Arquivo mensal: agosto 2013

10 habilidades emocionais que as crianças precisam desenvolver… e como você pode ajudar seu filho na prática no dia a dia ;)

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Autoconfiança

Ressaltar as qualidades do seu filho e mostrar que você acredita na capacidade dele é a chave para que ele faça o mesmo. Na hora de repreendê-lo, por exemplo, foque no comportamento ruim em vez de rotulá-lo. “É preciso censurar o fato e não quem o praticou. Se eu digo a uma criança que ela é teimosa, ela vai acreditar nisso e se tornar mais teimosa”, explica Edimara de Lima, psicopedagoga e diretora da Prima Escola Montessori, em São Paulo. Reforce o que for positivo, mas não elogie sempre, só por elogiar, para não criar uma postura arrogante nem uma pessoa que não saberá lidar com críticas. No dia a dia, mostre que ele pode contar com seu apoio para realizar tarefas simples, como escovar os dentes, mas, ao mesmo tempo, dê autonomia para que ele aprenda a fazer sozinho e encontre a sua própria maneira.

Coragem

Ter medo de algo que não conhecemos ou não conseguimos entender é natural, e até esperado. Toda criança já teve medo do escuro ou do bicho papão. Para ajudar seu filho a encarar esses e muitos outros receios que vão surgir (do vestibular, de aprender a dirigir e até de conhecer a sogra), dê espaço para que ele expresse e entenda o que está sentindo. Uma boa dica é usar livros e filmes que falem sobre esses medos. O primeiro dia na escola pode parecer assustador, mas depois que ele enfrentar as primeiras horas e se acostumar com a classe vai perceber que está tudo bem, e que ele nem precisava ter ficado com tanto medo. “A coragem é essencial para que possamos aceitar desafios, ir atrás dos nossos objetivos, aprender coisas novas e defender os nossos valores”, afirma Steven Brion-Meisels, educador que há mais de 35 anos trabalha com o tema e é professor da Escola Superior de Educação de Harvard, da Lesley University (ambas nos EUA) e da Universidade de Los Andes (Bogotá, Colômbia).

Paciência

“Tá chegando?” Quantas vezes você já ouviu isso durante uma viagem longa? Aprender que não podemos controlar tudo e que é preciso saber esperar não é fácil nem para nós, adultos, imagine então para uma criança que está ansiosa, entediada ou ainda não entende totalmente a passagem do tempo. Mas as filas de banco e as salas de espera de consultórios médicos são apenas algumas das situações que vão exigir do seu filho paciência. Mostre para ele que cada coisa tem o seu tempo. Um jogo em família ou uma conversa na mesa de jantar são bons exemplos de situações cotidianas em que cada um precisa esperar a sua vez, seja para jogar ou para falar e ser ouvido.

Persistência

Quando estiver aprendendo a andar, seu filho vai se desequilibrar e cair, e por isso mesmo precisa do seu apoio e incentivo para perceber que um pouco de treino e muita persistência vão garantir seus primeiros passos. E esse é apenas um dos muitos desafios que ele vai enfrentar, então não caia na tentação de fazer tudo por ele. “O estímulo positivo é importante. Mostre que o fato de ele não ter sucesso naquele momento, naquela atividade específica, não quer dizer que ele nunca vai conseguir vencer o desafio”, diz Quézia Bombonatto, terapeuta familiar e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Só assim ele vai poder traçar metas e superar os obstáculos para alcançar seus objetivos sem desistir no meio do caminho.

Tolerância

Quando vai para a escola, seu filho entra em contato com dezenas de outras crianças com realidades e comportamentos diversos e muitas vezes totalmente diferentes de tudo que ele conhece. Aprender a aceitar essas diferenças é o começo do caminho para uma convivência tranquila e harmoniosa com o outro. “É importante criar oportunidades de interações mais cooperativas, como jogos coletivos, para que a criança comece a conhecer tanto as regras quanto as necessidades dos outros”, afirma o psicólogo Ricardo Franco de Lima, especializado em Neurologia Infantil. E os seus modelos também contam muito para o desenvolvimento da tolerância do seu filho. Ele só vai aprender a compreender o outro se vir os pais fazendo isso no dia a dia. Quer um exemplo? Sua atitude com os mais velhos é que vai ajudá-lo a ter paciência com os avós e com o irmão mais novo.

Autoconhecimento

Quem sou eu? Eu gosto disso ou prefiro aquilo? Essas indagações só vão passar pela cabeça do seu filho por volta dos 3 anos. É quando ele vai começar a se questionar, a se perceber e, claro, a expressar suas vontades, agora com motivos e razões mais consistentes. Aos poucos, ele vai se conhecer melhor e isso será fundamental para que ele pense e aja com mais segurança, respeitando o que sente. Também é o primeiro passo para se relacionar com as pessoas à sua volta. “A criança aprende primeiro a se relacionar com ela mesma, a entender o que sente, para depois transferir esse conhecimento para a relação com o outro”, diz a psicopedagoga Quézia Bombonatto. Incentive seu filho a perceber quais são suas preferências, pergunte, peça para ele explicar, conte as suas próprias histórias. Sempre ofereça opções e pergunte de qual ele gosta mais e o porquê.

Controle dos impulsos

Uma sala vazia, uma criança de quatro anos e um marshmallow. A proposta é simples: ela pode comer o doce ou esperar e ganhar mais um, ficando com dois. Esse teste foi criado por um pesquisador da Universidade de Stanford (EUA) há mais de 50 anos para analisar quais crianças eram capazes de controlar suas emoções para conseguir conter seus impulsos.
O estudo voltou a analisar as mesmas crianças anos depois, no ensino médio, e aquelas que resistiram à tentação de comer o primeiro marshmallow por cerca de 20 minutos tinham um desempenho escolar maior do que as que comeram. Isso porque elas sabiam adiar a satisfação para ter uma recompensa. “Querer não é errado, mas nem sempre é possível ter o que queremos, por isso é tão importante controlar o desejo e as reações frente aos impulsos”, diz o psicoterapeuta Iuri Capelatto. Em casa, terá dias que ele vai querer comer correndo para ganhar logo a sobremesa. Mas ensine que ele deve, primeiro, esperar todos acabarem o jantar.

Resistência às frustrações

“Dizer não é a maior prova de amor que um pai pode dar”, afirma a psicóloga Ceres de Araújo. É assim, com pequenas doses de frustração, que seu filho vai aprender a lidar com as adversidades e a superar os problemas sem se deixar abater. Isso é o que os especialistas chamam de resiliência, ou seja, a capacidade de sobreviver às dificuldades e usá-las como fonte de crescimento e aprendizado. Se ele não souber lidar com pequenos “nãos”, como “aí não pode”, “é hora de ir embora”, “esse brinquedo é caro demais”, terá mais dificuldade de aceitar e superar o não do chefe ou da namorada, por exemplo. E tentar poupá-lo só vai atrapalhar. “Os pais precisam parar de confundir felicidade com satisfação de desejos. As crianças precisam ter contato com pequenas impossibilidades para poder lidar com as maiores depois”, completa a psicopedagoga Edimara. Portanto, não se culpe por ter de dizer não a ele de vez em quando. Isso só fará bem para todos vocês!

Comunicação

Conversar sobre o que seu filho fez durante o dia é um estímulo para que ele aprenda a organizar as ideias e transformá-las em frases de uma forma que os outros possam compreender. Provavelmente a primeira resposta será “legal”, mas não desista! Fazer outras perguntas ou até falar sobre o seu dia também pode ajudar. Afinal, de nada vai adiantar ele ter boas ideias se não conseguir contá-las aos outros. “Outras atividades que favorecem a interação verbal também são importantes, como contar e recontar histórias, interpretar essas mesmas histórias e ler um livro junto com os filhos”, diz o psicólogo Ricardo Franco de Lima. Mas mesmo antes de aprender a falar, o bebê já se comunica por meio de gestos e precisa ser estimulado a verbalizar. Se ele apontar para um objeto, por exemplo, em vez de entregá-lo prontamente, pergunte o que ele quer, fale o nome do objeto e dê um tempo para ele tentar articular alguns sons. Depois que ele aprender a ler e escrever, procure ensiná-lo também que, além da linguagem do bate-papo com os amigos, será importante para a vida que ele saiba o português formal, por mais complicado que isso possa parecer.

Empatia

Até por volta dos 2 anos, a criança só consegue ver as coisas a partir da sua perspectiva. A partir dessa idade ela já consegue se colocar no lugar do outro e pode começar a exercitar plenamente a empatia. “Para que seu filho entenda o que outra pessoa está sentindo, ele precisa de ajuda para reconhecer, nomear e expressar suas próprias emoções, bem como as consequências das suas ações”, diz o psicólogo Ricardo de Franco Lima. Diante de um conflito, pergunte por que ele agiu assim, o que pensou e sentiu e incentive-o a imaginar o que o outro está sentindo também, levantando possibilidades, mas deixando que ele mesmo crie maneiras de resolver a briga.

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Disciplina positiva: o método que procuro seguir na criação do meu filho!

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1. Histórico familiar

Nos últimos dias tenho discutido sobre a disciplina positiva em grupos de maternidade dos quais participo, e agora senti a necessidade de expor de forma mais ampla o meu posicionamento a respeito.

Com relação à educação do meu filho, sempre procuramos resolver as questões na base da conversa, do incentivo. Nada de castigos e punições físicas/psicológicas. Aqui em casa, não existe palmadinha, gritaria, “cantinho do pensamento”, etc.

Para falar a verdade, muitos meses atrás, tentei aplicar pela primeira (e única) vez o “cantinho do pensamento” com Bernardo, método tão aclamado pela Super Nanny e outras pessoas.

No dia, eu lhe entreguei um copo com suco (copo comum, de plástico, sem tampa). Bernardo simplesmente o jogou no chão, de propósito. Então eu lhe falei que “isso não se faz” e o coloquei sentado no canto da sala, para ele “refletir” sobre a atitude. Meu filho estava com um pouco mais de 1 ano e meio de idade.

Óbvio que ele começou a chorar, e tentou se levantar. Eu o coloquei sentado novamente, e ele passou a chorar mais alto. Fui insistindo até completar 1 minuto (pelo o que eu me lembro, existe a regra de 1 minuto por ano de idade da criança), e terminamos o episódio com uma mãe estressada, um bebê chorando e soluçando, um pai nervoso. Em uma palavra: fracasso.

O método do “cantinho do pensamento” inquietou meu coração de mãe. Eu senti, lá no fundo, que não estava agindo da melhor forma, que aquilo não poderia ser o melhor para a educação do meu filho. Se eu já conhecesse a disciplina positiva à época, teria sido bem mais feliz o desfecho da situação. Enfim, “cantinho do pensamento” nunca mais.

Além disso, logo abaixo, você entenderá o motivo pelo qual, ao contrário da disciplina positiva, o “cantinho do pensamento” não funciona a longo prazo.

2. A disciplina positiva

A cooperação faz parte da rotina

A disciplina positiva é um modelo educacional que tem por base a psicologia adleriana, de Alfred Adler, desenvolvida por Rudolf Dreikurs

Fundamenta-se no respeito mútuo e na cooperação, através do encorajamento e da compreensão, aliados à firmeza.

Isso tudo seria o alicerce para o ensino de competências importantes para a vida e para formar pessoas autoconfiantes, seguras e decididas.

A disciplina positiva procura, basicamente, reforçar os acertos e não os erros. Quando a gente presta atenção, vê que não adianta repetir tantos “nãos”, “não pode”, “assim não”, que realmente parecem reforçar os erros.

Por exemplo, quando a criança ficar em pé no sofá, podemos falar: “Filho, no sofá devemos ficar sentados” em vez de: “Não fique em pé no sofá”. Pode parecer sutil a diferença, mas assim levamos a criança ao certo, e não reforçamos o errado.

Na mesma linha, os castigos e as punições reforçam os erros, e ainda trazem à tona sentimentos ruins. Quem nunca foi castigado na infância e sentiu medo, raiva, até humilhação? A propósito, um trecho do livro “Disciplina Positiva”:

Muitas pessoas acreditam piamente que a rigidez e a punição funcionam. Concordo. Eu nunca diria que a punição não “funciona”. Ela “funciona” no sentido de que em geral refreia um comportamento inoportuno imediatamente. Mas quais são os resultados de longo prazo?

Com freqüência somos iludidos pelos resultados imediatos. Às vezes precisamos “ter cuidado com o que funciona” quando os resultados de longo prazo são negativos. Os resultados de longo prazo da punição resumem-se no fato de que a criança normalmente adota um ou todos os Quatro Rs da Punição:

1. Ressentimento (“Isso não é justo. Não posso confiar nos adultos.”)

2. Represália (“Eles estão ganhando agora, mas eu vou me vingar.”)

3. Rebeldia (“Vou fazer exatamente o contrário para provar que não preciso fazer do jeito deles.”)

4. Retirada: a) Simulação (“Não vou ser apanhado da próxima vez.”); b) Baixa auto-estima (“Sou uma pessoa má.”)

A criança não desenvolve características positivas com base em sentimentos e decisões subconscientes que toma como resultado da punição. De onde tiramos a ideia absurda de que para levar uma criança a se comportar melhor precisamos antes fazê-la se sentir pior?

Castigos e punições criam uma co-dependência pouco saudável adulto-criança, em vez da independência e da cooperação. (Fonte: “Disciplina Positiva”, de Jane Nelsen, pág. 32/33).

Aliás, o castigo do “cantinho do pensamento” trabalha o medo na criança. Com o tempo, ela deixa de aprontar porque tem medo de ir para o cantinho, e não porque entende o que é certo ou errado. Ou até mesmo continua a aprontar, mas toma mais cuidado para não ser apanhada, já que não quer ser colocada no cantinho (a hipótese de Retirada/Simulação do texto acima). É assim que o “cantinho do pensamento” quer ensinar o que é certo?

Além disso, já li que colocar a criança para pensar como forma de castigo dá a ela a impressão de que pensar é algo ruim, penoso. Ou seja, só posso concluir que o “cantinho do pensamento” não é benéfico, por vários motivos.

Por outro lado, a disciplina positiva é a melhor opção, a meu ver, porque ela reforça e estimula o certo.

Se eu já conhecesse a disciplina positiva à época do episódio narrado acima (quando Bernardo jogou propositalmente o copo com suco no chão), minhas atitudes teriam sido diferentes.

Primeiro, eu analisaria o porquê do comportamento do meu filho. Ele jogou o copo por raiva? Ou por curiosidade de ver o impacto do copo com o chão? A raiva é natural até os 3 anos, quando as criancas ainda não sabem trabalhar as emoções. Da mesma forma, a curiosidade é natural durante toda a infância. Ou talvez ele simplesmente não quisesse beber o suco…

Mas, sabendo o que eu sei hoje (a maior parte aprendida na prática), naquele dia eu teria conversado com ele, dizendo que “a mamãe ficou triste com a atitude”, olhando-o nos olhos, com o rosto sério. Tentaria lhe entregar o copo novamente. Se ele o segurasse e bebesse o suco, eu ficaria feliz e comemoraria “isso, é assim que você deve agir, muito bem”. Ele me daria um sorriso.

Eu ainda pediria para o filhote me ajudar a limpar o chão, entregando um pano em suas mãos. Ele ficaria ainda mais contente, bateria palmas até… E todos nós ficaríamos felizes. Um desfecho bem diferente, não é mesmo? Em uma palavra: sucesso.

Como eu sei que tudo isso aconteceria? Porque já aconteceu uma série de vezes, em situações similares: com DVDs espalhados pelo chão da sala, móvel riscado com canetinha, etc. Converso com Bernardo, ele me ajuda a arrumar/limpar a bagunça e pronto.

Exceto em momentos em que está irritado (com fome ou sono, por exemplo), Bernardo coopera comigo numa boa, feliz e contente. Ele se sente tão importante, orgulhoso… Adora ajudar! Um fofo! Tanto que, apesar de já estar com 2 anos e 1 mês, só vivemos um único episódio grave de “terrible twos” (a propósito, motivado por sono), como já contei aqui.

3. A disciplina positiva e os limites

Se você chegou até aqui e pensa que a disciplina positiva significa ausência de limites, está muito enganado.

A ausência de limites significa permissividade, que é tão abominada pela disciplina positiva quanto a rigidez.

Vamos comparar as 3 principais formas de interação entre adultos e crianças: RIGIDEZ x PERMISSIVIDADE x DISCIPLINA POSITIVA.

a) RIGIDEZ (controle excessivo). É ordem sem liberdade. É ausência de opções. “Faça, porque eu quero.” Acompanhada normalmente de punições que são humilhantes para as crianças. Age através de um controle externo da criança, mediante um sistema de recompensas e castigos. O adulto tem de estar, constantemente, a assumir a responsabilidade pelo comportamento da criança. Deve dedicar atenção constante para verificar se a criança está a portar-se bem ou mal.

Atitude básica: “Estas são as regras a que deve se submeter e este é o castigo que receberá pela sua violação.” As crianças não são envolvidas no processo de tomada de decisões.

Exemplo: Em um dia frio, na hora do café da manhã, a mãe decide que o filho de 3 anos deve comer mingau. Se ele recusar, a mãe insistirá que ele coma o prato inteiro. Caso contrário, o deixará sem comer, ou gritará com ele, ou o colocará de castigo.

b) PERMISSIVIDADE (ausência de limites). É dar à criança opções ilimitadas. “Pode fazer tudo o que quiser.” É humilhante para os adultos.

Atitude básica: “Não existem regras. Estou certo de que nos amamos mutuamente e de que seremos felizes, e você terá a possibilidade de escolher, mais tarde, quem sabe, as suas próprias regras”.

Exemplo: Em um dia frio, na hora do café da manhã, a mãe decide que o filho de 3 anos deve comer mingau. Se ele recusar, a mãe lhe preparará torradas. Se ele não quiser, lhe fará ovos, e depois leite com cereais, e depois panquecas, etc., etc. Por fim, o filho escolherá comer uma caixa de bombons, e a mãe ficará aliviada, afinal, “melhor comer chocolate do que não comer nada”.

c) DISCIPLINA POSITIVA (firmeza com dignidade e respeito). É liberdade com ordem. É dar opções limitadas. “Pode escolher, dentro dos limites estabelecidos por mim, que demonstram respeito para com todos.” Não inclui como fatores motivadores a culpabilização, a vergonha ou a dor (física ou emocional). O controle é interno da criança. A criança aprende a ser seguidora do correto, da verdade e dos princípios.

Atitude básica: “Decidiremos as regras em conjunto, para benefício de ambos. Quando eu precisar decidir sem a sua opinião, usarei firmeza com bondade, dignidade e respeito”.

Exemplo: Em um dia frio, na hora do café da manhã, a mãe pergunta se o filho de 3 anos prefere comer mingau ou leite com cereais. Mostra as duas opções dispostas na mesa. O filho se sentirá importante por dar a palavra final, e escolherá o mingau/o leite com cereais.

Se você achou a situação surreal no caso do seu filho, dê uma lida na “continuação” a seguir: Se o menino quiser dar um “show” e gritar que quer chocolate, a mãe conversará com ele e lhe dirá que bombons não são uma opção. Ou ele come o mingau ou os cereais. Caso contrário, ficará com fome até a hora do próximo lanche da manhã. Se o filho insistir no “show”, a mãe será firme e só o alimentará na hora do lanche. No dia seguinte, pode ter certeza de que o menino ficará com uma das opções oferecidas pela mãe ;)

Ontem mesmo, pela manhã, aconteceu algo bem semelhante aqui em casa. Quando Bernardo acordou, lhe perguntei o que queria beber no café da manhã: leite ou suco. Só para ser “do contra”, ou para me testar, ele respondeu que queria chá.

Eu lhe expliquei que o chá não era uma opção naquele momento, que ele poderia tomar chá mais tarde, que ele deveria optar entre leite e suco. Ele insistiu que não, que não queria nem leite nem suco. Deixei o copo com o suco de laranja na sua frente, e fui até o quarto me trocar. Quando voltei, vi que ele estava bebendo o suco, na maior tranquilidade.

Eu poderia ter lhe dado o chá? Em tese, sim. Mas quero criar um pequeno tirano? Quero ser permissiva? Não.

Por outro lado, eu poderia ter gritado: “beba logo isso aí”? Poderia ter lhe colocado de castigo? Em tese, sim. Mas quero que ele se sinta mal? Com raiva ou medo de mim? Não.

E viva a disciplina positiva!

4. Conclusão

Sempre tão feliz!

Embora Bernardo ainda seja bem novo, posso dizer que a disciplina positiva tem funcionado por aqui. Conversa, incentivo, respeito, compreensão, limites.

Não sou “expert” do método, a maior parte do tempo procuro seguir os meus instintos, o meu coração de mãe.

Aliás, me surpreendi quando comecei a ler sobre a disciplina positiva exatamente porque constatei que eu já aplicava muito dela instintivamente, na prática, sem sequer ter ouvido falar a respeito da teoria.

Por exemplo, escuto muitas mães reclamarem que os filhos dão escândalos na hora de vestir a roupa. Aqui em casa, Bernardo ajuda na escolha da vestimenta há muito tempo.

Eu separo duas opções de casacos, e ele escolhe um deles. O que é muito melhor do que obriga-lo a vestir um casaco que ele cismou não querer, ou deixa-lo escolher uma roupa aleatória (e correr o risco de ele sair de regata no inverno).

Deixa-lo escolher entre as opções que selecionei é excelente porque estimula a independência, a autonomia, a cooperação, a responsabilidade, a tomada de decisões. Inclusive o método montessoriano, do qual sou fã (e que já foi objeto de outros posts), incentiva atitudes assim em família.

Conversando com Bernardo: Filho, acredito que estamos no caminho certo! Já recebi elogios com relação ao seu comportamento, no sentido de que você é bem educado e tranquilo. E penso que é porque você, como toda criança, reflete aquilo que vive. Se você vive em um ambiente de compreensão e respeito, é isso que vai levar para o mundo. Que assim seja!

 

Fonte:  blog “Conversando com Bernardo” ,Patricia