Vamos desligar o celular e ligar nossos filhos?

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Fazer uma obrigação civil pequena, como jogar o lixo no lixo e perceber que os outros não fazem, já te deixa chateado. Agora imagina o que é virar sua vida de cabeça para baixo, mudar de amigos, mudar de profissão, parar de ter profissão, se reinventar umas 4 vezes só para poder fazer a obrigação de criar filhos direito e perceber que a maioria não tá nem ai. Cenas como bebê tomando Coca-Cola na mamadeira, criança que nem anda indo para a escola passar 8/12 horas diárias, criança de 2 anos (ou menos) escolhendo em restaurante o que vai comer, criança de colo no cinema às 9 horas da noite para assistir O Homem de Ferro e tantas outras cenas que tenho presenciado nos últimos anos estão me deixando revoltada. No começo era por pena das crianças, que com tanta modernidade e tecnologia, adivinha? Continuam precisando de adultos para criá-las, protegê-las e orientá-las. (e sim, abrir mão de ir ao cinema para ficar com elas) Mas como sou da política “cada um no seu quadrado” vou tocando o barco, com meus muitos erros também. Acontece que hoje eu me dei conta que do mesmo jeito que o lixo jogado na rua pelo sem noção atrapalha a minha vida e a de todo mundo que faz direito, essas crianças criadas com excesso de tecnologia, excesso de competição, excesso de compromissos e zero limites e educação em casa também podem atrapalhar a estrutura da sociedade como um todo.

Foi pensando em tudo isso e planejando uma fuga para a lua que, para a minha surpresa, eu conheci duas mães maravilhosas que me fizeram ter de volta esperança na humanidade. E por isso é minha obrigação dividir.

Uma engenheira civil que construía hospitais e uma enfermeira com PHD, duas mulheres apaixonadas pela profissão mas que com muito amor e verdade decidiram largar o trabalho e se dedicar aos filhos. Até que o terceiro filho complete 5 anos. Significando privação de sono, de dinheiro e de tempo para elas mesmas. Sim, porque ninguém em sã consciência pode achar que é mais fácil ficar em casa e criar os filhos. Fique uma semana inteira (sem babá e empregada) e você vai ver. Mas elas não escolherem o fácil, escolheram o verdadeiro. Escolheram o que importa.

A vida não é uma corrida. Não é sobre quem tem o melhor carro, a melhor casa, ou vai aos melhores lugares. A vida não pode ser trabalhar e ligar a televisão depois de um dia exaustivo até esperar o final de semana quando se vai gastar um pouco (ou muito) dinheiro porque “merece”. A vida não pode ser ter filhos e lidar com a infância deles como se fosse um peso, um obstáculo e começar uma contagem regressiva para ver se passa logo. A vida precisa ser mais do que isso. E vai ser quando todo mundo entender que precisa prestar mais atenção no que importa. A fofoca, a foto no Instagram, a moda, as coisas que você compra com seu salário, as festinhas, tudo isso passa. Também passa a infância das crianças. E quando passar, você não vai conseguir se lembrar do que estava fazendo durante aqueles anos. Porque simplesmente não estava fazendo nada que importa.

Eu fiquei com o meu primeiro filho até ele completar 3 anos. Depois voltei a trabalhar em agência de publicidade porque precisávamos da grana. Em um ano pedi demissão e fui dar aula na faculdade só 2 manhãs por semana até minha filha mais nova completar 3 anos. Então recebi a proposta de ser coordenadora da agência da faculdade e meus olhos brilharam, meu coração pulou e eu aceitei. Trabalhava 4/5 horas por dia, mas precisei fazer pós a noite e com as distâncias de São Paulo, algumas vezes passava 7 horas por dia no carro entre uma obrigação e outra. E nessa época, (um ano) fiquei pouco tempo com meus filhos. Até que um dia eu vi na televisão duas mulheres super bem sucedidas se abrirem e com lágrimas nos olhos falarem que sentem muito por não ter passado tempo com os filhos durante a infância deles. A consequência chegou para elas e eu senti que ainda dava tempo de correr atrás do prejuízo. Pedi demissão (pela terceira vez) e fiquei com eles. Cheia de medo e insegurança, claro. Decidimos mudar para Miami e ter menos dinheiro e ser mais família. Do começo do processo de mudança até o começo das aulas aqui, eu fiquei com as crianças por 6 meses. Sem escola, sem babá, sem empregada e na maior parte do tempo, só eu e os dois. Não foi fácil, claro. Uma vez uma psicóloga me disse que para eu resolver minha crise de identidade que surgiu com o nascimento do meu filho sem planejar, eu precisava me entregar por inteiro nisso. Agora eu entendo o que ela disse. O amor constrói, o amor une, o amor liberta. Ou como diz esse lindo trecho do poema do Drummond “Não é pois todo amor algo divino e mais aguda seta que o destino?”

A vida é dura e às vezes muito feia. Ter uma criança e poder vivenciar sua infância é um presente. E se você se importa com questões sociais e ambientais, cuide bem do seu filho pelo bem do planeta, pela paz. Mas se você só pensa em dinheiro, essa mesma psicóloga (que tem doutorado em Paris e sabe das coisas) disse que não existe plano de previdência melhor para os pais, do que estar presente na infância dos seus filhos.

Talvez você só precisa desligar a televisão, desligar o celular, parar de olhar o computador, se desconectar com o mundo lá fora e se conectar com seu filho, bem lá dentro.

Por: Cris Leão

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Sobre danipeternel

A mãe mais felizzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz :) "Três coisas agradeço a Deus todos os dias de minha vida:o ter-me permitido o conhecimento de sua obra,o haver acendido a lâmpada da fé na minha treva material e o ter-me dado outra vida a esperar depois desta". (Frei Anselmo)

Uma resposta »

  1. Meu livro “O Diário de uma Vovó” será publicado em outubro desse ano e em uma das minhas conversas com o meu diário eu falo sobre isso…
    Terça-feira
    Querido diário,

    Não bastasse a alegria de acordar e logo depois ver o rostinho lindo do meu netinho, o sol amanheceu brilhando no céu azul do outono que mais parece forte inverno. Durante dois anos e meio mantive a minha jornada de avó tomando conta do neto para a filha continuar exercendo durante algumas horas do dia a sua segunda vocação porque a primeira é a maternidade e o trabalho na profissão que ela escolheu complementa esta realização. Ufa… Frase longa e sem pausa para retratar como foram os meus dias.
    Continuo tendo contato diário com meu neto, mas sem a responsabilidade do compromisso, ajudo quando sou requisitada. Eu sempre incentivei minhas filhas a trabalharem porque é importante a realização profissional, mas é mais importante ainda ter algumas horas durante o dia para se dedicar ao filho que decidimos ter por escolha própria e pensando também assim a mãe do meu neto trabalha por meio expediente. As mulheres lutaram e continuam lutando pelos seus direitos, mas na luta pela liberdade e na ambição desmedida de querer sempre mais elas se esqueceram do dom mais precioso, do fazer mais delicioso, do trabalho mais importante: a maternidade! Entregaram seus filhos ainda bebezinhos para as babás e as creches onde são apenas nomes que representam dinheiro no final do mês para seus cuidadores. Além da ausência física na vida dos filhos por conta do trabalho existe a ausência educacional por conta do cansaço e em algumas por causa do sentimento de culpa por não estarem presentes no dia a dia dos filhos; e assim acabam criando pessoas sem limites. Muitas vezes o abandono costuma acontecer por conta do desamor porque são filhos não esperados, filhos nascidos de uma transa qualquer. Não estou generalizando, estou analisando os erros e é claro que existem os acertos em todas as idades e classes sociais!
    Fico pensando nessas crianças criadas por babás e educadas por professores de um ensino onde a baixa remuneração exclui do mercado os mais capacitados. Crianças que nem nas férias têm o convívio da família. Quantas boas lembranças trago das minhas férias do colégio e que agora recordo com você, meu querido diário! Minha mãe e minha avó mudavam toda a rotina da casa, inventavam mil brincadeiras para nos distrair. Meu pai tirava alguns dias de férias para vivermos juntos esse período de descanso das tarefas escolares. Íamos à praia, ao boliche, fazíamos piqueniques, pescarias, que delícia a pizza depois do cinema!
    Mantive essa tradição com a minha família, quando voltávamos de viagem era hora de revisitar os pontos turísticos e divertidos de nossa cidade. Em casa além do vídeo-game videogame e filminhos da época do VHS procurávamos maneiras de passar o tempo. Lembro como se fosse hoje da conversa com uma vizinha. Ela disse que outra vizinha (será que não era ela mesma?) andava comentando que minha casa parecia de doido. Três crianças e um adulto com alma infantil no maior divertimento; correrias e gritarias, velotrol dentro de casa, carrinho de controle remoto e para culminar formávamos a bandinha dos desafinados: tambor, flauta, pandeiro e eu num teclado de sopro cujo nome não me recordo. Coitados dos vizinhos que não entravam no clima de férias! Hoje em dia tenho pena da maioria das crianças, que de férias da escola vão para as colônias de férias. Perdem os filhos, perdem os pais!
    Minha filha teve essa sorte de poder exercer a profissão por meio expediente e sorte maior em poder contar comigo para deixar o filho durante o horário de seu trabalho e sorte maior ainda eu ter saúde e tempo para essa tarefa deliciosa porque os netos são o melhor dos sentimentos! E não importa se eles não são tão participativos na vida da gente e ficam menos ainda depois que crescem; o que importa são os avós que nós somos! Eu sempre digo que amar faz bem a quem ama e de um modo ou de outro a retribuição do amor acontece.
    Felizes aqueles que guardam brilho no olhar; que cantam e encantam com seus sonhos; que tem no riso, um hino de amor e liberdade…
    Felizes aqueles que são fortes e ingênuos; que inventam travessuras para fazer sorrir; que estão sempre prontos para recomeçar…
    Felizes aqueles que se entregam quando acreditam; que se calam para não mentir…
    Felizes aqueles que se doam; que se prolongam nos filhos e que se enxergam nos netos.
    Amor incondicional, que não se abala, que é doação antes de tudo, que não espera reconhecimento, e resiste a ofensas. Reconheci este amor em minha mãe quando me fiz mãe!

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