.

Existem também os riscos físicos, provenientes da distração. A digitação ao volante está disparando como causa de acidentes de trânsito, talvez já seja a primeira na Inglaterra. Milhares de acidentes graves ocorrem entre pedestres por causa da distração da tela do celular.

Agora estamos cada vez mais próximos da comprovação definitiva de algo que já se suspeita há anos: o dano físico e o potencial patogênico da radiação micro-ondas emitida pelos dispositivos sem fio, especialmente os conectados à rede celular. Creio que não interessa à grande mídia divulgar um problema que lesa seus principais anunciantes. Mas as evidências se acumulam. Acaba de ser publicado um artigo de revisão mostrando que os riscos são bastante concretos, em especial para crianças pequenas e fetos em gestação.

Uma ampla revisão de estudos, embora com dados ainda conflitantes, publicada pela Environmental Health Trust, uma respeitada organização de saúde ambiental nos EUA, em 15 de julho no Journal of Microscopy and Ultrastructure, observou associações entre este tipo de radiação e câncer.

Os autores avaliaram estudos médicos de 2009 a 2014, dados de dosimetria de radiação de celulares, documentos governamentais, manuais dos fabricantes e outras publicações. A conclusão é que crianças e fetos enfrentam um risco maior que os adultos de dano neurológico resultante da radiação emitida por dispositivos sem fio.

A taxa de absorção de radiação é maior em crianças: pelas características de seu tecido nervoso, pela proteção óssea de seu crânio ser mais fina e pelo seu menor tamanho relativo. O feto é particularmente vulnerável, e a exposição poderia resultar em degeneração da bainha de mielina protetora que envolve os neurônios, essencial para todas as suas funções. Além disso, o cérebro encontra-se em rápido crescimento nestas fases da vida, quando a exposição a fatores de risco para o câncer, como a radiação, é sempre mais perigosa.

As taxas de tumores cerebrais têm aumentado na Dinamarca, Estados Unidos e Austrália. Um recente estudo francês descobriu que pessoas com uso muito intenso enfrentam um risco mais elevado do que a média para gliomas e meningiomas; não houve associação entre tumores uso moderado do telefone celular.

Os dados ainda são controversos; alguns estudos são baseados em um pequeno número de casos. A ciência ainda não pode determinar categoricamente o vínculo do aumento de casos com telefones celulares e similares. Outros fatores, como o diagnóstico precoce (facilitado pela ressonância magnética) podem estar fazendo a incidência aumentar. Além disso, o lapso de tempo entre a exposição a um agente cancerígeno e o diagnóstico de um tumor sólido resultante pode ser de 30 anos ou mais. Precisaremos ainda de muito tempo para ter certeza da associação entre celulares na infância e tumores.

Mas vários cientistas acreditam que já há motivos de sobra para disparar o alarme e tomar precauções. Em 2011 a Organização Mundial de Saúde classificou os campos eletromagnéticos de rádio-freqüência como possivelmente carcinogênicos, com base no aumento do risco de glioma associado ao uso de telefones celulares. Bélgica, França, Índia, e outros governos estão elaborando legislação sobre o tema e emitindo alertas sobre o uso de dispositivos sem fio por crianças.

O uso de telefones celulares não vai diminuir: eles são cada vez mais indispensáveis e na verdade “salvam mais vidas do que jamais serão perdidas”, diz o coordenador do estudo, Dr. Lunsford. O editor da The Lancet – uma das principais revistas médicas do mundo, Richard Horton, diz: “temos de agir usando a melhor informação científica possível. Mas isso não significa que devemos esperar até que tenhamos provas 100 por cento seguras. Quando a saúde está em jogo, devemos tomar medidas para diminuir riscos, mesmo quando o conhecimento científico não é conclusivo”.

Diante disso, como pais que desejamos o melhor para nossos filhos – sua saúde em especial – o que podemos fazer? Minha sugestão é utilizar o sempre razoável principio da precaução: se não temos certeza, melhor se precaver, se cuidar. Um inteligente dito popular diz: tudo que é demais faz mal. Evitar o exagero vai fazer bem de qualquer modo – não apenas para evitar um possível tumor ou a demência digital, mas para melhorar a qualidade de relações familiares e amizades, a qualidade de vida em geral e reduzir riscos de acidentes.

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Pra quem começou por aqui, estamos discutindo o excesso de uso de celulares e telas por crianças. Evidencias apontam que para além dos riscos já conhecidos do excesso de telas (obesidade, sedentarismo, insônia, agressividade, impulsividade, hiperatividade e problemas de atenção, perda da criatividade) somam-se novos: a “demência digital”- queda nas habilidades cognitivas e na memória de crianças, ansiedade social e agora o aumento do risco para tumores malignos.
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Então, as recomendações:
Para os telefones e outros dispositivos sem fio:
– A distância é sua amiga. Afaste a radiação de si e de seus filhos. Calcula-se que mantendo o telefone celular a 15 cm do ouvido diminuímos em milhares de vezes o risco.
– Quando ligado e não em uso, o telefone não deve ser mantido perto no corpo. O melhor lugar para um telefone celular é a bolsa ou a mochila.
– Os aparelhos devem ser mantidos longe da barriga da mulher grávida. A mãe não deve usar durante a amamentação. Uma criança que leva um celular no bolso da calça traz um risco potencial (não demonstrado, enfatizo: potencial) para a sua fertilidade. Não deixe uma adolescente colocar o telefone no sutiã. Ora, por motivos óbvios.
– Converse com crianças e adolescentes sobre como usar telefones com cuidado. Uma pesquisa do Pew Center nos EUA mostrou que 75% dos pré-adolescentes e adolescentes dormem a noite toda com o celular debaixo do travesseiro. Impensável.
– A babá eletrônica, esse aparelho inútil e invasivo do sono dos pais, não deve ser colocada no berço do bebê. Roteadores wifi devem ser mantidos fora do quarto das crianças.

Para as telas em geral:
– Limite o tempo de tela de seus filhos (e o seu). Para os menores de 2 anos, o recomendado é zero. Sabemos que isso é inviável, mas faça o possível para chegar perto.
– Para os mais velhos procure limitar o tempo a duas horas por dia. Acredite: é possível. Ofereça opções.
– Designe “momentos-sem-tela” na rotina de casa (refeições, hora de brincar com brinquedos de verdade, ler livros, contar historias, jogar);
– Designe “áreas-sem-tela”: uma boa ideia é limitar o acesso ao computador, TV e tablets às áreas comuns. TV no quarto é o veneno supremo. Para você também, aliás.

Finalmente: saia de casa. Vá com as crianças ao teatro, ao cinema, ao museu, ao show, à roda de brincadeiras. E o supremo antidoto: desfrute da natureza – parques, praças, bosques, praias, cachoeiras, florestas. Tem (quase) sempre uma perto de você neste país abençoado. Ali não há wifi, e melhor ainda se não houver sinal de celular por um tempo. Em vez de sinal, você vai ter conversa, convívio, troca de olhares, afeto, cuidado, desfrute, prazer, gelado, quentinho, abraço, beijo, brincadeira, jogos, gargalhadas, cantoria, histórias, balanço e gangorra, corrida e pulação, sujeira, bichos, fura-onda. E um tsunami de boas lembranças. São elas que ficarão na memoria afetiva de seus filhos e vão transformá-los em seres humanos melhores para si próprios e para a sociedade e o planeta onde vivem.

Crianças: já pra fora!!

FONTE NO SITE PEDIATRIA INTEGRAL

Como ajudar seu filho pequeno a lidar com a vaidade

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Escolher uma roupa bonita para ir à festinha, passar batom, usar perfume: a vaidade pode se manifestar desde muito cedo na vida das crianças. Quando praticada com moderação, ela é muito saudável, pois ajuda a construir a boa autoestima dos pequenos. “Na medida certa, a vaidade é benéfica e necessária, pois funciona como uma motivação: estimula a criança a querer ser admirada”, explica a educadora Marta Campos, coordenadora de apoio pedagógico da Escola Viva, de São Paulo.

O problema é quando a preocupação com a vaidade se torna excessiva, colocando em risco o desenvolvimento físico e psicológico dos filhos. É o caso das crianças que usam sapatos com salto alto ou roupas que as deixam parecidas com mini-adultos. Também é o caso daquelas que são incentivadas a valorizar apenas o que é “de marca” ou o que custa muito caro. Veja as dicas dos especialistas para ensinar seu filho a adotar apenas o lado bom da vaidade.

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1. O que é a vaidade?

A vaidade é o desejo natural de atrair a atenção e a admiração de outras pessoas. “Quando se fala em vaidade, geralmente as pessoas pensam apenas no aspecto da beleza. Mas há também outros tipos de vaidade, como a vaidade intelectual, a vaidade da riqueza, do poder, da força física”, explica Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio.

2. Ser vaidoso é bom ou é ruim?

A vaidade é boa quando impulsiona crescimento pessoal. Mas se torna ruim quando começa a dominar a rotina e se torna um objetivo de vida. “Isso porque a pessoa passa a se preocupar demais com a própria imagem e muitas vezes acaba se frustrando com isso. Ela capricha na beleza, mas sente que nunca é suficiente e precisa fazer mais e mais para se sentir bem. Precisa consumir mais e quanto mais consome, mais aparecem outras coisas para consumir”, explica Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio.

3. A partir de qual idade a vaidade começa a se manifestar?

Desde muito cedo as crianças dão sinais de vaidade. “Os bebês já percebem quando estão agradando e podem manipular, no bom sentido, as situações a seu favor. Logo, a percepção desse fenômeno de ação e reação ou de causa e efeito pode desenvolver a vaidade”, explica a educadora Marta Campos, coordenadora de apoio pedagógico da Escola Viva, de São Paulo. Ou seja, a criança aprende quais são os comportamentos e atitudes que ela precisa ter para ser elogiada e admirada e tende a repeti-los para ganhar mais agrados.

4. Crianças pequenas podem usar maquiagem, pintar as unhas ou usar perfume?

Não há nada de errado em passar batom, pintar as unhas ou usar perfume, contanto que os produtos utilizados sejam adequados para crianças e que isso seja feito como uma brincadeira, sem levar a sério demais. “Enquanto esses cuidados são feitos de uma maneira equilibrada, estimulando o lado bom da vaidade e da autoestima, não há nada de errado. É também uma maneira de exercer a fantasia: da mesma forma que a menina brinca de se maquiar, gosta de se fantasiar de princesa”, explica Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio.

5. Crianças podem usar sapato com salto e roupas que imitam as de adultos?

Brincar de usar o vestido da mãe ou experimentar a gravata do pai não é um problema. Fora da brincadeira, porém, criança deve usar roupa de criança. Nada de sapatinhos de salto – que podem prejudicar músculos e coluna – e nem de roupas com apelo sensual ou que deixem o pequeno com a aparência de um “mini-adulto”. “Esse é o lado prejudicial da vaidade infantil: quando ganha o aspecto da erotização ou da entrada precoce no mundo adulto. A criança ainda não tem estrutura psicológica para exercitar esses papeis e com isso, acaba queimando etapas de seu desenvolvimento. Dessa forma, a vaidade perde seu caráter valorizador e se torna justamente o contrário: desvaloriza a criança, transformando-a em um objeto”, diz Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio.

6. Como ensinar os filhos pequenos a serem vaidosos na medida certa?

O melhor jeito de ensinar é pelo exemplo. “Se a mãe ou pai são extremamente vaidosos, podem reforçar esse comportamento nos filhos”, diz Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio. “Por isso, os pais devem saber dosar a preocupação com a vaidade e dar exemplos também da importância de outros valores como a inteligência, a honestidade, a humildade, etc. Mostrar que não é fundamental ter a roupa mais cara ou o carro da moda”, afirma Andrea.

7. Crianças muito vaidosas podem se tornar individualistas e egoístas?

O excesso de vaidade não é determinante para o surgimento do individualismo e do egoísmo, mas pode colaborar para o desenvolvimento dessas características, conforme explica Marta Campos, coordenadora de apoio pedagógico da Escola Viva, de São Paulo. Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio, acrescenta que crianças vaidosas demais se tornam mais competitivas e com desejo de se sobressair mais que as outras. “Com isso, acabam não sendo crianças cooperativas”, diz Andrea.

Passos para um diálogo efetivo com os filhos!

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O que seus avós desejavam para os filhos há 50 anos? Esta foi a pergunta que o psicólogo e psicanalista Luiz Alberto Conti levantou para uma plateia de pais e mães aqui na Editora Abril, em São Paulo. As mais diversas respostas surgiram: que os filhos casassem, que não fossem desonestos, que assumissem osnegócios da família… Todos concordaram que estes não são o mesmo desejo que os pais têm hoje. E qual seria? Que os filhos sejam felizes.

As condições em que crianças são criadas mudaram consideravelmente desde o tempo de nossos avós, no entanto, de acordo com Luiz Alberto Conti, os modelos de criação permanecem os mesmos e aí que está o problema: a estratégia de se educar entrou em colapso e é preciso desenvolver uma nova. Para o psicólogo, a solução que se procura está no diálogo.

“Educar nas condições dos avós era muito mais fácil”. O mundo se encarregava do dever e os avós apenas davam o bom exemplo em casa”, afirmou o psicólogo. Ou seja, o modelo dos avós era meramente “corretivo”, bastava um peteleco para corrigir possíveis desvios do comportamento cultivado socialmente.

No entanto, o bom exemplo deixou de ser o suficiente para se educar. Hoje, é necessário por vezes ir contra o discurso do mundo e, para tanto, pais precisam desenvolver um “projeto de educação”, do qual o diálogo é o núcleo central.

“O diálogo é uma forma importante de dar limite. Quando se é muito pequeno, a punição, a autoridade, pode ser mais importante, mas quando se atinge os 11 ou 12 anos, as curvas do diálogo do esclarecimento e da punição começam a se cruzar e você precisa conseguir as coisas com conversa. Por isso, é preciso praticá-la desde cedo”, explicou Luiz Alberto Conti.

Em casa, todas as regras podem ser conversadas, porém Conti, que também é pai, acredita que há três mandamentos a serem seguidos sempre. Para ele, os pais devem criar os filhos para que cheguem aos 21 anos preocupando-se com:
– a saúde (cuidando desde a alimentação ao uso de drogas),
– capazes de se virar na vida (independência, autonomia, disposição para aprender);
– e sendo pessoas éticas.

De acordo com o psicólogo, é preciso mostrar aos filhos que, embora se tenha um amor incondicional por eles, não existe uma admiração ou um apoio incondicional e, caso eles cometam erros, serão chamado à atenção. Se, após este processo, o diálogo não for positivo, a imposição pode ser necessária para que os mandamentos enumerados acima se cumpram.

Confira, abaixo, o passo a passo recomendado por Conti para a criação de uma nova estratégia familiar. O psicólogo adverte, porém, que não se trata de uma receita de bolo que sempre trará resultados positivos, porém são importantes iniciativas para desenvolver.

1. Levantar a bandeira branca

O pai ou a mãe precisa, a princípio, desarmar seu interlocutor, mostrando-se disposto a conversar. Por exemplo: supondo que o problema seja uma criança que não quer ir para cama. Deve-se iniciar o diálogo de forma amena, sem surtos nervosos repentinos. É importante mostrar que os pais são veiculadores de uma lei maior: crianças precisam dormir determinadas horas por noite para se desenvolverem melhor. A legitimidade tem a ver, neste caso, em por um saber em prática.

2. “Saber escutar

Os pais devem ser capazes de entrar no mapa mental do interlocutor. Se não sabem escutá-lo, não há chance de conversa. É preciso compreender o outro lado e o porquê de seus sentimentos.

3. Estabelecer conexão/empatia

Colocar em suas palavras o que o filho contou é uma forma interessante de se conseguir empatia. Em um caso de um filho enciumado em relação ao irmãozinho, por exemplo, seria como dizer: “A mamãe entende que você esteja com raiva do Pedrinho, deve ser horrível ter alguém babando em suas coisas”.

4. Apresentar o impasse

Após o momento em que você já abriu espaço para o diálogo com seu interlocutor, ouvindo-o e sendo compreensível, é o momento de apresentar seu problema. Falar que, embora seja difícil lidar com um irmãozinho, o filho mais velho deve tratá-lo direito e não machuca-lo, pois a mãe ama a ambos igualmente. Luiz Conti chama a atenção para evitar sentimentalismos excessivos. Quando se tem boa vontade, o diálogo funciona.

Médicos dão orientações para evitar doenças com as mudanças do tempo

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Variações bruscas de temperatura afetam diretamente a nossa saúde.

Alimentar-se bem, tomar água e usar soro fisiológico são algumas dicas.

As mudanças bruscas de temperatura neste inverno impactam diretamente a nossa saúde. Pode ser com problemas mais simples, como boca seca, lábio rachado, resfriado ou dor de cabeça, ou mais sérios, como gripe e dor de ouvido. No Sul e Sudeste do país, os termômetros têm tido registros de verão no mês de agosto. E também há dias de muito frio – nesta quinta-feira (14), a temperatura máxima na capital paulista não deve passar dos 13° C.

Segundo a otorrinolaringologista Francine Pádua e o pediatra Moises Chencinski, no tempo seco é importante usar soro fisiológico para umedecer as vias aéreas, lágrima artificial para os olhos e hidratante para a pele e os lábios; vestir roupas que aqueçam bem o corpo e carregar sempre uma echarpe mais fina na bolsa ou mochila; usar umidificador, bacia com água ou toalha molhada no ambiente; manter as vacinas em dia e, se necessário, fazer inalação com soro fisiológico.

De acordo com Chencinski, quem respira mal pelo nariz também respira mal pelo pulmão, pois a mucosa é a mesma. Por isso, pessoas que sofrem de rinite alérgica têm mais propensão a ficar gripadas ou resfriadas no frio, pois têm um número maior de receptores nas mucosas das vias respiratórias, onde grudam os vírus e as bactérias. Além disso, indivíduos alérgicos devem tomar cuidado para não usar casacos guardados com pó e mofo.

Ao todo, segundo os médicos, 95% das sinusites agudas são precedidas por gripe ou resfriado, e até 5% das gripes ou resfriados podem evoluir para uma sinusite aguda. De acordo com os especialistas, é considerado normal um adulto ter de 3 a 4 resfriados por ano. Já em crianças, é normal ter entre 6 e 10 resfriados por ano.

Outras dicas dos médicos nesta época são: tomar bastante água e alimentar-se bem para fortalecer a imunidade (no caso dos bebês, a amamentação também ajuda muito a prevenir doenças); evitar ficar muito em lugares fechados e com aglomeração de pessoas; quando der banho em uma criança, deixar a porta do banheiro fechada para manter o calor, inclusive ao vesti-la; e redobrar os cuidados com os pequenos e os idosos, pois o sistema imunológico deles é mais frágil que o dos adultos.

No estúdio, os convidados explicaram ainda por que os pelos ficam arrepiados e por que o nosso corpo treme de frio. No primeiro caso, o sistema termorregulador, localizado na região cerebral do hipotálamo, manda uma mensagem para o músculo eretor do pelo, que é bem pequeno e fica no início do folículo, deixando-o ereto imediatamente. Esse é um mecanismo involuntário. Os pelos arrepiados formam uma espécie de camada de ar que impede a perda de calor, mantendo a temperatura do corpo entre 35,5° C e 37° C. No caso dos tremores, o processo é o mesmo: o sistema termorregulador, responsável por regular a temperatura, envia sinais para os músculos, que tremem para produzir energia e manter o corpo quente.

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FONTE: SITE DO PROGRAMA BEM ESTAR REDE GLOBO

O tigre, o menino e a educação!

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Como um acidente pode explicar o comportamento humano

O Brasil ficou chocado nos últimos dias de julho quando um garoto de 11 anos teve o braço direito dilacerado por um tigre. O “acidente” ocorreu em um zoológico de Cascavel, PR, quando o garoto, acompanhado do pai, pulou uma cerca de proteção, ignorou os avisos de manter-se afastado e provocou primeiro um leão e depois o tigre. O desfecho todo mundo viu: teve o braço amputado na altura do ombro e terá a vida inteira para refletir sobre esse ato “corajoso”. Esse acidente é exemplar, em todos os sentidos.

Quem acompanha minhas colunas sabe que há décadas eu insisto no declínio na qualidade do ser humano em sociedade. Especialmente no Brasil, país que parece caminhar ladeira abaixo no campo das relações humanas.

Felizmente alguém filmou e mostrou uma imagem que retrata o que vem acontecendo em uma sociedade desacostumada a respeitar uma autoridade. O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte, conhecidos por qualquer ser vivente como predadores. Até as pedras sabem que esses animais se alimentam de outros animais desde que o mundo é mundo.

Imediatamente após a divulgação das imagens começaram os julgamentos, principalmente os do “contra” e “a favor”, seja do tigre, do garoto, do pai, do zoológico, de Deus etc. No atual modus operandi social de palpitar sobre tudo houve a esperada distribuição de culpa para todos os envolvidos, alguns até tentando amenizar o lado do garoto sob a alegação de que era “incapaz” de avaliar os riscos. Será? Com 11 anos você não sabe a diferença de um gato para um tigre?

Deixando um pouco o tigre de lado, vamos lembrar um pouco das histórias da Bíblia. Sem a menor conotação católico-cristã, mas apenas como exemplo. Muita gente atribui o pecado original ao sexo, fazendo uma analogia direta da mordida na maçã com rala e rola entre Adão e Eva. Mas Deus não poderia castigar pelo sexo, senão inviabilizaria a reprodução humana e jogaria por terra o famoso “crescei e multiplicai”.

O pecado original que condenou Eva e seu amasio ao mundo terreno foi a DESOBEDIÊNCIA. Deus deixou bem claro: não coma a fruta dessa árvore! E quando virou as costas lá foi ela e nhoc! Não tinha uma placa na macieira do tipo “fique longe, não coma”. Por trás da desobediência está o conceito que quero chegar: o desrespeito!

Voltando ao zoológico, qual o padrão de comportamento dos visitantes: enfiar o braço na jaula ou manter-se afastado? Se uma criança violou o padrão é preciso olhar para esse caso isolado e tentar entender melhor de onde vem o comportamento tão prepotente.

Hoje em dia existe uma enorme confusão aqui em terras brasileiras com relação à educação. Também já escrevi sobre isso. E é um tal de pais entregarem seus filhos às escolas na crença cega de que o pimpolho sairá de lá um lorde inglês e com conhecimento de filósofo alemão. Mas em casa o filho faz o que quer, passa o dia no videogame, desobedece os pais e eventualmente despreza a autoridade dos empregados.

Educação é aquele conjunto de regras transmitidos de pais para filhos como uma carga genética. O que a escola transmite é conhecimento. Portanto, escola não educa, quem educa é o convívio familiar. Já defendi mais de um milhão de vezes a mudança do nome de ministério da Educação para ministério do Ensino.

Pergunto, que tipo de pai pode gerar um filho tão incapaz de entender a regra mais elementar, bíblica e basilar da educação que é a obediência? Que tipo de exemplo esse garoto tem em casa para ignorar tão descaradamente os perigos que envolvem o enfrentamento de um animal feroz? Uma criança que atiça descaradamente um animal selvagem como o tigre respeita seus professores? Obedece seus pais?

É o reflexo da falta de cuidado na educação, não da escola, mas aquela da formação do caráter. Quem enfrenta um tigre não é corajoso – como escreveram alguns – ou simplesmente desobediente?

Chamou-me a atenção o comentário de vários jornalistas que reforçaram o fato de no momento do acidente não ter nenhum vigia, embora o zoológico tenha se defendido alegando que a área é monitorada por quatro fiscais.

Ora, jornalistas são pessoas esclarecidas, viajam e normalmente voltam do exterior sempre com uma história de civilidade na ponta da língua. Ficam impressionados que nos museus americanos o visitante deposita o valor em uma caixa que fica ali, ao alcance de qualquer um, mas ninguém pega. Contam – impressionados – que na Áustria as padarias deixam o leite fora e as pessoas pegam e depositam as moedas em um pote, sem ninguém vigiando.

Mas cobram o fato de naquele local do zoo não haver um vigilante. É ISTO que quero chamar a atenção: educação não é um comportamento expresso diante de fiscalização, o nome disso é obediência. Educação é o comportamento do indivíduo quando não tem NINGUÉM olhando!

Por isso a Prefeitura de SP instalou mais uma centena de radares e câmeras de vigilância, porque o motorista só consegue se manter educado sob constante fiscalização. Porque não foi educado. Os motoristas/motociclistas mal e porcamente foram instruídos, quando foram… E os ciclistas nem isso!

Pela ótica do jornalismo sensacionalista podemos perder a esperança em trânsito solidário sem que haja uma fiscalização opressiva e constante, como no zoológico. Não basta uma placa de proibido estacionar, precisa ter um fiscal. Não basta investir em passarela ou ciclovia, tem de fiscalizar. Não basta avisar que o leão é bravo, precisa colocar o braço lá dentro!

FONTE DO BLOG: @MOTITE