O que uma criança precisa saber sobre sustentabilidade aos 4 anos de idade…

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Hoje me sentei determinada a escrever mais sobre um dos meus projetos preferidos: o trabalho com as crianças. Começo aqui uma série de cinco artigos sobre educação ambiental na primeira infância. Eles brotam do coração… são relatos pessoais curtos, lembranças e reflexões ligadas aos projetos que coordeno no Rio de Janeiro, o Ecologia Viva.

O título (O que uma criança precisa saber sobre sustentabilidade aos 4 anos de idade) veio de um artigo que gostei de ler recentemente (veja abaixo) e que é bem interessante para quem tem filhos pequenos ou trabalha com a primeira infância.

Começo pelo meu começo. Minha chegada na educação infantil.

A primeira coisa que descobri sobre o trabalho com crianças com menos de 6 anos de idade é que as dezenas de livros especializados sobre o tema das aulas não poderiam me ajudar. Nem os cursos sobre como plantar e cuidar de mudas de árvores, hortas ou minhocas.

Descobri logo que na educação infantil o MAIS importante é SER o que se pretende passar.

SER e SENTIR.

É preciso ter a emoção autêntica na pele, em cada ato, em cada palavra, em cada olhar, em cada toque. Crianças não se iludem com palavras bonitas. No máximo, se encantam com sons lindos e cores e podem se distrair por algum tempo. Mas elas sentem quando o adulto está irritado, impaciente, em dúvida, ansioso. E respondem a isso tornando-se imediatamente inquietas, choronas… Não há regra para as possíveis respostas infantis. O que aprendi foi a importância de me autorregular constantemente para ficar 100% no momento presente, vivendo o real, autêntico, sentindo a dinâmica das reações e trocas.

É claro que esta constatação foi um insight desafiador. Quase como minha experiência com a meditação. Que tarefa difícil para a mente.

No meu caso, que vinha do jornalismo, de trabalhos em redação e de uma série de especializações mais gerais em educação ambiental que não abordavam a infância, o primeiro ano de trabalho foi de muita adaptação.

Afinal, eu não tinha planejado trabalhar com os pequenos. Na verdade, eu tinha conteúdo para os adultos e jovens. Só que, desde 2010, a vida foi me colocando em projetos com crianças na faixa dos 3, 4, 5 anos.

Lembro das primeiras aulas. Chegava na classe com um planejamento milimetricamente calculado, com todas as atividades, tempo exato, materiais para as 15 crianças. E o plano nunca era cumprido. Nunca, nunca, nunca. Em alguns casos, a aula deveria ter uma determinada música sobre plantas, porém, as crianças estavam agitadas demais, com sono, ou se encantavam com a caixa de materiais que tinha um bichinho desenhado, ou queriam dançar… Mas a atividade de dança tinha sequência depois da pintura, que viria após a música… Elas derrubavam todo o meu planejamento e expunham o meu apego ao controle.

Então… precisei abrir mão dele, da minha necessidade de organizar as coisas, esquematizar. No seu lugar, coloquei fluidez, sensibilidade, mais carinho, mais conexão. Hoje entendo que quem me deu aula foram eles. Me ensinaram a ser menos mental, mais solta, mais autêntica, muito mais leve, mais verdadeira…

O que ensinei em troca: o meu amor pela natureza, a plantar um monte de coisas, que podemos sujar as mãos e depois lavando fica tudo bem, que as minhocas são nossas amigas, que verduras são gostosas, que ficar descalço na grama é bom, que a terra não é sujeira, é viva, que as plantinhas precisam de amor, que é bom compartilhar com os colegas, que a natureza é mágica e o quanto é gostoso pensar nela como a nossa casa.

E, assim, as aulas passaram a ficar muito, muito mais interessantes para todo mundo, realmente vivas como eu sempre quis que fossem! E tudo fez sentido para mim, me organizei internamente para SER o que eu queria transmitir e, só depois, trabalhar no conteúdo teórico que uma criança tão pequena pode receber sobre sustentabilidade!

Ahhh, vale a pena ler. Aqui compartilho a tradução de parte do artigo O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade?”, por Alicia Bayer, publicado em um conhecido portal de notícias americano – The Huffngton Post.

Ela propôs uma lista para pais e mães bem mais interessante do que itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e sobrenome, saber contar até 100.

Veja alguns exemplos abaixo:

– Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.

– Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.

– Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.

– Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.

– Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.

– Deve saber que o mundo é mágico e ela também.

– Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.

– Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.

E ainda acrescenta uma lista que considera mais importante. A lista do que os pais devem saber:

– Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.

– Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.

– Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.

– Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.

– Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Têm direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.

*por Cristiane Assis

Sobre danipeternel

A mãe mais felizzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz :) "Três coisas agradeço a Deus todos os dias de minha vida:o ter-me permitido o conhecimento de sua obra,o haver acendido a lâmpada da fé na minha treva material e o ter-me dado outra vida a esperar depois desta". (Frei Anselmo)

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