Arquivo mensal: abril 2012

Você deixa o seu filho crescer?

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Em primeiro lugar, devemos levar em conta que informação não é experiência. Experiência “é o que nos toca, o que nos acontece”. Experiência seria, assim, aquilo que vivenciamos com profundidade, com o corpo, com a mente e com a alma, aquilo que nos deixará um legado para reflexões e aprendizados posteriores.

Falta de tempo, excesso de atividades, excesso de informação, excesso de opinião: tudo contribui para que não vivenciemos as situações de fato, para que não tenhamos, ao longo do dia, alguma experiência significativa, transformadora. Podemos passar dias, semanas até, sem vivenciá-las. Com certeza, não é isso que desejamos para nossas crianças. Elas, ao contrário de muitos adultos, possuem a disponibilidade e abertura para viver uma grande variedade de experiências. Elas demonstram isso, demandam isso de maneira ampla.

E quantas vezes não privamos as crianças de experiências porque estamos ocupados, com pressa, porque consideramos que o que ela vive não tem importância? É uma cena cotidiana comum: a criança está entretida, bem concentrada em algo e nós adultos a “resgatamos” de seu devaneio profundo. As crianças vivem, como nós, com cada vez menos tempo, atrasadas para suas diversas atividades, essas também que muitas vezes não permitem que vivenciem de maneira profunda o que estão dispostas a “ensinar”, melhor dizendo, “informar”. Estamos sempre nos antecipando ao aprendizado infantil. Sabemos, porque somos adultos, o que elas precisam fazer para que se formem. Sabemos de seu conforto, de suas necessidades, de suas questões. Deixamos que elas vivenciem a alegria, mas nunca o desconforto, a tristeza, a dor, protegemos as crianças dos males da humanidade, que afinal, deveriam mesmo ter ficados guardados na caixa de Pandora. Foi a caixa de Pandora que tirou o homem da ‘idade do ouro’ onde tudo era alegria, fartura e abundância. Tal e qual deuses do Olimpo, escolhemos o que nossas crianças devem ou não viver. E embora as dores, tristezas, arranhões e sofrimentos façam parte da vida humana, as crianças são poupadas.

Assim é que realizamos uma ginástica enorme: nos antecipamos ao tombo, limpamos seus narizes, não deixamos que sintam frio, fome e nenhum tipo de desconforto. Não é de se estranhar que tornem-se adultos intolerantes à dor, à frustração, incapazes de serem criativos na solução de problemas e de aceitarem que a vida é também feita de dificuldades e sofrimento. Alguns adultos parecem nunca perceber que as alegrias e felicidades são conquistadas com muito esforço. Tempo e espaço para a experiência – seja ela boa ou ruim. Como pais e educadores, estaremos ali para consolar, confortar, oferecer suporte e celebrar as alegrias e conquistas diárias das crianças. Mas não para impedir que vivam, por elas mesmas, suas próprias experiências.

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Nota

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Vivemos em uma cultura em que a palmada faz ou fez  parte do cotidiano de muitos brasileiros. Atualmente o tema vem sendo debatido e até uma lei está a caminho. Esse texto traz a experiência e algumas dicas de uma mãe.

 Resolvi fazer este texto, relatando os diversos aprendizados que tive, ao longo desses quase 10 anos (minha filha faz 10 em julho). Aprendizados que tive trocando experiências com outras mães em redes sociais (como na comunidade Pediatria Radical), que li em livros, em blogs, filmes, conversas com amigos e, principalmente, LEMBRANDO DE MINHA PRÓPRIA INFÂNCIA E OBSERVANDO MINHA FILHA, e até mesmo pelos exemplos negativos que tive de como NÃO educar uma criança.

Para mim, aprender a educar SEM PALMADAS foi/é tão gratificante, que eu me sinto na obrigação de compartilhar o que aprendi.

Aprendizado 1:
ASSUMA O PAPEL DE PAI/MÃE.

Essa é, sem dúvida, a primeira coisa que se deve fazer quando se pretende educar um filho: assumir o papel de educador.

Não importa se o dia foi estressante, se você está de TPM, se a criança está birrenta, se você não sabe o que fazer pra contornar um conflito, … você (pai/mãe) é quem deve ter maturidade, você (pai/mãe) é quem tem o controle da situação, você (pai/mãe) é que se permite perder o controle. A responsabilidade é sua.

Assumir o papel de pai/mãe é também colocar a criança no seu papel, qual seja: de CRIANÇA.

Portanto, por mais óbvio que isto seja, algumas pessoas não se atentam pra essa obviedade:

Pai/Mãe é Pai/Mãe = adultos, que devem agir com maturidade e que tem o direito/obrigação de cuidar e educar os filhos.

Filho é Filho = Criança, imatura, em processo de desenvolvimento, que tem o direito de ser cuidada e educada pelos pais.

Aprendizado 2:
CONHEÇA UM POUCO SOBRE DESENVOLVIMENTO INFANTIL.

Você não precisa ser expert em psicologia ou entender as teorias de Freud (que, aliás, são controversas). Mas procure ter conhecimentos básicos  sobre o desenvolvimento infantil, como os saltos de desenvolvimento, crise dos 8 meses (angústia da separação), terrible two, a angústia causada pela noção da morte (por volta dos 6 anos), etc.

Ter conhecimento sobre a fase que seu pimpolho está passando ajuda enormemente a entender muitas de suas atitudes. E assim, entendendo as atitudes dos nossos pequenos, fica muito mais fácil lidar com elas. Além de evitar que tenhamos interpretações completamente errôneas como “esse bebê só quer colo porque está mimado”, ou “essa criança fica me testando o tempo todo”, etc.

Aprendizado 3:
CRIANÇA É CRIANÇA

Esse aprendizado está muito interligado ao aprendizado anterior (“Conheça um pouco sobre o desenvolvimento infantil”).

Criança vê o mundo de forma diferente dos adultos.

Portanto, não interprete as atitudes dos pequenos como você interpretaria as mesmas atitudes praticadas por um adulto.

Por exemplo, se um adulto diz, de forma proposital, algo que não condiz com a realidade: isso se chama mentira. Já, quando uma criança pequena diz algo que não condiz com a realidade: isso não é uma mentira (pode ser uma confusão que ela faz entre o pensamento e a realidade, ou pode ser a resposta que ela pensa ser a “resposta certa” que os pais estão esperando ao ser questionada sobre algo).

Assim, um adulto falar algo que não condiz com a realidade é MUITO DIFERENTE de uma criança falar algo que não condiz com a realidade.

Além disso, como já foi dito anteriormente, crianças tem suas fases. Eu sei, é chato quando ouvimos “isso é fase, vai passar”. Mas é a mais pura verdade e devemos também levar em consideração a fase que a criança está passando para interpretar suas atitudes.

Outro exemplo de atitude equivocadamente interpretada por muitos adultos, eu falarei nos aprendizados a seguir:

Aprendizado 4:
CRIANÇA PEQUENA NÃO TEM CAPACIDADE PARA OBEDECER – AS ATITUDES DEVEM VIR DOS ADULTOS.

É isso aí gente: criança pequena NÃO OBEDECE. Ponto.

Ter consciência de que criança pequena não tem capacidade para obedecer foi um dos melhores aprendizados que eu já tive e que mais me ajudou, além de evitar uns 50% de estresse do dia-dia.

Esperar que uma criança de 3 anos obedeça é tão inútil quanto pedir para um bebê de 7 meses trocar a fralda sozinho.

E por que a criança não obedece? Simplesmente porque ela ainda não tem essa capacidade. O cérebro dela sequer está completamente formado para que ela seja capaz de conter seus impulsos. Muito pelo contrário, nas crianças pequenas, são seus impulsos, suas vontades, seus desejos, que a controlam.

Além disso, a criança mantem uma relação muito forte com o objeto de desejo, com o que quer fazer.

Quando uma criança quer algo, sai de baixo! Ela QUER com todas as suas forças. E fica obcecada pelo objeto de desejo. Grita, esperneia, chora e berra. Assim, se ela QUER muito fazer algo e você disser pra ela não fazer tal coisa, ela não vai te obedecer.

Portanto, esqueça a obediência. Criança NÃO tem que ser OBEDIENTE. Criança precisa ser EDUCADA.

E como se educa a criança a ter controle sobre si própria? Da mesma forma que a gente deve educá-la a trocar de roupa sozinha. Ou seja: primeiro nós fazemos por ela (o adulto é que troca a criança), depois passamos a ajudá-la a fazer (a gente ajuda a criança a se trocar) e, então, ela passará a fazer sozinha (a criança troca-se sozinha).

É basicamente a mesma coisa.

Portanto, para ensinar a criança a conseguir ter autocontrole, inicialmente, são os pais que devem fazer isso por ela.

Cabe ao adulto, através de atitudes, IMPEDIR COM QUE A CRIANÇA FAÇA O QUE NÃO PODE. Da mesma forma, cabe aos adultos, através de atitudes, LEVAR CRIANÇA A FAZER O QUE DEVE SER FEITO.

Deste modo, se a criança quer brincar com uma faca: a responsabilidade é sua (adulto) de retirar a faca da criança. Se a criança quer permanecer em algum local perigoso, a responsabilidade é sua (adulto) de retirá-la do local. Se a criança não quer escovar os dentes, a responsabilidade é sua (adulto) de levá-la a escovar os dentes. Se a criança está subindo em cima de um sofá na casa de uma visita, a responsabilidade é sua (adulto) de impedir tal fato. A responsabilidade é sempre sua. É você, adulto, que vai controlá-la.

Com o passar do tempo, a criança vai criando autocontrole, e aí você vai passar a ajudá-la neste autocontrole. Até que, então, a criança conseguirá se controlar sozinha.

Aqui, podemos retomar os aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe; Conheça um pouco sobre desenvolvimento infantil e Criança é criança.

Aprendizado 5:
NÃO SE COLOQUE NA POSIÇÃO DE DESAFIADO

Esse aprendizado é uma consequência dos aprendizados anteriores, como veremos:

Levando-se em conta que os pais é que estão sempre no controle da situação, que não devemos interpretar as atitudes de uma criança da mesma maneira que interpretamos a mesma atitude em um adulto, que a criança é um ser em desenvolvimento e que tem direito de receber cuidados e educação dos pais, e ainda, considerando que a criança não tem capacidade para obedecer, chegamos à conclusão que CRIANÇA NÃO TESTA OS PAIS, SENDO OS PAIS QUE SE COLOCAM ERRONEAMENTE NO LUGAR DE TESTADOS.

Vamos imaginar a cena: Você está na casa de uma visita e seu filho de dois anos vai em direção a um lindo enfeite de cristal. Talvez o objeto tenha chamado a atenção do pequerrucho pela forma, ou pelos feixes de luz que reflete, ou sabe-se lá porque. Fato é que a criança vai ao encontro daquele valioso e delicado artefato. A mãe, vendo o perigo da situação, grita: “Filho, não mexa aí!”. A criança obedece? Se a criança quiser muito tocar naquele objeto, provavelmente ela irá se virar para a mãe e, olhando nos olhos da mãe, pega o objeto.

Ora, se você disser pra um adulto não pegar tal coisa e, ainda assim, ele pegar. E pegar o objeto olhando pra você, certamente isso é um desafio. No entanto, não é dessa forma que deve ser interpretada a mesma atitude, se praticada por uma criança.

A criança te “desobedece” pelo simples fato de que ela não é capaz de obedecer (lembra?) Ela não é capaz de fazer aquilo que ela está com vontade (São as vontades, os impulsos e os desejos que a controla. Lembra disso também?) Ela sabe que aquilo é errado e que aquilo vai gerar uma atitude negativa nos pais (talvez é por isso que a criança já faz a coisa errada olhando para os pais. Às vezes até com uma cara feia, esperando e se preparando para a bronca). No entanto, por mais que ela saiba que aquilo que ela está fazendo é errado, ela não tem condições de não fazê-lo. Portanto, não interprete essa atitude como desafio. Interprete essa atitude como IMATURIDADE. Afinal, é disso que se trata.

Interpretar a atitude de desobediência como desafio por parte da criança é bem perigoso e poderá causar dificuldades lá na frente.

Explico porque: Crianças veem as coisas de acordo com o olhar dos pais.

Por exemplo: se os pais veem uma atitude agressiva normal, a criança passará a achar esta atitude agressiva normal também.

Portanto, se os pais veem a atitude da criança em desobedecer numa atitude desafiadora, a criança também passará a ver a desobediência dela como uma atitude desafiadora.

Agora pense na insegurança que isso poderá gerar numa criança?! Justamente os pais, muito maiores e mais velhos que ela, que deveriam ser mais maduros e mais inteligentes, que deveriam cuidar, mostrar o certo e o errado, e que deveriam estar no comando, passam a se sentir “ameaçados”, desafiados, por ela, um serzinho muito menor. Isso gera uma insegurança tremenda na criança, fazendo com que ela sinta necessidade (aí sim) de desafiá-los, pra verificar se eles realmente estão no comando (se ela realmente poderá ser cuidada).

E antes, o que apenas era imaturidade, passa a ser, de fato, desafio.

Deste modo, não é a criança que te desafia, são os pais que se colocam na posição de testados.

Ora, não seja um(a) pai/mãe banana, se colocando na posição de testado por uma criança de 2,3 anos de idade.

Se você olhar a situação de desobediência tal como ela é (falta de maturidade, falta de autocontrole), tais atitudes da criança serão vista por ela mesma dessa forma. E então, além dela não ter necessidade alguma de passar a testar os pais (ela está segura e sabe que os pais tem condições de cuidá-la, pois não se sentem ameaçados e se posicionam como educadores, no comando da situação) fica mais fácil ela aprender a se autocontrolar.

E, logo, logo, ela passará a “obedecer”. Ou melhor, ela conseguirá, sozinha, controlar seus impulsos.

Lembre-se dos aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe. Tenha plena consciência de que você é que está no comando. Interprete as atitudes de criança como atitudes de criança. Se colocando dessa forma, a criança se sente segura, não precisará testar nada e vai aprender o que interessa: ter autocontrole.

Aprendizado 6:
APRENDA A DIALOGAR, CONSTANTEMENTE.

É muito comum ouvirmos falar “Conversa não adianta” Ou: “Já tentei de tudo, mas ele não me ouve.”

Isso não é verdade!

O que existe é que você, pai/mãe, não aprendeu a dialogar.

Está aí um dos grandes motivos pelos quais sou contra palmadas: palmadas impedem com que os pais e filhos APRENDAM a dialogar. Dialogar é um aprendizado, que deve ser revisto constantemente, pois a forma de dialogar vai mudando conforme o desenvolvimento da criança. Dialogar com um bebê de 1 ano, é diferente de dialogar com um de 3 anos, que é diferente de dialogar com uma criança de 5 anos, de 7 anos, com um pré-adolescente de 10 anos e por aí vai…

Além disso, para aprender a dialogar, são necessárias várias outras atitudes dos pais, sendo que todas elas ajudam a criar um maravilhoso vínculo entre pais e filhos e ajudam no bom desenvolvimento da criança.

Portanto, a palmada, além de impedir esse aprendizado – de diálogo entre pais e filhos – ela impede também com que ocorra tudo que está por trás desse aprendizado do diálogo. Não sei se estou conseguindo explicar o que eu quero dizer, mas é basicamente isso: a palmada evita o processo de aprendizado do diálogo. Mas não é só o diálogo que fica prejudicado, mas tudo que está por trás para alcançar este diálogo com a criança.

E, pra aprender a dialogar é necessário, antes de tudo, aprender a OUVIR. É necessário ter EMPATIA, se colocando no lugar da criança, observando a fase em que ela está, sua imaturidade, as mudanças que ela pode estar passando na sua vidinha. É necessário dar atenção ao filho. É necessário observar a criança. É necessário ter tempo com a criança. É necessário aprender como você consegue ser ouvido pela criança. E, também, é necessário criar uma relação muito forte com a criança, uma relação de afeto, de carinho, de respeito, de confiança.

E a forma de dialogar com a criança vai depender de cada família, de cada criança, e da idade dela (da fase que ela está passando).

Por exemplo, eu acredito que a melhor forma de falar aos bebês o que pode e o que não pode é através de atitudes dos pais (como descrito no aprendizado 4). Ou seja, a forma como você demonstra à criança pequenininha o que é certo e errado é através de atitudes. O diálogo se dá através de atitudes dos pais, principalmente.

Depois, quando minha filha era pequena (até os 3/4 anos), conversávamos através de historinhas. Eu ia contando uma historinha, utilizando como enredo situações que ela tinha passado, mas com personagens fictícios, e ela ia completando a historinha junto comigo, ou seja, se manifestando.

Outra coisa importante, é demonstrar os valores, sempre que possível. Por exemplo, você está assistindo um filme ou novela, a criança passa na sala bem num momento em que um personagem dá um tapa em outro. Se manifeste! Demonstre o quanto aquela atitude é errada. Diga coisas como “Nossa! Que horror!” ou “Que coisa horrível isso de alguém dar um tapa em outra pessoa!” Isso vale também para situações que você vê na rua, como, por exemplo, quando vê alguém jogando lixo no chão.

Crianças são ligadíssimas ao que acontece ao redor. Portanto, não deixe passar batido.

Outra coisa bacana é dar exemplos de quando você era criança, pois elas prestam a maior atenção pra saber de como nós, pais, éramos quando criança.

Também aprendi a não ter grandes conversas nas horas das birras e estresse. A criança vai ficar na defensiva e não vai adiantar. Na hora da birra ou da “discussão” seja objetivo, sem muito blábláblá. Depois, numa hora calma, num momento de tranquilidade, em que ambos estejam de bom humor, relembre o ocorrido, de forma tranquila e na boa, e reforce a mensagem que você quer passar. Escute o que a criança tenha a dizer e exponha sua opinião. Você vai se surpreender em como, nessas horas, a criança realmente te escuta e até pede desculpas.

Costumamos ter conversas com minha filha à noite. Perguntamos se ela quer falar alguma coisa, se algo a está incomodando. Ela também nos pergunta se queremos falar alguma coisa sobre nosso dia, etc.

Tenho um casal de amigos com dois filhos que fazem “reuniões” semanais. Mas é possível solicitar uma “reunião” quando sentir necessidade. Cada um expõe o que quiser e sempre que um membro fala, os outros devem prestar atenção. Achei a ideia interessante.

Outras famílias conversam sobre o dia durante o jantar.

Sabe, eu me pergunto se todas famílias praticam isso: tirar um tempo do dia para sentar e conversar.

Devo ressaltar também que, nesta questão do diálogo, não há regras gerais e imutáveis, sendo que a melhor forma de EU dialogar com MINHA filha, talvez não seja a melhor forma de diálogo entre VOCÊ e SEU filho. Isso vai depender de cada família, de cada criança. Por isso, é necessário cada pai/mãe observar seu filho e aprender a dialogar entre si.

Sim, dialogar funciona!

Aprendizado 7:
RECONHEÇA E LEGITIME O SENTIMENTO, CRITIQUE A ATITUDE NEGATIVA

Este é um aprendizado que devemos ter não só com as crianças, mas também com os adultos e também com nós mesmos.

Negar os sentimentos “ruins” é prejudicial, além de ser totalmente inútil.

Somos seres humanos, e, como tal, temos todos os tipos de sentimentos, inclusive sentimentos não muito nobres, como tristeza, raiva, ciúmes, inveja, dentre outros.

Como escreveu Clarice Lispector: “Pensar é um ato, sentir é um fato”.

E é isso que ocorre conosco: temos sentimentos ruins e não temos controle sobre eles.

Imagine você falando para uma criança: “Não precisa ter medo de trovão”

Ok, precisar não precisa, mas como faz pra não ter medo?

“Não fique triste”, “É feio ter inveja”, etc.

Adianta falar esse tipo de coisa?

A criança apenas vai se sentir mal por sentir o que não é pra sentir, além dela não receber qualquer orientação em como proceder diante daquele sentimento ruim.

Portanto, ajude a criança a reconhecer e a manifestar verbalmente o sentimento e a oriente.

Por exemplo: “Tudo bem você ficar com raiva porque eu não fiz tal coisa, mas não grite e não bata a porta. Eu não admito que você grite comigo. Se acalme. Quer um copo d´água pra se acalmar? Quer ficar um pouco no seu quarto?”

Ou: “Eu entendo que você fica chateado quando está perdendo um jogo. É normal. Ninguém gosta de perder. Mas você não pode parar de jogar só porque está perdendo. Vai jogar até o fim e continuar tentando vencer.”

Demonstre pra criança que tudo bem sentir assim ou assado, mas o que importa são as atitudes. Assim, você a ajudará a aprender a reconhecer os seus sentimentos e a lidar com eles, de um modo construtivo.

Por exemplo, sabemos que crianças podem agir de forma agressiva, ou com manhas e birras, ou até mesmo fazendo xixi na cama quando algo as incomoda (muitas vezes nem mesmo elas sabem o que está incomodando).

Assim, se você ajudá-la a reconhecer os sentimentos, a verbalizá-los e a lidar com eles de forma positiva, com o tempo, a criança conseguirá reconhecer tais sentimentos e a compreendê-los. E, mais ainda, ela conseguirá manifestar estes sentimentos de forma construtiva e civilizada, sem precisar fazer manha, birras ou serem agressivas, apenas expondo verbalmente.

É muito melhor e muito mais fácil lidar com uma criança que chega e diz “Hoje eu estou um pouco nervosa por causa de tal coisa”, do que com uma criança que sequer consegue entender o que a está incomodando, passando a tomar atitudes agressivas, fazer birra, etc.

A criança precisa se sentir segura para expor o que sente. E precisa ser acolhida, sempre. Não julgue e não menospreze o sentimento dela. E a oriente com relação às atitudes.

Aprendizado 8:
SEJA SINCERO

Não tenho muito o que falar sobre este aprendizado, pois ele é muito simples. É apenas isso: Seja sincero.

Para crianças terem confiança nos pais é preciso que estes sejam sinceros.

Tenho pavor de promessas que os pais sabem que não irão cumprir, de enganar a criança, essas coisas.

Esse tipo de “enganação” faz com que suas palavras percam o valor. Aí, todo aquele processo de aprender a dialogar com a criança vai por água abaixo.

Portanto, seja sincero.

Além disso, quando você for explicar ou justificar algo para a criança, pense sempre a real necessidade daquilo.

Por exemplo, quando você precisar convencer a criança a tomar banho, pense e diga sobre a real necessidade de se tomar banho. As pessoas não tomam banho para ganhar sobremesa, ou para poderem jogar vídeo-game. As pessoas tomam banho para não ficarem fedidas (vivemos em sociedade) e para terem higiene, evitando doenças.

Quando a criança pergunta coisas que você não sabe, não tenha medo em dizer que não sabe.

Para finalizar, gostaria de citar dois artigos científicos que respaldam a não-necessidade e potenciais malefícios da utilização de palmadas na educação infantil.

Primeiramente, este artigo sobre a ineficiência/perigo das palmadas, em português: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v9n2/a04v9n2.pdf

E finalmente, uma metanálise sobre castigos corporais, no link: http://www.endcorporalpunishment.org/pages/pdfs/Gershoff-2002.pdf

Nesta metanálise a autora apresenta resultados da associação entre castigo corporal e 11 comportamentos infantis, e os resultados são claros: castigos corporais (palmadas) foram associado com níveis mais altos de conformidade imediata (ou seja, a criança aprende a se submeter ao castigo e se conforma ao invés de questionar e tentar entender a origem do castigo e não vai atrás de um aprendizado) e agressão e baixos níveis de internalização moral e saúde mental a longo prazo. Lembrando que metanálises são ferramentas poderosas na ciência, pois avaliam os resultados de vários estudos independentes voltados a uma única questão, no caso, o castigo corporal.

Bom, por enquanto é isso. Espero que ajude alguém.

Bjs a todos!

A história de uma educação sem palmadas…

O que acontece quando você fica elogiando a inteligência da criança?

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Gabriel é um menino esperto….Cresceu ouvindo isso….Andou, leu e escreveu cedo….Vai bem nos esportes.

É popular na escola e as provas confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.

“Esse menino é inteligente demais”, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. “Tudo é fácil pra esse malandrinho”.

Porém, ao contrário do que poderíamos esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o Gabriel nas lições de casa.

– “Ah, eu não sou bom para soletrar, vou fazer o próximo exercício”.

Rapidamente Gabriel está aprendendo a dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.

A estratégia (esperta, obviamente) é a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas que já domina com facilidade.

Mas, como infelizmente a lição de casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz um… crack.

Acreditar cegamente na sua inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma desconfiança de suas reais habilidades.

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Inconscientemente ele se assusta com a possibilidade de ser uma fraude, e para protegê-lo dessa conclusão precipitada, seu cérebro cria uma medida evasiva de emergência: coloca o rótulo dourado no colo, subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda dos pais.

A imagem do “Gabriel que faz tudo com facilidade” , a do “Gabriel inteligente” (misturada com carinho), precisa ser protegida de qualquer maneira.

Gabriel não está sozinho. São muitos os prodígios, vítimas de suas próprias habilidades de infância e dos bem intencionados e sinceros elogios dos adultos.

Nos últimos 10 anos foram publicados diversos estudos sobre os efeitos de elogios em crianças.

Um teste, realizado nos Estados Unidos com mais de 400 crianças da quinta série (Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success), desafiava meninos e meninas a fazer um quebra-cabeças, relativamente fácil.

Quando acabavam, alguns eram elogiados pela sua inteligência (“você foi bem esperto, hein!) e outros, pelo seu esforço (“puxa, você se empenhou pra valer hein!”).

Em uma segunda rodada, mais difícil, os alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente.

A maioria dos que foram elogiados como “inteligentes” escolheu o desafio semelhante.

A maioria dos que foram elogiados como “esforçados” escolheu o desafio diferente.

Influenciados por apenas UMA frase.

O diagrama abaixo mostra bem as diferenças de mentalidade e o que pode acontecer na vida adulta.

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O Malcom Gladwell tem um ótimo livro sobre a superestimação do talento, chamado “Fora de Série” (“outliers”). Lá aprendi sobre a lei das 10 mil horas, tempo necessário para se ficar bom em alguma coisa e que já ensinei pro meu filho.

Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga que ele é inteligente. Diga que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.
Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa.

UPDATE : Apenas alguns esclarecimentos a alguns dos comentários…

01. Não, eu não estou dizendo para não elogiar as crianças. E não, também não estou dizendo para você nunca dizer para o seu filho que ele é inteligente. É apenas uma questão de evitar o RÓTULO.

02. Evidentemente não sou o autor dessa tese/teoria, muito menos desse estudo citado no post. Escrevi justamente SOBRE essa linha de pensamento. Quem escreveu essa teoria foi Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success (http://news.stanford.edu/news/2007/february7/dweck-020707.html) como foi citado acima e nos comentários também.

03. Gostaria de aproveitar o update e agradecer pelos inúmeros comentários e likes, o que prova o quanto esse assunto é fascinante. Obrigado!

Nota

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A vontade de ter o segundo filho já estava nos planos do casal, mas como preparar o primogênito para a chegada do irmãozinho? Nessa hora, é necessário ter um diálogo aberto e cuidadoso para expor tal situação ao pequeno, pois não se sabe ao certo como será a sua reação.

Das duas, uma: ou ele irá esperar o novo bebê com muito entusiasmo e alegria ou com ciúmes e birra, percebendo o novo irmão como um “invasor”. Segundo a psicóloga Anette Lewin, é mais preocupante quando a criança não manifesta nenhuma reação perante a notícia. “Sentir ciúme pela chegada do irmão significa que ela está conectada com a realidade. Ela pode fazer birra, chorar ou ficar quietinha. Essas reações são normais e passam”.

Voltar a agir como bebezinhos, fazendo xixi na cama ou retrocedendo nas brincadeiras, em vez de se comportarem de acordo com suas idades é um sinal de que a criança não está confortável com a novidade.

Alterações na rotina da criança maior, como ir para a escolinha ou mudança de quarto ou de quem cuidará dela, deverão ser feitas bem antes do nascimento ou depois da adaptação com o bebê. Assim as perdas não serão associadas com a chegada do irmãozinho.

Ao nascimento, não se descuide daquele que, até o momento, ocupava todos os espaços. Eleve a auto-estima da criança, potencialize suas qualidades e as vantagens de ser o mais velho. Atribuir-lhe responsabilidades sobre o irmão também ajuda na integração, já que se sente útil.

Saiba o que fazer, antes e depois da chegada do nenê, para que seu filho se ambiente e aceite o novo integrante da família:

Antes

  • Deixe que o primogênito sinta o bebê na sua barriga;
  • Integre seu filho no processo de escolha do nome;
  • Envolva seu filho na escolha dos móveis, roupas e brinquedos para o quarto do bebê;
  • Leve-o a uma ou duas consultas pré-natais e, em especial, ao ultrassom;
  • No período próximo ao nascimento, evite fazer transformações bruscas no cotidiano do mais velho, como tirar a chupeta, alterar a decoração do quarto dele ou trocá-lo de escola;
  • Ressalte como ele cresceu e destaque todas as suas conquistas.

Depois

  • Nunca compare o novo bebê com o filho mais velho;
  • Não tire coisas do primogênito para dar ao mais novo, como brinquedos, roupas, berço etc.;
  • Deixe-o ter contato com o bebê, segurando o pequeno no colo, fazendo carinho, acompanhando a troca de fraldas e a hora da amamentação. As crianças adoram sentir-se úteis.
  • Programem saídas, de vez em quando, somente com o filho maior, mostrem que ele continua tendo a atenção de vocês e que estão sempre prontos para ajudá-lo;
  • Se a criança maior reclamar de que só o bebê ganha presentes, explique, com jeitinho, que ele já possui tudo de que precisa para ficar confortável e que o outro ainda não;

Assim que se sentir segura do amor dos pais, valorizada e integrada no novo ambiente familiar, o ciúme diminuirá e a aceitação do irmãozinho será natural. Os pais têm que demonstrar interesse pelas atitudes dos filhos. O diálogo é a melhor maneira de fazer a criança manifestar e entender as suas emoções, sentindo-se amada e respeitada tanto pelos pais quanto pelo irmãozinho.

A chegada de mais um “inquilino” no coração da mamãe…

Nota

Ao chegar em casa carregando um saco de fraldas, você olha para o seu filho e já o acha grandinho para usá-las. Daí surge a pergunta: será a hora de acostumá-lo a usar o banheiro?

Segundo os especialistas, existe todo um treinamento com a criança para que ela, aos poucos, deixe a fralda de lado. E esse aprendizado deve ser realizado, geralmente, por volta dos dois anos de idade.

Esse é um momento que requer muito cuidado e paciência e pular etapas desse treino pode ser muito prejudicial à maturidade fisiológica e psicológica do bebê, podendo acarretar problemas orgânicos, como fazer cocô nas calças, e emocionais, como baixa autoestima.

Portanto não se precipite, certo?

Naturalmente, seu filho começará a dar sinais de que a fralda está deixando-o desconfortável e passará a avisá-lo quando fizer suas necessidades nela. Eis a primeira prova de que ele está encaminhando-se para abandonar a fralda de vez. A segunda prova é o momento quando ele pede para ir ao banheiro e consegue ficar sentado sozinho de 5 a 10 minutos.

Mas os pais devem conter a ansiedade. Dados comprovam que as crianças que são apressadas aprendem, mas entre os cinco e sete anos perdem o controle novamente.  Diferente do que se imagina, fralda não é sinal de problema ou coisa feia. “O verdadeiro erro é tentar acelerar o processo, essa é uma das causas do famoso xixi na cama”, alerta o pediatra.

Durante o aprendizado da “ida ao banheiro”, ou da “revolta das fraldas”, o tradicional penico pode ser um amigão. Mas, atenção nas escolhas. “Os pequenos em forma de xícara não propõem estabilidade, opte pelas mini-privadas que são mais confortáveis, afinal de contas a hora do xixi deve ser um momento agradável”, recomenda Dr Cid.

Para que a companhia do penico não seja em vão, alguns truques que estimulam a vontade de fazer xixi podem ser úteis e motivo de diversão como abrir a torneira ou molhar as mãozinhas dos pequenos. Entretanto, se mesmo assim, a criança não fizer, não precisa brigar, tente novamente depois de alguns minutos.

A melhor época para iniciar o desfralde é o verão, considerando que, caso haja um escape, o calor torna as calças molhadas menos incômodas. No geral, recomenda-se tirar primeiro as fraldas diurnas para depois, por volta dos três anos, dar início ao processo do desfralde noturno. À noite, lembre de fazer a criança ir dormir com a bexiga já vazia. A hora de fazer xixi ocorre, geralmente, por volta de quatro horas depois da ingestão de algum líquido. Uma ideia é os pais se levantarem nesse período para levar o pequeno ao banheiro.

No geral, o processo de desfralde dura de dois a três meses. Os escapes são naturais, mas tendem a ir diminuindo conforme o amadurecimento. Demorar muito mais tempo do que isso pode significar o desinteresse da criança ou outro distúrbio emocional. Aí o acompanhamento do pediatra é essencial…Apresentando esses sinais, é hora de pôr em prática a retirada da fralda. Confira nossas dicas:

· Compre um penico e estimule a criança a explorá-lo;

· Quando a criança já estiver familiarizada com o objeto, coloque-o no banheiro e comece a deixá-la de calcinha ou cueca sentada nele;

· Nunca retarde a ida ao banheiro quando a criança pedir;

· Quando a criança já consegue dizer quando tem vontade de ir ao banheiro, a fralda diurna já pode ser retirada. Não se apresse, porém, em tirar a fralda noturna ainda;

· Ofereça o banheiro várias vezes ao dia;

· Experimente tirar a fralda noturna quando a criança começa a acordar seca e, antes de dormir, pergunte a ela: “Vamos tentar acordar com a fralda seca?”;

· Passando a fase do penico, mostre à criança como sentar-se no vaso, puxar a descarga e lavar as mãos;

· Ensine-a a chamar alguém sempre que precisar ir ao toalete;

· Deixe a porta do banheiro aberta para que a criança imite os mais velhos;

· Deixe revistas e gibis ao lado do penico ou vaso sanitário;

· Não puna ou castigue a criança caso ela faça xixi na cama. Lembre-se de que ela está em um processo de adaptação e que, entre os dois e os cinco anos de idade, ela não tem total controle esfincteriano e podem ocorrer acidentes;

· Evite oferecer muito líquido à noite e leve a criança ao banheiro antes de dormir.

A maioria das crianças abandona as fraldas até os quatro anos de idade. Mas isso pode variar de acordo com o histórico familiar, o tempo de dedicação dos pais nessa fase e o desenvolvimento fisiológico e emocional da criança.
Caso a criança com mais de cinco anos continue fazendo xixi na cama, procure a avaliação de um especialista, como o urologista ou nefrologista.

E não se esqueça de que, nesse momento, paciência e cumplicidade são essenciais para que o seu filho abandone a fralda de forma tranquila e sem traumas.

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O desfralde…

Quase não tem fruta nos sucos de caixinha

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Suco de fruta, suco tropical, néctar de frutas, refresco… Em busca de uma alimentação mais saudável e menos agressiva ao meio ambiente, cada vez mais pessoas procuram ingerir produtos próximos ao natural e sem aditivos, mas procurando manter a praticidade. Mas a maior parte do que parece suco de fruta na prateleira do supermercado é o chamado néctar. O que esses consumidores ignoram é que apesar de atraente o néctar passa longe do verdadeiro suco de fruta.

De acordo com o Decreto 6.871, o suco de fruta integral deve apresentar 100% de suco de fruta em sua composição, sem adição de água e açúcar. A exceção fica por conta das chamadas frutas tropicais, que por sua viscosidade e sabor mais forte precisam ser diluídas. Seus sucos tem a exigência de ao menos 35% de polpa de fruta legítima. Neste grupo, conforme a Instrução Normativa nº 12, encontram-se abacaxi, acerola, cajá, caju, goiaba, graviola, mamão, manga, mangaba, maracujá e pitanga. Pode-se adicionar até 10% de açúcar, de acordo com a quantidade máxima fixada para cada tipo, desde que a embalagem venha especificado com “adoçado” no rótulo.

Já o néctar de frutas é a mistura de água e polpa de frutas com açúcar, além de poder conter ácido cítrico. Os néctares possuem uma porcentagem menor de fruta em sua composição, variando entre 20 e 30%. Além disso, os produtos nacionais ainda não trazem no rótulo o volume de açúcar, que pode variar de acordo com a fruta utilizada: néctar de banana, que é naturalmente doce, leva menos açúcar do que um néctar de tamarindo, por exemplo.

Temos ainda os refrescos (ou bebidas à base de frutas), geralmente apresentados em caixinhas com forte apelo infantil. Seu percentual de concentração de frutas é o menor da categoria: apenas 8%. Em sua composição estão liberados os corantes e aromatizantes artificiais – proibidos tanto nos sucos quanto nos néctares.

Embora seja obrigatório que as bebidas à base de frutas distingam em seus rótulos qual sua categoria, poucos são os consumidores que sabem quais são realmente as diferenças e suas implicações: a maioria chama as bebidas à base de frutas apenas de “suco”. Induzidos pela publicidade e pelo grande destaque das frutas nas ilustrações das embalagens, a maioria tende a acreditar que leva pra casa um produto mais natural e saudável quando muitas vezes o teor de açúcar, carboidratos e aditivos químicos de determinadas bebidas é tão grande quanto o de refrigerantes.

Embora o brasileiro normalmente prefira sucos de fruta preparados na hora do consumo, o mercado de néctares tem se expandido de forma rápida, principalmente nas grandes cidades, não só pela falta de tempo como também pelo preço, que é bem menor em comparação ao suco integral industrializado. No caso do néctar, por exemplo, pela conotação positiva da palavra, tem-se a ideia de que deteria a melhor parte da fruta ou uma concentração maior, quando o que ocorre é justamente uma diluição da polpa e, quanto mais baixa a concentração de fruta na bebida, menor o seu valor nutricional. 

O mais saudável é tomar os sucos in natura, mas esse consumo também não substitui os benefícios da fruta. Embora os sucos naturais sejam ricos em vitaminas e minerais, são muito ricos também em frutose, que é tão calórica quanto a sacarose. Claro que um suco de frutas possui menos açúcar que um doce, mas se for ingerido demasiadamente também pode desequilibrar uma alimentação saudável.

Fonte: O Eco

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15 truques comentados para fazer as crianças dormirem…

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Alimentar enquanto dorme
Embora muitos pais recorram às mamadeiras noturnas como estratégia para que a criança não desperte, há muitas ressalvas à alimentação durante o sono. “Durante os primeiros meses, o aleitamento materno não tem hora. A partir dos seis meses, a criança já vai deixando de acordar toda hora. Alimentá-la para que adormeça pode até fazer com que fique obesa”, alerta Isabel Madeira, pediatra do departamento de pediatria ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria.

De acordo com Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa, coordenador de neonatologia do Hospital da Vila Alpina, em São Paulo, nos recém-nascidos, não há relação entre a amamentação durante o sono e a incidência de problemas digestivos. “O que ocorre é que, se o bebê for alimentado deitado, pode entrar leite na tuba de Eustáquio (canal que liga o ouvido médio a boca), gerando otite. Se a alimentação é feita com leite materno, a tendência é que não haja infecção, mas pode acontecer.”

Balançar
Cadeira de balanço, rede, voltas no carrinho. Percebendo que o movimento adormece as crianças, há quem leve o pequeno para uma volta de carro para rendê-lo. “Balançar não é recomendado, é um condicionamento ruim para a criança. Recorre ao sono induzido pelo sensor do movimento, então, quando desativa-se esse sensor, ela acorda. Não é recomendado balançar no carrinho nem dar uma volta de carro para que a criança durma”, ensina Márcia Pradella-Hallinan, neuropediatra coordenadora do setor de crianças e adolescentes do Instituto do Sono da Unifesp.

“Balançar é ninar. Para a criança é aconchegante, é gostoso, mas é um erro. A criança deve deitar na cama e lá receber os carinhos da mãe. Não recomendo que balance nunca porque a criança quer cada vez mais. Tenho pacientes que sobem e descem no elevador até a criança adormecer. Não faz sentido”, analisa Hamilton Robledo, pediatra do Hospital São camilo, em São Paulo

Banhos de imersão
Além de ser uma medida obviamente relaxante, os benefícios de um banho quente e sua contribuição a uma boa noite de sono têm explicação científica. “A água quente promove uma vasodilatação e uma queda de pressão. Se feito em uma banheira proporcional ao tamanho da criança e casado com a massagem, é uma estratégia muito eficiente. Com ervas é ótimo porque o cheiro é relaxante também”, comenta a pediatra Suzana Altikes Hazzan.

Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa, que desenvolveu um programa de banhos de imersão para prematuros, diz que a melhor hora para dar o o banho é imediatamente antes de a criança ir para a cama. “O efeito é imediato. Muitas vezes elas chegam a dormir durante o banho”, conta.

Bichinhos
Muitas mães oferecem um brinquedo –um boneco ou um urso, por exemplo– para que a criança leve para a cama. “Esse bonequinho é recomendado a partir dos 5 meses. A literatura médica chama-o de “objeto de transição”. O melhor é que sejam laváveis e sem pêlos. A criança pode chamá-lo por um nome e se sentir responsável por levá-lo para dormir. Não tem de ter pressa de tirar, mas a regra deve de ser clara: usar só para dormir”, diz a neuropediatra Márcia Pradella-Hallinan.

“Pode até ser uma fraldinha de pano, qualquer objeto que passe a ter um significado afetivo. É como se o objeto fosse a concretização de uma afetividade: nele está a representação do amor dos pais, por exemplo, a tranqüilidade de que eles estão por perto, de que ela não está sozinha. Este objeto ajuda a criança a se sentir mais segura para enfrentar algumas situações como dormir sozinha”, comenta a psicóloga Natércia Tiba.

Canções de ninar
“Cantar é ótimo. Para os pequenos, a técnica mais recomendada é o canto. E o ideal é que seja sempre a mesma música. A criança associa tanto a música aos sono e à hora de dormir que começa a fechar os olhos antes de a música acabar. Da música passa-se à leitura de histórias, que têm mais impacto nas crianças maiores”, ensina Márcia Pradella-Hallinan.

Além da cantoria da mãe ou do pai, vale recorrer a CDs com músicas de ninar ou sons relaxantes. “Isso é correto e usado até nos berçários de hospitais para aclamar os recém-nascidos. Acostumar a criança a ouvir um disco e segurar na mão do adulto por alguns minutos enquanto ela está deitada é um segredo para um sossego”, comenta Hamilton Robledo.

Chá de camomila
Geração após geração, a receita de avós e bisavós continua muito popular entre as mães. Mas, para os médicos, a ingestão de um líquido morno é mais calmante do que os princípios da camomila. “Na verdade, ingerir qualquer líquido quente relaxa. Tenho dúvidas sobre o poder calmante da camomila. Dependendo da idade da criança, oferecer o peito basta. Para as maiores, pode ser um chá ou qualquer outro líquido quente. Vale lembrar que chás açucarados são altamente cariogênicos [provocam cáries]. O ideal é oferecê-los sem açúcar”, diz a pediatra Suzana Altikes Hazzan.

Deixar chorar
Há quem defenda criança seja colocada no berço e deixada chorando. A opção é polêmica. A partir dela, o pediatra norte-americano Richard Feber, professor da universidade Harvard, desenvolveu um método de retornos programados ao quarto que ensina a criança a dormir sozinha em três dias. No primeiro dia, a mãe deixe deixar a criança no quarto durante 15 minutos sozinha e só depois ir até ela. No segundo dia, o tempo sobre para 20 minutos e, no terceiro dia, para 30.

“Deixar chorar é necessário às vezes, mas não deve ser drástico. A criança pode associar que dormir é algo muito ruim e tudo vai se tornar cada vez mais difícil. Porém, os pais não devem ir até a criança já no primeiro choro. Se ela se desesperar, vale ir lá e acalmar um pouco. O que não pode é deixar a criança chegar ao ponto de perder fôlego ou vomitar”, explica Márcia Pradella-Hallinan.

Deixar que a criança durma com os pais
Muitas crianças manifestam a preferência de dormir com a mãe, com o pai ou com ambos. “Na nossa cultura, deixar que a criança durma com os pais é desaconselhável. Há muitos estudos nesse sentido, principalmente americanos, pois lá nota-se um aumento da incidência do que eles passaram a chamar de “co-sleeping”. Há dados que confirmam que, apesar de a criança parecer dormir melhor na cama dos pais, a arquitetura do sono fica prejudicada, isto é, a qualidade do sono é pior”, diz a pediatra diz Eduardina Telles Tenenbojm, psicoterapeuta e doutoranda em ciências no departamento de neurologia clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Ler livros e contar histórias
A leitura de histórias é uma das técnicas mais populares entre os pais. O ideal é que, antes de dormir, sejam lidos livros infantis, mas as histórias narradas às crianças também podem ser inventadas. A leitura deve acontecer na cama da criança, ou antes de ela ir para cama. Nunca na cama dos pais.

“Ler é uma técnica benéfica e um momento de aproximação entre os pais e filhos e pode ser parte do ritual para adormecer. É ainda uma forma de introduzir o hábito da leitura, que caiu em desuso entre os adolescentes”, diz Eduardina Telles Tenenbojm.

Levar à exaustão
Muitas vezes as horas que antecedem o sono são aquelas em que as crianças manifestam comportamento mais agitado. A impressão que dá é que o pequeno não se rende ao sono e busca brincar até ficar exausto. “O correto é que a criança tenha momentos reservados à prática de atividades físicas durante o dia, preferencialmente durante a tarde. E que, o quanto antes, perca o hábito de dormir durante o dia. Depois de 4 ou 5 anos, a criança não precisa mais fazer a sesta. À medida que for chegando a hora de dormir, o certo é desacelerar. O ritual do sono deve ser tranqüilo”, observa Isabel Madeiram.

Luz acesa
Por medo, algumas crianças se recusam a dormir no escuro. Para os especialistas, luz apagada é a maneira mais adequada de relaxar, porém é preferível que a criança durma com a luz acesa a dormir na cama dos pais. “No hospital, temos usado luzes azuis, que têm efeito relaxante, para acalmar recém-nascidos hiperativos. Essa estratégia pode ser adotada em casa também”, afirma o pediatra Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa. Ele ressalta que é necessário que os pais investiguem as razões do medo do escuro. “Esse é um sintoma que pede atenção. Afinal, quem são os fantasmas que estão ali? Podem até mesmo ser pessoas conhecidas das crianças”, observa.

Márcia Pradella-Hallinan concorda. “Os medos podem vir de coisas trazidas de escola e se manifestarem à noite. Então é necessário desviar a atenção da criança para uma coisa positiva e desassociar o sono de medo”, acrescenta.

Manter uma rotina fixa
“Organizar a rotina fixa de sono com horários e práticas repetidos diariamente é a regra de ouro. As crianças são bastante sensíveis aos rituais, às coisas que se repetem. A repetição é tranqüilizadora para a criança porque ela reencontra o “conhecido”. Isso facilita a indução ao sono”, diz a pediatra diz Eduardina Telles Tenenbojm.

O ideal é que o ritual do sono seja iniciado cerca de uma hora antes de a criança ir para a cama e que nele sejam cumpridas todas as tarefas que evidenciam que o momento do repouso se aproxima: tomar a mamadeira, escovar os dentes, pôr o pijama, deitar-se com seu urso. Essas tarefas devem ser repetidas diariamente nos mesmo horários.

Óleo de lavanda
Há quem creia que óleo essencial de lavanda ajuda combate a agitação noturna de bebês e crianças. “Basta pingar uma gota de óleo num paninho ou num travesseirinho e posicioná-lo no berço de forma que a criança deitada receba o aroma. O melhor é evite o contato direto do óleo com a pele para não provocar irritações. Em alguns minutos, a inquietação e a insônia melhoram”, diz Cristina Baumgart, vice-presidente do Kyron Spa e mãe de dois meninos.

“Não acho que tenha efeito nenhum. Na verdade, é algo que a mãe passa a fazer como parte da rotina de dormir, e é o estabelecer dessa rotina que ajuda os bebês”, comenta a pediatra Suzana Altikes Hazzan.

A terapeuta corporal Alice Keiko’s Fujiura diz que óleos essenciais puros são muito fortes para a pele do bebê. “Devem ser diluídos em óleos vegetais como o de gergelim e o de semente de uva.”

Pôr em frente à TV
O hábito dos adultos de pegar no sono assistindo TV é cada vez mais repassado para as crianças. Mas especialistas alertam que o costume não é recomendado. “Na verdade, o mundo da criança deve ser o mínimo condicionado possível à televisão. E, diferentemente do que ocorre com os adultos, a televisão pode não ser sinônimo de relaxamento para a criança. Se o programa for agitado ou muito interessante, por exemplo, ela não vai querer dormir. Além disso, essa será mais uma criança que precisa de TV no quarto, fato que causa isolamento e desagrega a família”, diz Isabel Madeiram.

Shantala
A técnica indiana de massagens para bebês se tornou muito popular nos países do ocidente. Paralelamente, outras técnicas de massagem para bebês surgiram por aqui. Para a pediatra Suzana Altikes Hazzan, massagear é uma técnica fundamentada. “É positivo. Relaxa a criança e ajuda-a a ficar tranqüila. Além disso, o contato com a mãe promove a segurança dos bebês”, explica. Mas ela alerta que é importante adquirir domínio da técnica e não forçar caso o bebê não seja receptivo. “Se a mãe começa devagarinho, de modo delicado, a tendência é o bebê aceitar. Entretanto, se ele não aceitar e ficar chorando, o melhor é não forçar”, diz Hazzan.

“‘Para massagear bebês, antes de começar, é preciso preparar um ambiente tranqüilo. Todos os movimentos devem ser muito suaves e é preciso usar óleo vegetal em abundância. A idéia é que as mãos escorreguem e não que exerçam pressão como no shiatsu”, diz Alice Keiko Fujiura.