Arquivo mensal: outubro 2012

Quando a criança só quer a mamãe!

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A dependência excessiva pode ocorrer com os filhos pequenos e, em muitos casos, a responsável é a própria mãe. Mas é possível solucionar o problema com ações simples

Sair para trabalhar ou cumprir outro compromisso e deixar o filho na creche, com a avó ou a babá, não é fácil para nenhuma mãe. Mas, em alguns casos, a situação se torna ainda mais difícil, porque o pequeno simplesmente se recusa a ficar com outras pessoas. O apego excessivo à mãe pode começar bem cedo, nos primeiros meses de vida, quando o bebê quer apenas o colo dela, chora ao ser carregado por outras pessoas ou ao ser deixado no carrinho ou no berço.  Se você já passou por isso ou ainda enfrenta esta, digamos, resistência, entenda por que ela acontece e o que você pode fazer para mudar o comportamento do baixinho.

 

Quando a criança não fica bem com outras pessoas

Para evitar deixar os filhos muito pequenos em creches, alguns pais optam por uma babá ou contam com a ajuda dos avós. Porém, basta a mãe sair de cena para que a criança a abra o berreiro.

 

Este comportamento é natural, nas primeiras vezes em que os bebês se distanciam das mães. “Em seu cérebro, a criança tem um programa de reconhecimento e apego em relação à figura materna. A mãe é sempre vista como o modelo protetor, aquela que nutre, acolhe e protege”, conta o psicobiólogo Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

Se a adaptação estiver complicada, porém, os pais precisam compreender que o filho não é o único responsável pelos tropeços na separação. “Trata-se de uma interação entre bebê e mãe, portanto a atitude de um interfere na do outro, mas é uma relação dissimétrica, já que a mãe é adulta e está bem inserida no meio, enquanto o bebê é desamparado”, diz a psicanalista Leda Bernardino, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

 

Uma das principais causas da dependência tão grande é o zelo excessivo dos pais. “A mãe que quer fazer tudo sozinha pelo filho e não permite aproximação dos outros pode atrapalhar o desenvolvimento social da criança”, afirma Monezi. A personalidade do pequeno também entra no rol dos fatores que interferem na capacidade de adaptação, quando determina uma tendência ao apego exagerado ou à não aceitação do distanciamento, após o término da licença-maternidade.

 

Afaste-se aos poucos

É importante que, durante os primeiros meses de total proximidade entre mãe e filho, ela tenha consciência de que esta condição não irá durar para sempre. “Quanto mais você grudar no seu filho e não pensar que no mês que vem terá que trabalhar, mais difícil será a separação. Se você está em casa, de licença-maternidade, aproveite e vá até a esquina fazer a unha ou à feira e deixe a criança ficar um pouco com outra pessoa”, aconselha a psicóloga Ana Maria Mello, ligada à Faculdade de Educação da USP.

 

Para auxiliar na adaptação da criança a outras pessoas, Monezi propõe realizar um processo chamado dessensibilização, no qual o vínculo excessivo se afrouxa aos poucos. O método consiste em adaptar o pequeno, gradualmente, à condição que causa desconforto. Ou seja, a mãe deve procurar ficar cada vez menos tempo com o cuidador e a criança.  “Desta forma, ela  se sente segura e percebe continua assistida”, explica o especialista.

 

O cuidador também pode tomar atitudes que facilitam a aproximação. Inicialmente, é aconselhável que ele fique próximo da mãe para que a criança veja que o outro adulto também merece a confiança dela.  Outra boa dica é se abaixar na altura da criança e conversar com ela olhando nos olhos, o que atenua a postura de superioridade. Se a criança estiver no espaço dela com os brinquedos, é interessante que este cuidador também se aproxime e tente iniciar uma brincadeira.

 

Outra orientação valiosa é não assustar a criança. Para evitar que isso aconteça,  o adulto nunca deve se aproximar de maneira brusca. É importante se certificar de que o baixinho notou sua presença. Forçar um vínculo ao abraçar ou beijar o pequeno a todo o momento também não é uma boa estratégia. Com relação à alimentação, primeiramente o cuidador precisa observar como a mãe alimenta o filho para, depois, assumir este papel.  “O adulto deve ser perseverante para conquistar o amor que a criança tem para dar, mas nada funciona de maneira súbita e agressiva, pois pode causar trauma”, alerta Monezi.

 

Caso a criança fique na casa do cuidador, vale tornar o local mais agradável a ela. “Trazer objetos da casa da criança ajuda bastante, pode ser um brinquedo ou um paninho, por exemplo”, sugere Bernardino.

 

Até um ano de idade, é esperado que o bebê leve entre três e seis meses para se adaptar com o cuidador, já entre um e três anos a expectativa é que a adaptação aconteça entre um e três meses. Caso a criança continue infeliz, é importante que os pais fiquem atentos. “Se ela não quiser ficar com o adulto, você pode se questionar se existe alguma razão pessoal. Talvez não seja uma boa ideia forçar o seu filho a ficar com este cuidador específico”, propõe a psicóloga Maria Luisa Valente, professora de terapia familiar na Universidade Estadual Paulista (UNESP).  

 

Problemas na escola

Se a adaptação pode ser difícil quando a criança ainda é o centro das atenções do cuidador, ao ter que dividir os cuidados com outros pequenos a situação pode ficar bem complicada. A fase em que a criança costuma enfrentar mais dificuldades para se adaptar à escola ou à creche é entre um e cinco anos de idade.

 

Assim como nos problemas de adaptação a um cuidador, neste caso os pais também têm a sua parcela de responsabilidade. “Muitas vezes os pais não conseguem perceber que a dinâmica de seu relacionamento com a criança causa extrema dependência. Em alguns casos, a mãe fala para o filho ficar na escola, mas está quase chorando também”, diz a pedagoga Silvia Colelo, professora de psicologia da educação na Faculdade de Educação da USP.

 

Os pais podem tomar algumas atitudes para fazer com que a adaptação seja mais fácil. Uma delas é deixar a criança na sala de aula com os colegas, o professor e os brinquedos, enquanto a mãe fica em um lugar sem atrativos, mas que a criança consiga acessar. Algo como um corredor ou uma antessala.  

 

A mãe não pode entrar no espaço da sala  de aula porque a criança irá entender que pode ter tudo: a mãe, os brinquedos e os coleguinhas. Ela pode permanecer na escola durante alguns dias, cada vez por menos tempo, até que a adaptação seja completa.

 

Também é recomendado que ela avise ao filho que vai embora, sem nunca mentir, dizendo que vai ficar e sair de fininho. Ao explicar para o pequeno quando irá voltar para buscá-lo, é interessante que o faça por meio das atividades. “Não adianta dizer ‘daqui a duas horas venho te buscar’, tem que pensar em função das atividades, por exemplo: primeiro você vai para o parque, depois vai lanchar, depois brincar com massinha e depois a mamãe chega”, exemplifica Colelo.

 

O período de adaptação dura no máximo 20 dias. “Quando os problemas persistem, tentamos detectar o que está acontecendo e, não raro, encontramos uma mãe angustiada e com medo”, diz Colelo.

 

O educador também precisa colaborar. É importante que ele se informe sobre os hábitos da criança. Em alguns casos, o problema pode, de fato, ser com a escola, mas isso costuma ser constatado a médio prazo, após alguns meses. Os pais devem desconfiar quando percebem que a criança não está bem, mesmo que vá para as aulas sem grande resistência. “Até os dez anos, os pequenos devem amar a escola”, conta Colelo.

 

Quando isto acontece, o assunto deve ser abordado com os educadores e a solução pode variar desde uma transferência de sala até a mudança para outra escola. “Há pais que são mais liberais e colocam os filhos em colégios mais rígidos, ou ao contrário. Assim, podem ocorrer conflitos. Os pais devem buscar uma escola ligada com o seu modelo de vida”, afirma Colelo.

 

Só no colo da mamãe

Nos primeiros meses de vida, o bebê tende a ficar bastante no colo da mãe. A encrenca é quando ele se acostuma tanto que não aceita outros lugares. Daí, o nenê chora ao ser colocado em um carrinho ou no berço. A explicação para este comportamento é muito mais biológica do que psicológica.

 

O responsável por isto é o hormônio ocitocina. “É ele que faz com que a mãe reconheça o filho e vice-versa, ele estreita os laços da mãe com o bebê e está muito presente na primeira infância”, explica Monezi. Então, o hormônio contribui para que, nesta fase, o bebê queira ficar, apenas, com aquela pessoa que ele tem maior capacidade de reconhecer. 

 

Apesar de auxiliar na relação especial entre mãe e filho, a ocitocina também pode ser vilã. Isso porque algumas mães apresentam taxas elevadas deste hormônio, a ponto de desenvolverem um sentimento tão forte pelo filho que não quer compartilhá-lo com as demais pessoas. “Isto ocorre mais frequentemente com mulheres que tentaram engravidar por um longo tempo”, observa Monezi.

 

O costume de não largar o colo da mãe leva um tempo para ser solucionado. “Não adianta que o bebê fique 6 meses no colo e, de repente, a mãe tente adaptá-lo ao carrinho ou berço. Vale começar fazendo pequenos intervalos entre o carrinho e os braços, algo como: colo da mãe, do pai e carrinho”, diz Monezi.

 

Torne o local em que a criança irá ficar mais interessante. Brinquedos e objetos lúdicos contribuem bastante. A presença da mãe é importante, mesmo quando o baixinho estiver no carrinho ou no berço.

 

Se você ainda não se convenceu que deve resistir à tentação de pegar o seu filho no colo a todo instante, mais um argumento irrefutável: em demasia, o costume pode acarretar problemas à sua saúde. “Os tendões em torno dos ombros e cotovelos ficam sobrecarregados e o movimento de se abaixar para pegar a criança prejudica a lombar”, afirma o ortopedista e traumatologista Luis Eduardo Munhoz da Rocha, presidente da Sociedade Brasileira de Coluna. Para atenuar esse impacto, procure apoiar o pequeno em seu quadril, pois, assim, o peso é direcionado para os membros inferiores.

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Dez indícios de que algo não vai bem na escolinha do seu filho!

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Choro em excesso, reclamação, irritação… Tudo isso pode ser sinal de que a criança está com problemas na escola. Aprenda a investigar as manifestações mais comuns no comportamento infantil

1. A criança sai da escolinha chorando todos os dias

É essencial reparar na carinha do pequeno na hora da saída. “Para entrar, é normal que reclame, por sentir preguiça ou apenas a falta dos pais. Mas o comportamento no momento de ir embora é mais importante para detectar anormalidades”, diz a psicóloga clínica Rita Romaro, de São Paulo.Por isso, se ele sair chorando e se queixando, dia após dia, é preciso averiguar. É possível que haja algum conflito com colegas (sim, também existe bullying na primeira infância) ou até cansaço físico, caso a agenda esteja muito lotada.Acredite quando seu filho conta as coisas, questione sempre e confirme a versão dele com os educadores. “Outra dica é visitar a instituição fora de hora ou chegar mais cedo para buscar a criança. Nesse momento, repare no comportamento de todos”, sugere Rita.

2. Reclama da professora todos os dias e mostra que não gosta dela

Em geral, as crianças – e os bebês – adoram as professoras. Por isso, é importante reparar em como seu filho se refere a elas.Claro, é normal que eles se sintam contrariados, vez ou outra, com uma bronca ou um castigo, já que ninguém gosta de ser repreendido. Porém vale perguntar o que houve na escola, ficar atenta e mostrar para a coordenação que você quer ficar a par de tudo o que acontece.

3. Ao brincar, grita com as bonecas ou os bichinhos e os coloca de castigo a todo instante

É bem curioso, mas, segundo Rita, as crianças reproduzem, com os bonecos, o tratamento que recebem no dia a dia. Por isso, fique atento à forma como seu filho brinca. Se o vir gritando com os bonecos, batendo ou os colocando de castigo, pergunte calmamente:  “Quem faz isso, quem grita assim?”Então, converse com os professores, questione o que está acontecendo e pergunte se o comportamento de seu filho mudou na escola, como ele interage com os amiguinhos… Toda informação que você conseguir será útil. Prefira conversar pessoalmente, olhando nos olhos.

4. Nunca quer ir à escola

É comum que as crianças menores entrem chorando na escola – e isso nem sempre indica um problema, elas apenas sentem a falta dos pais. Mas, com 4 ou 5 anos, elas geralmente adoram ir à escola, pois associam as aulas a brincadeiras e aos amigos.Porém algumas instituições de ensino têm forçado uma alfabetização precoce, propondo mais atividades do que a criança está preparada. Isso faz com que ela se sinta sobrecarregada e cansada e passe a reclamar bastante.A culpa dessa carga excessiva de tarefas nem sempre está relacionada à escola em si ou aos professores. “Os pais também devem pensar em quantas atividades eles matricularam a criança para não exauri-la”, aconselha Rita.Outro quesito que não pode fugir do controle dos pais é o horário de dormir: se a criança estuda de manhã, precisa deitar cedo. “Em geral, os pequenos precisam de dez horas de sono por dia porque se cansam mais do que os adultos”, avisa Rita.

5. Teve uma mudança brusca no comportamento noturno

Quando algo não vai bem, pode haver mudanças na rotina noturna de sono, com o aumento na frequência de pesadelos.Mas essa alteração também pode ser atribuída a uma fase conhecida como terror noturno, comum nos pequenos. Porém todo sinal de anormalidade precisa ser investigado.“Não basta culpar a escola. Fique atento também às suas atitudes. Se necessário, procure o professor e explique suas preocupações. Tenha-o como aliado”, diz Maria Fernanda.

6. Tem medo de contato físico

Esse sinal é grave e vale tanto para babás como para a escola. Quando a criança demonstra ter receio de contato físico ou se retrai e mantém a cabeça baixa a qualquer mudança do tom de voz, é sinal de que ela pode estar sendo maltratada, apanhando dos amiguinhos ou até dos educadores. Então, é preciso ficar de olho, conversar com os responsáveis pela criança durante o dia. Para evitar situações assim, procure manter uma relação aberta com seu filho, perguntando todos os dias sobre o expediente escolar. Além disso, dê preferência a berçários e escolinhas que divulguem imagens em webcam todo o tempo. Claro, seja tolerante, pois muitas vezes as crianças precisam ser repreendidas para respeitar os limites, mas nada justifica a agressão física. “Outra coisa importante é participar da hora do banho, diariamente, para verificar eventuais manchas, arranhões e batidas. Geralmente, quando a criança cai na escola ou briga com o amiguinho, a professora marca na agenda com o intuito de avisar os pais”, diz Rita.

7. Não gosta de falar da escola nem dos amiguinhos

Se a criança está sofrendo bullying, ainda que seja na primeira infância, é normal ela não querer falar sobre o dia a dia nem sobre os amiguinhos. Nessa hora, é preciso questionar os educadores, participar das atividades que a escola oferece para verificar o comportamento dos outros alunos com seu filho. Veja se ele é enturmado, se as outras crianças falam com ele, como eles brincam. Lembre: tenha os professores como aliados, pois eles podem passar informações que você não consegue perceber.

8. Está muito irritada

A irritação repentina costuma indicar sobrecarga. As crianças precisam de tempo para descansar à tarde e brincar. Quando elas têm muitas atividades, ainda que sejam saudáveis, como esportes, podem se sentir exaustas. Esse cansaço se reflete em irritação ou desânimo. Outro ponto importante é saber que algumas mudanças no comportamento podem ocorrer devido à alteração na rotina. Afinal, antes a criança tinha o relacionamento restrito aos pais e aos familiares – que muitas vezes mimam e fazem suas vontades. Na escola, ocorre uma mudança brusca porque há limites e rotina. “A criança estranha isso. Pode levar um tempo para que se acostume”, diz Maria Fernanda.

9. Volta da escola com assaduras

Esse sintoma costuma aparecer principalmente nos bebês e indica que a higiene da criança não está sendo realizada a contento. Conte o problema aos professores. Certamente, eles irão prestar mais atenção e o incidente não se repetirá. Quando acontece com crianças maiores, que vão ao banheiro sozinhas, os pais devem conversar com elas, auxiliá-las no banho e no banheiro, até que ela se sinta capaz de fazer a própria higiene de maneira satisfatória. Se precisar, peça ajuda aos educadores.

10. Não consegue desenvolver a fala

No período de adaptação, é comum que a criança se iniba e fale menos. “O problema não é com a escola, mas com a separação da mãe e com a mudança de ambiente”, assinala Rita. Por isso, é importante que a transição seja feita gradualmente, deixando a criança apenas algumas horas por dia na escola, durante as duas primeiras semanas. Converse com seu filho, mostrando as vantagens de ir à escola. Em pouco tempo, tudo voltará ao normal. A saber: “Quando a criança anda, circula e interage com diversos adultos em uma escola, fica difícil responsabilizar a instituição por um possível atraso na linguagem. Ela pode ‘ajudar menos’ do que poderia, mas não causar o atraso”, afirma Cecília Santana, fonoaudióloga especializada em patologia de linguagem e assessora na área de inclusão escolar. É importante também diferenciar a dificuldade de falar de timidez.

Os sintomas nos bebês

Em bebês novinhos, que acabaram de ingressar em creches e berçários, os indícios de problema são muito sutis. “Quando algo não vai bem, eles podem ter alteração no sono e irritação ou ainda apresentar um olhar vago, sem a tranquilidade de sempre”, diz Rita. Avaliar a situação com a ajuda de um profissional ajudará a perceber o que está errado.

Fontes

Rita Romaro, psicóloga clínica, de São Paulo, da clínica Rita Romaro, centro de psicoterapia e mediação (www.ritaromaro.com.br); Maria Fernanda Pereira Baccherini, psicóloga de São Paulo (http://mariafernandapsicologa.com.br); e Cecília Santana, fonoaudióloga do serviço de patologia de linguagem da Derdic (Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação) e assessora na área de inclusão escolar. 

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Dez maneiras para demonstrar que ama mais!!!

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Amamos tanto os nossos filhos que dói. É difícil de descrever e, até nos tornarmos pais, de compreender a dimensão desse amor também. Nós os cobrimos de beijos, apertos, carinhos. E antes mesmo que eles entendam o significado dessas palavras, declaramos “eu te amo” a toda hora, em qualquer lugar. Mas será o suficiente para a criança se sentir amada? “Se você disser isso para um adulto, sem demonstrar o sentimento com atitudes, não vai fazer sentido para ele. Que dirá a uma criança?”, diz a educadora Edileide Castro, autora de Afetividade e Limites (Ed. Wak). Com o passar dos anos, pode ser até que seu filho fique com vergonha dessa demonstração exagerada de afeto vez ou outra ou, simplesmente, se irrite – e vai limpar um beijo ou, pior ainda, vai pedir para descer do carro um quarteirão antes da escola. Mas até esse dia chegar, muitos beijos e abraços virão. Afinal, que você ama o seu filho, não há dúvidas. E existem diversas formas de fazer com que ele entenda isso. A seguir, nós mostramos algumas.

1. Diga não

Apesar de ter dito várias vezes, antes de se tornar mãe, que jamais um filho seu seria um menino mimado, quando chega a hora de impor limites… dá uma peninha, não? Ou, às vezes, culpa mesmo. A dona de casa Luciana Cerutti, mãe das gêmeas Gabriela e Beatriz, 2 anos, já sabe que educar, às vezes, é um dilema. “Minhas filhas entraram cedo na escola. Então, o pouco tempo que passo com elas não quero que seja de brigas e gritos”, explica. Mas entende que amar também significa dizer não. “Se for preciso, repito 50 vezes a mesma coisa.” A justificativa é simples. “Apesar da cara feia, os limites passam para a criança a sensação de que alguém se importa com elas”, afirma a educadora Edileide.

2. Demonstre carinho pelo próximo também

Que os nossos filhos aprendem pelo exemplo, já sabemos. Assim, tomamos o maior cuidado para respeitar os sinais de trânsito, comer de boca fechada e não falar palavrão na frente deles. Mas como ensinar o amor com exemplos no dia a dia? Beijar e abraçar as crianças, algo que fazemos quase que instintivamente, é a primeira coisa que vem à cabeça. Mostrar que existe carinho entre os pais e os outros adultos ao redor, desde que isso aconteça naturalmente, também é uma forma de fazer com que seu filho se sinta amado. “O relacionamento familiar é o primeiro modelo que a criança tem”, diz a psicóloga Isabel Gomes, professora titular do Instituto de Psicologia da USP.

3. Planeje algo especial para ele

OK, nem sempre temos tempo de cuidar de todos os detalhes de uma festa de aniversário, por exemplo. Comida, bebida, reservar o salão de festas, alugar mesas e cadeiras, escolher um tema… Contratar os serviços ou comprar tudo pronto (onde encontrar tempo para enrolar centenas de brigadeiros?) é, sem dúvida, a opção mais prática. Mas, ainda que você não tenha muitas habilidades culinárias ou artesanais, que tal pedir ajuda da criança para aprontar ao menos um item dessa lista interminável? Pode ser desenhar o convite, embrulhar a caixa para colocar os presentes ou até mesmo fazer a lembrancinha. Além de se sentir importante, ele nunca mais vai esquecer aquele clima gostoso dos dias que antecedem a comemoração. E o melhor: você mostrará o quanto gosta do seu filho.

4. Dê sentido às palavras

Qual foi a primeira frase que você disse ao seu filho? Na página da CRESCER no Facebook, 90% dos pais responderam “Eu te amo”. Você também responderia o mesmo, aposto. “Mas se não tomarmos cuidado, acabamos colocando o ‘eu te amo’ na prateleira do ‘boa noite’, ‘tchau’ e companhia”, bem lembrou a atriz Denise Fraga, recentemente, na coluna que ela escreve na CRESCER. Para a psicóloga Dina Azarak, autora de A Linguagem da Empatia – Métodos Simples e Eficazes para Lidar com o seu Filho (Summus Editorial), podemos – e devemos! – declarar o nosso amor pelos filhos de duas formas: explicitamente, como fala Denise, ou descritivamente. Assim, “o seu abraço é tão gostoso”, “fiz aquele bolo que você gosta” ou “seja bem-vindo, filho” (não por acaso, a segunda resposta mais citada pelos fãs) também passam o mesmo recado.

5. Deixe um bilhete surpresa

Na lancheira, na mala que ele vai levar para o acantonamento da escola ou na mochila em um dia de prova, um recadinho de poucas palavras vai arrancar um sorriso lindo do seu filho. “Gestos assim fazem com que a criança entenda que os pais se lembram dela mesmo quando estão longe”, afirma a psicóloga Dina. Ela recomenda, ainda, que sejam esporádicos e personalizados. “É preciso conhecer bem os gostos do seu filho para não errar.” Se ele não sabe ler ainda, que tal um desenho? Pena que você não vai estar lá para tirar uma foto da cara dele quando vir sua mensagem

6. Assistam a um filme antigo

Das animações da Pixar às comédias românticas, os chamados filmes inspiracionais, aqueles que fazem a gente sair do cinema feliz, estão na moda e são sempre um sucesso de bilheteria. A Felicidade não se Compra, do diretor Frank Capra, estreou bem antes, em 1946. Ele conta a história de George Bailey (vivido por James Stewart), um pai de família sonhador que deixou a vida levar seus caminhos para outros lados. A uma certa altura, quando ele achava que não tinha alcançado o que merecia, até mesmo o suicídio torna-se uma opção. Uma visita inesperada, porém, o faz rever alguns capítulos importantes de sua vida. Os pequenos talvez não compreendam tudo. Mas os exemplos de compaixão, solidariedade e amor estão ali, em diversas cenas, e vão inspirar de verdade muitas conversas entre vocês.

7. Leve café na cama

Por ser “um carinho maravilhoso de dar e de receber”, esse gesto simples é uma das101 Ideias para Curtir com seu Filho (Antes de Ele Completar 10 Anos), livro da jornalista Paula Perim, diretora de redação da CRESCER. “E o dia já começa especial”, completa. Faltar à escola no meio da semana para um passeio inesperado, tomar banho de chuva ou comer a sobremesa antes do jantar, por que não?, são pequenas “infrações” que, vez ou outra, valem a pena para fortalecer o vínculo com eles. “E para o seu filho será uma quebra de rotina, daquelas inesquecíveis”, conclui Paula.

8. Leiam um livro sobre amor

Até os 4, 5 anos, as crianças têm dificuldade em entender sentimentos tão abstratos quanto o amor. Por isso, as metáforas de alguns livros são uma maneira de ajudá-las a concretizar, ou seja, compreender esses conceitos. Em Adivinha Quanto eu te Amo (Ed. Martins Fontes), de Sam McBratney e Anita Jeram (ilustração), o Coelho Pai e o Coelhinho “brigam” para saber quem ama mais um ao outro. E como mensurar tanto amor? Ele é do tamanho dos braços compridos e esticados, da altura de um pulo, da distância do rio até as colinas… Para esse pai não falta imaginação, e você pode tornar isso muito divertido. E inesquecível.

9. Mostre fotos dele quando bebê

Filmes, álbuns, aquele chocalho que você guardou de lembrança… Todos esses detalhes da “história” do seu filho são importantes para a construção da identidade dele, para ele saber de onde veio, tudo que seria impossível ele saber ou lembrar. Mas, para a criança, tem muito significado pois mostra o quanto ele é importante para você, além de também trazer a mensagem de que “alguém cuidou de mim” e “me ama desde sempre”.

10. Seja como Os Simpsons

Com a família mais politicamente incorreta da televisão, quem diria, você vai aprender várias lições de amor! Há mais de 20 anos no ar, o desenho animado não perdoa ninguém, de políticos a celebridades. “Tampouco poupa a si mesmo, seu humor desnuda a pequenez dos ideais e dos valores de uma família média”, afirma a psicanalista Diana Corso, no livro Psicanálise na Terra do Nunca – Ensaios sobre Fantasias (Ed. Penso), que escreveu em parceria com o marido, o também psicanalista Mário Corso. E assim, sendo “demasiado humanos”, Os Simpsons têm um jeito de amar só deles, mesmo sendo tão pouco, digamos, afetivos. Por isso, mais importante do que seguir as nossas sugestões à risca, é você encontrar o seu próprio jeito de mostrar ao seu filho o quanto o ama. “Para amar não há receita”, conclui a psicóloga Isabel Gomes. “Basta estar em sintonia com o que seu filho realmente precisa.”

 

Aulas de música na infância valem para a vida toda, dizem cientistas

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The New York Times

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Quando as crianças aprendem a tocar um instrumento musical, elas reforçam uma série de habilidades auditivas. Estudos recentes sugerem que esses benefícios se estendem por toda a vida, pelo menos para aqueles que continuam envolvidos com música.

Porém, um estudo publicado no mês passado foi o primeiro a mostrar que ter aulas de música na infância pode levar a mudanças no cérebro que persistem anos após a interrupção das aulas.

Pesquisadores da Universidade Northwestern gravaram as respostas auditivas do tronco encefálico de estudantes universitários – isto é, as suas ondas elétricas cerebrais – em reação a sons complexos. O grupo de estudantes que relatou ter tido uma formação musical durante a infância apresentou respostas mais robustas – o seu cérebro conseguiu identificar elementos essenciais, como afinação, nos sons complexos quando eles foram submetidos aos testes. E o mesmo ocorreu inclusive quando os estudantes haviam parado de estudar música há anos.

De fato, os cientistas estão desvendando as conexões entre a formação musical na infância e a aprendizagem baseada na linguagem – por exemplo, a leitura. Aprender a tocar um instrumento pode conferir alguns benefícios inesperados, sugerem estudos recentes.

Não estou falando do “efeito Mozart”, a alegação de que ouvir música clássica pode melhorar o desempenho das pessoas em testes. Refiro-me, sim, a estudos sobre os efeitos de um envolvimento ativo e da disciplina. Esse tipo de formação musical melhora a capacidade cerebral de discernimento entre os componentes do som – a altura, o duração e o timbre.

“Para aprender a ler, é preciso ter boa memória operacional, a capacidade de distinguir os sons da fala, de fazer conexões entre sons e significados”, disse a professora Nina Kraus, diretora do Laboratório de Neurociência Auditiva da Universidade Northwestern. “Cada uma dessas coisas parece realmente ser reforçada pelo envolvimento ativo com um instrumento musical.”

A habilidade de apreciar as qualidades sutis do som, mesmo em meio a um fundo confuso e barulhento, revela-se importante não só para a criança aprender a compreender a fala e a linguagem escrita, mas também para uma pessoa idosa que sofre de perda auditiva.

Em uma pesquisa realizada com pessoas que continuam a tocar instrumentos, publicada neste trimestre, pesquisadores descobriram que, à medida que os músicos envelhecem, eles vivenciam o mesmo declínio na audição periférica – o funcionamento dos nervos auditivos – vivenciado pelos não músicos. No entanto, os músicos mais velhos preservam as funções cerebrais, as habilidades de processamento auditivo central que podem ajudá-los a compreender uma fala no contexto de um ambiente barulhento.

“Nós muitas vezes nos referimos ao problema do ‘fenômeno da festa de coquetel’ – imagine ir a um restaurante onde um monte de pessoas fala ao mesmo tempo”, disse Claude Alain, diretor assistente do Instituto de Pesquisa Rotman, em Toronto, e um dos autores do estudo. “Os adultos mais velhos que tiveram aulas de música têm melhor desempenho na compreensão de falas em testes de ruído – eles usam mais o cérebro, não o sistema auditivo periférico.”

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, têm abordado a ambientação sonora de um ponto de vista diferente, estudando a genética do ‘ouvido absoluto’ –- a capacidade ideal de identificar qualquer tom. Jane Gitschier, professora de medicina e pediatria que coordena a pesquisa, tem tentado,