Arquivo mensal: junho 2014

Vamos desligar o celular e ligar nossos filhos?

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Fazer uma obrigação civil pequena, como jogar o lixo no lixo e perceber que os outros não fazem, já te deixa chateado. Agora imagina o que é virar sua vida de cabeça para baixo, mudar de amigos, mudar de profissão, parar de ter profissão, se reinventar umas 4 vezes só para poder fazer a obrigação de criar filhos direito e perceber que a maioria não tá nem ai. Cenas como bebê tomando Coca-Cola na mamadeira, criança que nem anda indo para a escola passar 8/12 horas diárias, criança de 2 anos (ou menos) escolhendo em restaurante o que vai comer, criança de colo no cinema às 9 horas da noite para assistir O Homem de Ferro e tantas outras cenas que tenho presenciado nos últimos anos estão me deixando revoltada. No começo era por pena das crianças, que com tanta modernidade e tecnologia, adivinha? Continuam precisando de adultos para criá-las, protegê-las e orientá-las. (e sim, abrir mão de ir ao cinema para ficar com elas) Mas como sou da política “cada um no seu quadrado” vou tocando o barco, com meus muitos erros também. Acontece que hoje eu me dei conta que do mesmo jeito que o lixo jogado na rua pelo sem noção atrapalha a minha vida e a de todo mundo que faz direito, essas crianças criadas com excesso de tecnologia, excesso de competição, excesso de compromissos e zero limites e educação em casa também podem atrapalhar a estrutura da sociedade como um todo.

Foi pensando em tudo isso e planejando uma fuga para a lua que, para a minha surpresa, eu conheci duas mães maravilhosas que me fizeram ter de volta esperança na humanidade. E por isso é minha obrigação dividir.

Uma engenheira civil que construía hospitais e uma enfermeira com PHD, duas mulheres apaixonadas pela profissão mas que com muito amor e verdade decidiram largar o trabalho e se dedicar aos filhos. Até que o terceiro filho complete 5 anos. Significando privação de sono, de dinheiro e de tempo para elas mesmas. Sim, porque ninguém em sã consciência pode achar que é mais fácil ficar em casa e criar os filhos. Fique uma semana inteira (sem babá e empregada) e você vai ver. Mas elas não escolherem o fácil, escolheram o verdadeiro. Escolheram o que importa.

A vida não é uma corrida. Não é sobre quem tem o melhor carro, a melhor casa, ou vai aos melhores lugares. A vida não pode ser trabalhar e ligar a televisão depois de um dia exaustivo até esperar o final de semana quando se vai gastar um pouco (ou muito) dinheiro porque “merece”. A vida não pode ser ter filhos e lidar com a infância deles como se fosse um peso, um obstáculo e começar uma contagem regressiva para ver se passa logo. A vida precisa ser mais do que isso. E vai ser quando todo mundo entender que precisa prestar mais atenção no que importa. A fofoca, a foto no Instagram, a moda, as coisas que você compra com seu salário, as festinhas, tudo isso passa. Também passa a infância das crianças. E quando passar, você não vai conseguir se lembrar do que estava fazendo durante aqueles anos. Porque simplesmente não estava fazendo nada que importa.

Eu fiquei com o meu primeiro filho até ele completar 3 anos. Depois voltei a trabalhar em agência de publicidade porque precisávamos da grana. Em um ano pedi demissão e fui dar aula na faculdade só 2 manhãs por semana até minha filha mais nova completar 3 anos. Então recebi a proposta de ser coordenadora da agência da faculdade e meus olhos brilharam, meu coração pulou e eu aceitei. Trabalhava 4/5 horas por dia, mas precisei fazer pós a noite e com as distâncias de São Paulo, algumas vezes passava 7 horas por dia no carro entre uma obrigação e outra. E nessa época, (um ano) fiquei pouco tempo com meus filhos. Até que um dia eu vi na televisão duas mulheres super bem sucedidas se abrirem e com lágrimas nos olhos falarem que sentem muito por não ter passado tempo com os filhos durante a infância deles. A consequência chegou para elas e eu senti que ainda dava tempo de correr atrás do prejuízo. Pedi demissão (pela terceira vez) e fiquei com eles. Cheia de medo e insegurança, claro. Decidimos mudar para Miami e ter menos dinheiro e ser mais família. Do começo do processo de mudança até o começo das aulas aqui, eu fiquei com as crianças por 6 meses. Sem escola, sem babá, sem empregada e na maior parte do tempo, só eu e os dois. Não foi fácil, claro. Uma vez uma psicóloga me disse que para eu resolver minha crise de identidade que surgiu com o nascimento do meu filho sem planejar, eu precisava me entregar por inteiro nisso. Agora eu entendo o que ela disse. O amor constrói, o amor une, o amor liberta. Ou como diz esse lindo trecho do poema do Drummond “Não é pois todo amor algo divino e mais aguda seta que o destino?”

A vida é dura e às vezes muito feia. Ter uma criança e poder vivenciar sua infância é um presente. E se você se importa com questões sociais e ambientais, cuide bem do seu filho pelo bem do planeta, pela paz. Mas se você só pensa em dinheiro, essa mesma psicóloga (que tem doutorado em Paris e sabe das coisas) disse que não existe plano de previdência melhor para os pais, do que estar presente na infância dos seus filhos.

Talvez você só precisa desligar a televisão, desligar o celular, parar de olhar o computador, se desconectar com o mundo lá fora e se conectar com seu filho, bem lá dentro.

Por: Cris Leão

Confira todos os nossos brinquedos saudáveis inspirados na Pedagogia Waldorf em:

http://migre.me/iYNFK

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Não deixe um bebê chorar …

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De todas as teorias do universo materno, as que me assustam são: não dar colo para o bebê, regular a amamentação em horários cronológicos e deixar o bebê chorando. Elas me pegam na alma.

Bebes não sabem falar, nasceram em um ambiente aquático, escuro, cheio de movimento e calor e estão do lado de fora.

Precisam ser alimentados, estranham. Descobrem no peito uma maneira de ter o aconchego pleno.

Basta ver uma cadela: quando o filhote chora a mãe corre e aconchega. Bebês não choram a toa e se choram estão pedindo:

– Por favor me ajude

Ajude a dormir, a enfrentar a solidão, a lidar com a temperatura que oscila.

Quando um bebê pede colo ele está reconhecendo que você é uma segurança.

Quando você nega esse colo ele pode se acostumar com a negligência e resignar-se. Mas ele não está feliz.

Eu adoro o conceito: permita que as crianças sejam dependentes no momento em que podem ser, para que sejam independentes para toda a vida.

O que mais vejo neste mundo são pessoas dependentes e resignadas.

Dependentes de comida, de medicamentos, de sexo, de necessidade de aceitação.

São, algumas vezes, sobreviventes de pequenos ou grandes abandonos.

Algumas vezes vendo esses programas que difundem a idéia da Torturadora de bebês eu sinto algo inexplicável: eu choro com a mãe que chora, com o filho que dorme soluçando.

Não há nada mais fácil e prazeroso para mãe e bebê do que deitar junto com o bebe e dormir agarradinho.

É tão rápido que eles crescem. O que são 3 anos diante de uma vida toda?

Queremos tanto a independência precoce, exaltamos isso como troféu e depois questionamos onde se perdeu esse fio.

Eu vejo idosos abandonados com cuidadores ou em asilos e vejo ali o reflexo de uma sociedade que fecha os olhos para os dependentes trocando o amor por tecnologia, chupeta, mamadeira, berço que balança e no fim, uma cama fria e olhos de uma profissional contratada.

Assim começa a vida, assim ela termina. No meio um grande vazio que tentamos preencher. Um vazio cultivado em nome dessa ilusória independência precoce.

ESCRITO POR KALU BRUM

Mitos do desenvolvimento infantil x mães precavidas

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Escrito por em 12/jun/2013 …Mãe do lindo Theo e autora deste blog: http://lagartavirapupa.com.br/

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Fizemos uma festinha de aniversário para o Theo no sábado passado. Convidamos os amigos mais próximos, a maioria, com filhos. E o que aconteceu aqui foi bonito de se ver. Muitas crianças (autistas ou não) correndo, pra cima e pra baixo, suadas, se divertindo horrores.

Em um determinado momento da festa, comecei a prestar atenção no Enzo, o bonequinho da minha amiga Marcelle. Enzo tem 2 anos e 8 meses. Seus lindos olhos azuis se iluminaram, imediatamente, ao ver um grupo de crianças brincando. E quis se juntar a elas, mesmo sem nunca tê-las visto na vida.

Uma das crianças do grupo era o Pedro, 9 anos, autista. Brincando de sua maneira peculiar, foi para o escorregador e desceu de costas! Logo em seguida, foi o Enzo. E ia fazer o mesmo! Aquele toquinho de gente querendo descer de costas no escorregador! A Marcelle foi rápida o suficiente para segurá-lo, mas logo estava ele, de novo, correndo atrás das mesmas crianças.

E um grupo entrou na piscina de bolinhas. Lá foi o Enzo atrás. Eles jogavam bolinhas uns nos outros, e o Enzo ali, fazendo de tudo para entrar na turminha e participar da brincadeira.

E, enquanto observava tudo, me peguei pensando: se eu tivesse a mínima noção de que isso era uma criança típica, talvez, teria notado que meu filho era diferente já com 1 aninho. Porque foi com essa idade que ele entrou na escolinha, pela primeira vez, e não demonstrou o MENOR interesse por outras crianças. E continuou assim até os 2 aninhos, quando foi para a segunda escola e, lá, fomos chamados para “aquela” conversa.

Mas, aliviando o “mea culpa”, sabe o que teria acontecido se eu notasse algo de estranho? Provavelmente, eu teria questionado a pediatra dele, na época. “Doutora, Theo não se interessa por outras crianças”. E sabe o que ela teria dito? O que a maioria dos pediatras, atualmente, diz: “Ele é filho único, tem pouco tempo na escola, isso é normal”.

Digo isso pelos relatos que ouço de dezenas de mães todos os meses. Ao notarem que o filho de dois anos ainda não fala, ou que se isola dos demais, o que mais ouvem dos médicos é uma variação das combinações possíveis entre as seguintes explicações:

  • Ele é muito mimado porque é filho único
  • Ele não tem sido estimulado da maneira adequada
  • Você dá tudo na mão dele
  • Cada criança tem o seu tempo
  • Não se deve comparar uma criança com a outra

E o que algumas mães têm feito ao ouvir essa conversa dos pediatras? Consultam outras mães ou amigas, pessoalmente, ou em grupos da internet. E, pasmem, tenho notado que até as mães têm absorvido e repetido o mesmo discurso dos pediatras: “não se preocupe, procure estimulá-lo que isso passa, cada criança tem seu ritmo”.

E, sinto muito, mas as notícias ruins ainda não acabaram. Tenho ouvido de MUITAS mães que, alguns neuros, teoricamente entendedores de transtornos do desenvolvimento, têm dito para elas coisas como “não se faz diagnóstico em criança tão nova”, ou “vamos esperar até os 3 anos”, ou “não se faz intervenção para atrasos do desenvolvimento em crianças com menos de 5 anos”. Por favor, parem o mundo que eu quero descer!

Para começar, o médico pode até se recusar a fechar um diagnóstico em uma criança de 2 anos ou menos porque, dependendo de como ela responder à intervenção, as características do atraso podem variar muito: algumas chegam mesmo a perder os sintomas. Outras, permanecem com o atraso de linguagem ou outras características. Então, pode até ser que não se bata o martelo sobre “o tipo” de atraso no desenvolvimento em uma criança de 2 anos. Mas sabemos que ele está lá! E tem tratamento, sim! E, quanto antes ele começar, melhor!

A dra Simone Pires publicou, ontem, em seu Facebook pessoal, sobre a importância do diagnóstico precoce dos Transtornos do Espectro Autista: “a academia de pediatra (EUA) fez ” uma avaliação” rápida que deveria ser aplicada aos 18 meses DE TODAS CRIANÇAS , para ter sinais de alerta para o diagnóstico do TEA. Segue o link , para quem quiser passar para escolas, pediatras, hospitais . O teste é fácil e rápido e chama a atenção para alterações no desenvolvimento: http://firstwords.fsu.edu/pdf/Checklist_Scoring_Cutoffs.pdf

Daí, aquela sua amiga pode te dizer “ah, mas o meu filho só falou com 3 anos e é uma criança normal”. Que bom pra ele. Mas ele é exceção, não regra. Todo atraso de linguagem, a partir dos 18 meses, deve ser investigado!

E, se por um acaso, um médico te disser “não fazemos diagnóstico ou terapias em crianças tão novas”, conte pra ele a história da Agatha, que começou a intervenção aos 9 meses e, hoje, aos 2 anos, não apresenta mais nenhum atraso: http://lagartavirapupa.com.br/mari-e-agatha-amor-intervencao-precoce-e-milagres/

Como mãe, eu prefiro pecar pelo excesso, nunca pela falta. Prefiro uma verdade incômoda a uma mentira reconfortante.

Espero que a maioria de vocês também pense assim! Uma mãe precavida vale por duas!

P.S: Se você quiser dar uma checada nos marcos do desenvolvimento por idade, clique AQUI.

Criança autista terá tratamento especializado

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Santa Casa de Misericórdia abre, em agosto, serviço inédito. Pais também serão atendidos

Beatriz Salomão
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Rio – Atendimento especializado, gratuito e com profissionais de ponta para crianças com autismo. O serviço de psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro está com inscrições abertas para receber pessoas de 3 a 12 anos de idade com o transtorno. O tratamento começa em agosto.

Psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos e médicos farão o cuidado. Pequenos de 3 a 6 anos terão atendimento individual. A novidade é que os responsáveis também participarão. A ideia é que eles aprendam técnicas de estímulo para fazer com as crianças, fora do ambiente hospitalar. Haverá ainda oportunidade de os pais conversarem com outros responsáveis que passam pela situação.

Segundo Fábio Barbirato, chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa, para as crianças entre 7 e 12 anos o atendimento será em grupo, a fim de desenvolver as habilidades sociais neles. “Teremos algo de referência na Santa Casa. Os profissionais aplicarão o que há de mais moderno no tratamento do autismo”, explica.

 

Após a inscrição, no final de julho, os profissionais avaliarão as crianças e vão selecionar aquelas que se encaixam no perfil do serviço. Este ano, o atendimento não inclui pequenos com retardo mental, mas, segundo o psiquiatra, esse grupo será tratado no futuro.

Como saber se o seu filho precisa de ajuda? Algumas atitudes podem ser indícios de que é preciso procurar tratamento especializado. Segundo Barbirato, para crianças de até seis meses, um sintoma é não apresentar expressão de alegria. Para pequenos com um ano e quatro meses, um sinal pode ser não falar nenhuma palavra.

“Em crianças mais velhas, temos o isolamento social, passividade diante dos outros e abreviação de frases”, declara. Há ainda a repetição incessante de movimentos, rotinas e incômodo diante de mudanças.

Para se inscrever
O tratamento dura até o fim do ano. Serão 35 vagas para crianças de até 6 anos e 40 vagas para pequenos de 6 a 12 anos. Inscrição: 2533-0118 e 2221-4896 (das 14h às 17h).

Problema afeta mais os meninos
Em meninos e meninas, os sintomas são os mesmos, mas o transtorno afeta mais crianças do sexo masculino, segundo Miguel Angelo Boarati, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
O diagnóstico precoce permite que sejam trabalhadas as falhas de comunicação e de habilidades sociais desde muito cedo. “O ideal é que se diagnostique antes dos três anos”.

Teste

Alguns sinais indicam o transtorno

A criança se interessa por bebês ou por outras crianças?

a) Sim
b) Não

Seu filho costuma apontar com o dedo para alguma coisa que esteja longe indicando interesse (ou para que um adulto olhe?

a) Sim
b) Não

Costuma trazer objetos para mostrar?

a) Sim
b) Não

Tem o hábito de imitar outras pessoas?

a) Sim
b) Não

A criança olha para você quando você a chama pelo próprio nome?

a) Sim
b) Não

Se um adulto apontar para um brinquedo na sala, a criança olha para o objeto?

a) Sim
b) Não

A criança costuma fingir que abraça uma boneca, que alimenta um animal ou finge outras coisas?

a) Sim
b) Não

RESULTADO: A partir de 3 letras B, é necessário passar pela avaliação de um médico. Somente um profissional pode dar o diagnóstico.

5 pilares para o seu filho desenvolver inteligência emocional

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Antes de mais nada, é preciso ter em mente que uma criança emocionalmente saudável não é aquela que não chora, tampouco se frustra ou se irrita, mas aquela que aprimora, constantemente, a compreensão sobre as próprias emoções, como explica o psicólogo Marcelo Mendes, da PUC-Campinas (SP).

A habilidade de reconhecer os próprios sentimentos, compreender os dos outros e saber lidar com eles é o que a psicologia chama de inteligência emocional (QE) – e ela é tão importante quanto o quociente de inteligência (QI), porque confere a serenidade e o discernimento necessários para que as funções cognitivas trabalhem plenamente. Ou seja, de nada adianta seu filho ser um gênio se ele não souber lidar com as críticas, por exemplo. Veja cinco pontos-chave para desenvolver a QE no seu filho:

Vínculos afetivos e efetivos: Até os laços familiares exigem empenho e manutenção para se firmarem. Isso significa estar ao lado, acompanhar (e não apenas cobrar), achar o equilíbrio entre intenso e sereno. Mesmo ao mais ocupado dos pais, não pode faltar o momento de conversar, orientar, pegar na mão, olhar nos olhos e entender as angústias. Isso vai contribuir para que o seu filho se sinta seguro e saiba que pode contar com você.

Autoestima: Dizer, o tempo todo, que a criança é a mais linda do mundo não vale muito. Autoestima de verdade tem mais a ver com permitir que ela se sinta segura, arrisque-se mais e confie no próprio potencial, sem depender das opiniões alheias. O elogio é válido desde que seja pertinente. “Em vez de elogiar a capacidade, parabenize o esforço. Aí, sim, a criança será motivada a sempre superar a si mesma.” Isso quer dizer que frases como “Parabéns, você conseguiu terminar a lição” são muito melhores do que “Como você é bom em matemática!” , diz a psicopedagoga Quézia Bombonato, da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

Resiliência: Está relacionada à capacidade de lidar com problemas e superar obstáculos. Uma revisão de estudos da Universidade da Pensilvânia (EUA) descobriu que equipes escolares preocupadas em ensinar resiliência e otimismo no dia a dia protegem as crianças contra a depressão, aumentam a satisfação com a vida e melhoram a aprendizagem. O exercício dessa habilidade depende da interação com o outro, ao fazer com que a criança entenda que nem sempre tudo vai acontecer como deseja. Às vezes, é preciso esperar, outras, é necessário ceder ou recuar.

Frustrações: Uma boa dose delas dá ao seu filho algo importante: choque de realidade. Não ganhar um brinquedo ou perder um jogo podem fazê-lo sofrer, mas são ótimos ensaios para as situações que precisará enfrentar mais para a frente, quando se deparar com um “não”. Saiba que ele vai se decepcionar e chorar. Mas também vai aprender. Além de dar a negativa, você precisa fazer com que ele entenda o porquê. Assim, vai adquirir uma consciência crítica e a proibição se traduzirá em aprendizado. E se vier a birra, ofereça apoio e afeto. Verbalize que ele está chorando porque sente raiva ou está decepcionado, mas que tem de lidar com isso.

Brincadeira (muita!): Toda angústia ou receio que incomoda seu filho e ele não sabe expressar pode ser manifestado de forma espontânea no ato de brincar. É pela diversão, principalmente coletiva, que se desenvolve o senso de competência, de pertencimento, o controle da agressividade e o bem-estar. “O brincar e a arte são formas de expressão que possibilitam elaborar situações do cotidiano, externando sentimentos”, explica Adriana Friedmann, antropóloga e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento (SP). Quando uma criança brinca de casinha e se põe no lugar da mãe, tem a chance de refletir sobre as ações e características do imitado. Ao interagir com outras crianças, aprende a respeitar a opinião do outro, descobre que existem regras e que nem sempre tudo será do jeito dela.

FONTE: REVISTA CRESVER

O dia em que parei de dizer “Anda Logo”

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Quando você leva uma vida distraída, cada minuto precisa ser contabilizado. Parece que você está sempre riscando alguma coisa da lista, olhando para uma tela ou correndo para o próximo compromisso. E por mais que tente dividir seu tempo e atenção de um jeito ou de outro, por mais deveres que tente equilibrar ao mesmo tempo, o dia nunca dura o suficiente para correr atrás do prejuízo.

Essa foi minha vida durante dois anos de correria. Meus pensamentos e minhas ações eram controlados por alertas eletrônicos, toques de celular e agendas abarrotadas. Apesar de cada gota do meu sargento interior me mandar chegar a tempo para cada compromisso em meus dias superlotados, eu não conseguia.

Acontece que seis anos atrás, eu fui abençoada com uma filha calma e despreocupada, daquelas que sabe relaxar um pouco e aproveitar o mundo.

Quando eu precisava já estar fora de casa, ela escolhia uma bolsa e uma tiara com todo o tempo do mundo.

Quando precisava estar em algum lugar cinco minutos atrás, ela insistia em colocar seu bichinho de pelúcia na cadeirinha do carro e apertar o cinto de segurança.

Quando eu precisava pegar um almoço rápido no Subway, ela queria conversar com a velhinha que parecia sua avó.

 

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Quando eu tinha 30 minutos para dar uma corridinha, ela queria que eu parasse o carrinho para acariciar todos os cachorros do caminho.

Quando eu tinha um dia cheio que começava às seis da manhã, ela pedia para quebrar os ovos e mexê-los bem devagarinho.

Minha filha calma e despreocupada foi uma dádiva para minha natureza workaholic e frenética, mas eu não enxergava isso. Não, nem de perto.

Quem leva a vida distraída está sempre usando viseiras, sempre de olho no próximo item da agenda. E tudo que não pode ser riscado da lista é pura perda de tempo.

Sempre que minha filha me forçava a desviar do meu cronograma, eu pensava “Não temos tempo para isso”. Por consequência, as duas palavras que mais dizia para minha pequena amante da vida eram: “Anda logo”.

Eu começava minhas frases com elas.
Anda logo, vamos chegar atrasados.

Eu terminava minhas frases com elas. 
Vamos perder tudo se você não andar logo.

Eu começava meu dia com elas.
Anda logo e come esse café da manhã de uma vez.
Anda logo e vai se vestir.
Eu terminava meu dia com elas.

Anda logo e vai escovar os dentes.
Anda logo e vai dormir.
E apesar das palavras “anda logo” não fazerem nada para acelerar minha filha, eu as repetia ainda assim. Talvez até mais do que aquelas outras palavrinhas, “eu te amo”.

A verdade dói, mas a verdade cura… e me deixa mais próxima da mãe que quero ser.

Até que chegou o dia fatídico e tudo mudou. Havíamos acabado de buscar minha filha mais velha do jardim de infância e estávamos saindo do carro. Como a menor não estava saindo rápido o suficiente, a mais velha disse para a irmãzinha: “Você é tão lenta”. E então ela cruzou os braços e soltou um suspiro de frustração. Foi como me ver no espelho, e a sensação foi horrível.

Eu estava fazendo bullying com minha própria filha, pressionando e apressando uma criancinha que simplesmente queria aproveitar a vida.

Meus olhos se abriram. Eu enxerguei os danos que minha existência apressada estavam causando em minhas duas filhas.

Minha voz tremeu, mas eu olhei nos olhos da minha pequenininha e disse: “Desculpa por estar fazendo você se apressar tanto. Eu adoro que você faz as coisas com calma e queria ser mais parecida com você”.

Minhas duas filhas pareceram igualmente surpresas com minha admissão dolorosa, mas o rosto da mais novo tinha um brilho inconfundível de validação e aceitação.

“Prometo que vou ser mais paciente a partir de hoje”, eu disse, abraçando minha menininha de cabelo cacheado, que agora sorria com a promessa da mãe.

Foi fácil riscar a expressão “anda logo” do meu vocabulário. Mais difícil foi adquirir a paciência para esperar minha filha mais descansada. Para ajudar nós duas, comecei a dar a ela mais tempo para se preparar quando tínhamos que ir a algum lugar. Às vezes, ainda assim chegávamos atrasadas. Eram os momentos em que eu repetia para mim mesma que só teria mais alguns poucos anos de atraso, enquanto ela fosse jovem.

Quando saíamos para caminhar ou íamos ao mercado, eu deixava minha filha determinar o ritmo. E quando ela parava para admirar alguma coisa, eu tentava esquecer minha agenda e simplesmente assistia o que ela estava fazendo. Vi expressões no rosto dela que nunca tinha encontrado antes. Estudei as covinhas em suas mãos e o jeito que seus olhos se enrugavam quando ela sorria. Vi o modo como as outras pessoas reagiam quando minha filha parava para conversar com elas. Vi o modo como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela era uma Percebedora, e logo descobri que os Percebedores são dádivas raras e belas. Foi quando finalmente entendi que ela era um presente dos céus para minha alma frenética.

Fiz minha promessa de desacelerar quase três anos atrás, ao mesmo tempo que comecei minha jornada para me livrar das distrações diárias e entender o que importa de verdade. E viver em um ritmo mais calmo ainda exige um esforço consciente. Minha caçula é um lembrete vivo de por que preciso seguir tentando. Na verdade, poucos dias atrás ela fez uma coisa que me lembrou disso tudo de novo.

Nós duas havíamos saído de bicicleta para visitar uma banca de raspadinhas enquanto estávamos de férias. Depois que comprei o doce gelado para minha filha, ela se sentou em uma mesa de piquenique e ficou admirando a torre gelada que tinha na mão.

De repente, ela me olhou com o rosto cheio de preocupação. “Preciso correr, mamãe?”

Eu quase chorei. Talvez as cicatrizes de uma vida apressada nunca sumam por completo, pensei com tristeza.

Quando minha filha levantou os olhos, esperando para saber se poderia comer a raspadinha com calma, eu sabia que tinha uma escolha. Eu poderia ficar ali sentada, triste, pensando sobre o número de vezes em que apressei a vida da minha filha… ou poderia celebrar o fato de que hoje estou tentando ser diferente.

Escolhi viver no dia de hoje.

“Você não precisa se apressar. Demore o quanto precisar”, eu disse calmamente. Seu sorriso se abriu imediatamente e seus ombros relaxaram.

Nós ficamos sentadas lado a lado, conversando sobre coisa que meninas de seis anos que tocam ukulele gostam de conversar. Houve até alguns momentos em que ficamos em silêncio, simplesmente sorrindo uma para a outra e admirando a paisagem e os sons ao nosso redor.

Achei que minha filha ia comer a raspadinha inteira, mas quando chegou no finalzinho, ela estendeu uma colherada de cristais de gelo e suco docinho para mim. “Guardei a última mordida para você, mamãe”, minha filha disse orgulhosa.

Eu deixei o gelo gostoso matar minha sede e percebi que tinha feito o melhor negócio de toda a minha vida.

Eu dei à minha filha tempo… e, em troca, ela me deu sua última mordida e me lembrou que tudo é mais doce e o amor é mais fácil quando paramos de correr pela vida.

Seja…

Comendo raspadinha

Apanhando flores

Apertando os cintos de segurança

Quebrando ovos

Achando conchas na praia

Observando joaninhas

Passeando na calçada

Não vou dizer “Não temos tempo para isso”, porque é basicamente o mesmo que dizer “Não temos tempo para viver”.

Fazer uma pausa para aproveitar as alegrias simples do cotidiano é o único jeito de viver de verdade.

(Confiem em mim, eu aprendi com a maior especialista do mundo na área de como ter uma vida alegre e feliz.)

* O texto foi publicado originalmente no blog Hands Free Mama, de autoria da professora norte-americana Rachel Macy Stafford